Volta às aulas: primeiras semanas têm evasão, poucos profissionais e apreensão

Há 15 dias, a rede estadual retomou as aulas e os profissionais da Educação avaliam temas como evasão e o medo de se contaminar

Foto por: Mayke Toscano| Secom-MT

Há exatas duas semanas a rede estadual de ensino de Mato Grosso retomou oficialmente as atividades presenciais, intercalando aulas presenciais e remotas. Num misto de apreensão e certo entusiasmo, os profissionais da Educação relataram ao LIVRE a experiência do retorno.

De dentro das unidades, eles falam em evasão dos alunos, falta de servidores e do medo do contágio.

Isabel Dranka é coordenadora de uma unidade com 250 alunos, divididos em 9 turmas. Para as aulas presenciais, cada uma deve ter, no máximo, 15 alunos. Considerada de “pequeno porte”, a escola não aparenta índices de evasão.

Pelo contrário, segundo Isabel, o número de alunos que retornaram para sala de aula foi surpreendente. “Achei que viriam poucos, mas há um numero considerável. Cada turma está com lotação de 10 a 15 estudantes durante o rodízio”, conta.

Imgem Ilustrativa (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

A surpresa é compreensível. O cenário antes da retomada era bem diferente. “Dava para contar no dedo os alunos que participavam das aulas remotas. Um número considerável sumiu. Não conseguimos contato por nem telefone. Alguns professores foram nas casas buscar esses estudantes”, conta.

A defasagem no aprendizado também ficou evidente, segundo a coordenadora. É que agora, com o contato professor/aluno, foi possível notar que algumas crianças não sabem o básico: o A B C D…

Segundo o governo, em Mato Grosso, há mais de 27 mil crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos fora da escola. O número equivale a 3,8% do total de estudantes.

Contratações

Nara Aline é diretora de outra escola estadual. Na unidade, 60% dos alunos optaram pelo sistema híbrido. O restante preferiu continuar com as apostilas em casa. Para atender quem voltou para sala de aula, porém, ela diz esbarrar na burocracia.

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“Estamos tentando, desde o início do ano, a liberação para contratar agente de pátio e ainda não tivemos resposta positiva. Venho reclamando via e-mail sistematicamente, pois ficamos vulneráveis nos momentos mais complicados que são a entrada, saída e intervalo”, explica.

Isabel passa pelo mesmo problema na unidade de coordena. Ela teve que contar com a disponibilidade de um servidor que aceitou estender o horário de trabalho para aferir a temperatura das crianças. A contratação já foi autorizada, mas o profissional ainda não foi oficializado no cargo.

Antes da retomada das aulas, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) prometeu a contratação de 4,7 mil novos profissionais para o retorno. A ideia é que as vagas fossem preenchidas com cargos técnicos e de apoio para esse momento de retomada.

Imagem Ilustrativa (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Apreensão

A apreensão também é um sentimento comum aos profissionais da Educação. Para outra professora da rede, a sensação é estar de pés e mão atados. “É uma questão de sobrevivência, precisamos ganhar o pão. Uma expressão que resume é: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, diz.

O medo do contágio é ocorre porque os profissionais receberam apenas a primeira dose da vacina. Após o retorno, alguns deles já testaram positivo para covid-19 e as aulas precisaram ser suspensas.

Na escola de Isabel, uma das professoras que usa o transporte coletivo para ir ao trabalho é uma das vítimas. A solução foi voltar para as aulas remotas, já que “não vão contratar ninguém para o lugar dela”.

A sensação, de acordo com a coordenadora é de ficar num vai-e-vem. “Deu uma ponta de esperança ver os alunos, reencontrar as crianças e ver que elas precisam da escola e para além da aula formal”, diz.

O que diz a Seduc?

A reportagem do LIVRE entrou em contato com a assessoria da Seduc ainda na semana passada, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno sobre os questionamentos. O espaço continua aberto para manifestação.

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