Volta às aulas em MT está mantida? Seduc diz que sim. Professores dizem que não

Faltando pouco mais de uma semana, governo e sindicato ainda não se entenderam e os deputados não sabem o que fazer

(Foto: Arquivo)

A volta às aulas presenciais na rede estadual de ensino em Mato Grosso está mantida. Pelo menos, é o que afirma a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em nota publicada na manhã desta quinta-feira (25). Mas, se vai haver professores nas salas de aula, já é um outro problema.

O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) não descarta uma greve geral e por período indeterminado. A categoria cobra vacinação contra a covid-19 para voltar ao trabalho presencial.

Pelos planos do governo do Estado, as escolas reabrirão as portas na próxima segunda-feira (31). Ao longo da semana que vem, haverá uma espécie de período de adaptação. As aulas, em si, serão retomadas a partir do dia 7 de junho.

O sistema a ser adotado é o híbrido em que metade dos alunos frequentarão a escola por uma semana, enquanto a outra metade continuará no sistema remoto de ensino. Na semana seguinte, essas turmas se invertem.

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Retorno, só com vacina

Na última sexta-feira (21) – um dia após o governo apresentar o planejamento para a volta às aulas – o Sintep se reuniu. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente do sindicato, Valdeir Pereira, fala da possibilidade de greve geral e por tempo indeterminado “caso o governo ainda esteja insistindo nessa ideia insana de que os trabalhadores devem colocar sua vida à rifa”.

Valdeir Pereira, presidente do Sintep, diz que professores querem vacina antes do retorno (Foto: Reprodução/Sintep-MT)

A programação de manifestações do Sintep começa já na segunda-feira (31), quando a categoria fará uma reunião para alinhar uma decisão já tomada: ninguém deve voltar às escolas na próxima semana.

Nos dias 5 e 6 de junho, o conselho de representantes do Sindicato se encontrará. Nesta ocasião, a depender dos acontecimentos, vão definir pela convocação de uma assembleia geral no dia 7, quando a greve deve ser deflagrada.

Conforme Pereira, a intenção do sindicato não é suspender o ensino remoto – “mesmo diante das dificuldades” –, mas exatamente o contrário disso. O sindicato quer manter às aulas online até que todos os profissionais estejam vacinados.

O problema é que, embora o governo já tenha prometido vacinar os profissionais da Educação, ainda não há uma data prevista para o início dessa imunização. Ela deve ocorrer quando todos os trabalhadores da Segurança Pública estiverem imunizados, mas ninguém no governo sabe dizer quando isso terá acontecido.

Atividade essencial vs terceira onda

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa discute propostas conflitantes entre si. Os deputados já aprovaram a “transformação” da educação uma atividade essencial, ou seja, daquelas que não podem ser interrompidas, mesmo na pandemia.

Mas também aprovaram um projeto de lei que determinar que a volta às aulas presenciais só pode ocorrer se todos os profissionais do setor estiverem vacinados. O governador Mauro Mendes (DEM) vetou esse trecho da lei. Agora, os deputados não sabem se derrubam ou não o veto.

Diversas entidades, entre elas o Ministério Público, entendem que passou da hora do retorno às escolas (Foto: Reprodução/O Livre)

O que tem pesado para a indecisão dos parlamentares é a ameaça de uma suposta terceira onda da covid-19 no Estado. Declarações do secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, à imprensa têm sido usadas como argumento.

À reportagem do LIVRE, a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou, no entanto, que ainda não existe uma posição oficial – seja dos técnicos ou do secretário – sobre o fato de essa terceira onda estar mesmo chegando ou não.

E sem uma definição mais objetiva, a Seduc resolveu “se apegar” aos critérios que já estão estabelecidos desde o início da pandemia no Estado. Só não vão voltar às atividades presenciais as escolas localizadas em cidades classificadas com o risco muito alto de contágio.

Segundo o boletim informativo da SES divulgado na terça-feira, 18 municípios estão nessa situação. Confira a lista:

  • Araguainha
  • Barra do Garças
  • Canarana
  • Cláudia
  • Confresa
  • Figueirópolis D’Oeste
  • Jangada
  • Juína
  • Lucas do Rio Verde
  • Marcelândia
  • Novo São Joaquim
  • Rondolândia
  • Santo Afonso
  • Santo Antônio do Leste
  • São José do Povo
  • São José do Xingu
  • Tangará da Serra
  • Torixoréu

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