Você sabe porque Cuiabá não tem abastecimento de água 24h em todos os bairros?

Quase metade do que é produzido fica pelo meio do caminho entre vazamentos e "gatos"

O obstáculo para o abastecimento contínuo de água em Cuiabá não está na produção e, sim, na perda. Atualmente, cerca de 40% da água captada e tratada na Capital é desperdiçada por conta de vazamentos na rede e fraudes, o popular “gato”.

Fazendo uma analogia com um restaurante. Seria como se apenas 60% da comida produzida fosse entregue aos clientes e o restante acabasse descartado no processo. Aí, para que todos fossem servidos, o proprietária teria que reduzir as porções.

Diretor-geral da Águas Cuiabá, William Figueiredo explica que a situação, que parece ruim, já foi pior. Em 2017, quando a concessionária assumiu o serviço, o desperdício chegava a 60%.

Reforma do sistema resulta em impacto na mobilidade urbana. Foto: (reprodução/Águas Cuiabá)

Ele alerta ainda que resolver o problema não se resume a trocar os canos, já que isso envolve todo um impacto na rotina da cidade. Significa obras em vias movimentadas, engarrafamentos, isolamentos de áreas e uma série de questões que pressupõe uma estratégia. E ela precisa ser elaborada junto aos órgão de mobilidade urbana, para se garantir o impacto mínimo à população.

Vale lembrar que o fornecimento contínuo é algo vantajoso até para a concessionária, tendo em vista que traz mais durabilidade ao sistema, pois evita o ressecamento dos canos.

Redução à vista

Dentro do planejamento de atuação da Águas Cuiabá, está prevista a redução do percentual de perdas de forma gradual. Sendo assim, até 2026, a meta é alcançar níveis inferiores a 30%, o que colocaria Cuiabá abaixo da média brasileira, que é de 37% de perda.

Vazamentos estão espalhados por toda cidade e arrumar requer transtorno.

Mas, para os consumidores há uma perspectiva de abastecimento contínuo mais próxima. Figueiredo acredita que até o final do ano, todas as casas cuiabana terão abastecimento 24h.

Manso salvará Cuiabá durante a seca

O diretor-geral da Águas Cuiabá esclarece ainda que as cidades que têm problemas com abastecimento, na maior parte dos casos, sofrem com a falta de água nos pontos de captação, o que não é o caso de Cuiabá.

Setenta por cento da água que chega nas casas vêm do Rio Cuiabá e 30% do Rio Coxipó. E o fato da barragem de Manso garantir o nível mínimo do Rio Cuiabá, faz com que não falte o produto.

Barragem de Manso garante volume mínimo no Rio Cuiabá (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Figueiredo argumenta que Manso acompanha os níveis do rio e manobra as comportas para liberar água quando o volume apresenta redução. Assim, sempre há água suficiente para a captação.

No entanto, é preciso ficar atento ao processo, porque ele não impacta na conta de água, que não é mensurada por bandeiras, mas também não é de graça. Basta acompanhar o aumento da tarifa de energia elétrica. Com a redução da água, o custo da energia é que fica mais caro.

Por que já houve desabastecimento?

Para Figueiredo, a falta de água em anos anteriores em Cuiabá ocorria por conta de fatores como a baixa capacidade de captação do rio e a pouca quantidade de reservatórios, problemas que foram sanados nos últimos anos.

Sendo assim, a água é produzida e armazenada para compensar qualquer problema de abastecimento, inclusive na estiagem.

Figueiredo garante que o consumo durante a estiagem não tem grandes percentuais de aumento, chegando a no máximo 4% por casa. O fato mostra que a estrutura atual consegue comportar o período e, se faltar, serão questões pontuais e não ligadas ao aumento da demanda.

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