Você sabe o que é um chapa? O sustento deles vem no “muque”

Sacos de cimento na cabeça e latas de tinta no braço. Para trabalhar nessa profissão precisa ser forte

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre

Carregar 50 kg na cabeça não é para qualquer um. Por este motivo, muitos aparecem nos pontos de chapa, motivados pela necessidade, mas não resistem ao primeiro dia na profissão.

Iris Vieira dos Santos, 65 anos, está há 20 anos no ramo e diz que é preciso força e perseverança. Quando chega um serviço, independentemente de ser mudança ou bitrem, a pessoa precisa estar disponível.

“Quando não trabalhamos, não ganhamos. Então, rezamos para que os clientes cheguem porque, no último ano, a procura caiu muito”.

Santos conta que trabalhou como vigilante por muitos anos em uma universidade particular de Cuiabá e, quando perdeu o emprego, não encontrou outro.

Na opinião dele, a idade foi algo decisivo em todas as entrevistas e a única saída encontrada foi buscar algo nos pontos de chapa.

Mesmo com todas as dificuldades, ele consegue pagar as contas e até comprou um carro.

Até dois anos atrás, todas as semanas, cerca de 3 bitrens paravam em busca do trabalho de chapa. Grande parte estava carregada de materiais para construção.

Era cimento, cal, telhas, tijolos, tintas e todo tipo de produto que abasteciam as lojas de materiais de construção e grandes obras.

“Quando a economia vai bem, nós temos serviço. Agora, muitas lojas quebraram e as que sobraram compram menos. Em lugar que eu descarregava um caminhão de cal, hoje não descarrego 600 bolsas”.

Iris Vieira dos Santos diz que muitas lojas quebraram e o serviço reduziu no último ano (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Cada saída custa entre R$ 70 e R$ 150. A variação fica por conta do tamanho da carga e do tipo de produto.

Para Santos, a pior carga é de pedras de mármore. Primeiro, porque é muito pesada, segundo, pelo risco de a carga se quebrar.

Quando isso acontece, o valor é descontado do trabalhador e, dependendo do caso, ele fica devendo para empresa ainda.

Já Marlon Queiroz, 47, acredita que a pior carga é a de latas de tinta. Ele diz que não há jeito certo de pegar na lata e sempre uma das laterais acaba escorada no braço, o que causa até cortes.

Outro problema é o risco de a lata amassar ou abrir em uma queda.

Preconceito

Queiroz avalia que a profissão é muito difícil, depende exclusivamente das condições corporais, não tem nenhum tipo de segurança e o preconceito é muito grande.

Ele diz que, muitas vezes, o cliente não traz os chapas no local em que os pegou e eles precisam usar o transporte coletivo.

“Quando estamos sujos de cal e de chinelo, as pessoas se afastam e nos olham diferentes. Já entrei em um supermercado e o segurança ficou me acompanhando. Parei, olhei para ele e disse que era trabalhador, não ladrão”.

Outro problema enfrentado é fazer compras parceladas em lojas.

“Não temos comprovante de renda. Então, tudo precisa ser na confiança. É difícil ter as coisas assim”.

O ponto de chapa onde trabalham Iris e Marlon fica no canteiro do entroncamento entre a Avenida Fernando Correa da Costa e Beira Rio, na região do Coxipó, em Cuiabá.

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