Você conhece o chalé de inverno dos governadores de MT? Pois ele está abandonado

O local carece de controle de entrada e cuidados de preservação

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Desde a década de 20 os governadores de Mato Grosso dispunham de uma casa de inverno localizada em Chapada dos Guimarães –  o chalé dos governadores, mais precisamente na Comunidade da Casca. No entanto, a visita a este patrimônio segue restrita, pois os guias que conduzem os passeios à cidade evitam realizar visitas ao local por conta do abandono e da falta de controle.

O LIVRE foi conhecer a Usina da Casca, a primeira hidrelétrica de Mato Grosso, onde fica a antiga residência oficial de descanso dos governadores. O local abriga uma cachoeira formada pelo Rio da Casca [o mesmo que passa pela Martinha].

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

No entanto, por conta do represamento do leito do rio, só é possível observar a cachoeira  nos meses de chuva do ano, quando o nível da água ultrapassa as barreiras de contenção.

Construída ao lado de onde forma a cachoeira, a casa no estilo neoclássico abriga ainda um mirante no quintal, com vistas para a cachoeira. Também no quintal há uma mesa de mármore de mais ou menos cinco metros, que lembra muito a mesa de reuniões do sala que fica anexa ao gabinete do governador.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A casa conta ainda com duas churrasqueiras e uma piscina. Ela foi construída durante o governo de Mário Corrêa da Costa, que pretendia levar a Capital de MT para Chapada dos Guimarães, até então conhecido como o maior município do mundo.

Visita ao local

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A equipe do LIVRE foi ao local acompanhado da guia de turismo Luzia Abich, que destacou que as belezas do local e a questão histórica da casa dos governadores e da primeira hidrelétrica. Para ela, o necessário para o momento é que se tenha um controle maior da entrada dos visitantes, já que há todo um cuidado com a preservação do local histórico.

“Seria interessante que a empresa ou que a comunidade pudesse cuidar para que a entrada ao local fosse de forma guiada, para preservar a casa e a usina e permitir uma visitação organizada e com segurança. Não é um local de fácil acesso e precisa de cuidado mesmo”, disse.

Para a guia, o local é perfeito para virar um pólo de turismo estudantil e científico, por conta da usina [inaugurada em 1928], mantendo as peças do local.

Já o público em geral pode conhecer a casa dos governadores, mas antes ela precisa estar limpa e com estrutura acessível para as pessoas circularem pelos ambientes.

Segundo a guia, há poucas memórias do local. Ela conta que na década de 90 o espaço era usado por funcionários da antiga Cemat, a estatal de distribuição de energia do Estado.

Com a privatização do setor elétrico, a usina ainda ficou com a Rede, controladora da Cemat, e em 2005 foi entregue à Apiacás Energia S.A.. Atualmente a Enel Brasil Participações controla a usina e é responsável pela conservação do Chalé dos Governadores.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O Chalé e a Usina Hidroelétrica Casca I foram tombados no ano de 2009 pelo patrimônio histórico estadual. Em agosto do ano passado, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) chegou a fazer uma avaliação do local. Os técnicos do governo fizeram um relatório e apontaram o que precisava ser feito.

Então, a Enel providenciou a limpeza e pintura do local para manter um estado mínimo de conservação.

Na parte da usina, o mesmo cuidado não aconteceu. O galho de uma árvore caiu no telhado e em uma parede do local que ficava o almoxarifado da usina.

No Arquivo Público de Mato Grosso as informações sobre o chalé ainda não estão classificadas. Segundo servidores do arquivo, são de acesso fácil informações sobre a hidrelétrica da Casca, como a planta de construção do empreendimento.

Ao redor da usina fica a comunidade da Casca de Chapada dos Guimarães. O local é um tanto quanto esquecido pelo Poder Público municipal. A guia Luzia conta que historicamente há uma rixa entre a comunidade e o centro da cidade, o que acaba respingando nos dias de hoje.

Lugar histórico

Um estudo do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a história da comunidade da Casca mostra que ela é muito mais velha que a usina e o Chalé dos Governadores. A história remete ao ano de 1798, quando a comunidade da Casca abrigava dois engenhos, um de porte grande, que abriga 44 escravos, e outro de porte médio, com 32 escravos. Naquele período, Chapada dos Guimarães ainda tinha o nome de Serra Acima.

Outro lado

O LIVRE buscou contato com a Enel e no local não havia pessoas autorizadas a conversar com a reportagem. O telefone que foi passado para contato também não foi atendido, nem houve retorno.