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Você compartilha imagens de violência na internet? Especialistas citam trauma e até crime

Foto de André Souza
André Souza

Assassinatos, agressões, chacinas, acidentes… Em algum momento – desde o advento da rede social até agora – você deve ter recebido vídeos ou fotos de algumas dessas situações. A facilidade dos cliques e os aparelhos nas mãos tornou o compartilhamento de imagens de violência na internet cada vez mais comum.

Mas será que é positivo compartilhar e divulgar conteúdos de violência? Quais as consequências do ponto de vista da psicologia e da Justiça sobre o assunto?

Para a psicóloga Gleycimara Joaqui da Silva, a explicação pode estar em movimentos do inconsciente para alertar o outro ou mesmo chocar as pessoas.

“Alguns não vão pensar no que estão causando ao compartilhar essas mídias. Por isso, essas pessoas acabam achando que estão ajudando. Por outro lado, o estudo da psicanálise sugere a possibilidade da tentativa de chocar o outro, que se aproxima dos conceitos de histeria coletiva, de querer reproduzir o choque em massa”, explica.

Porém, é depois do clique que aparecem as consequências à psique. É que, segundo a psicóloga, não se sabe ao certo como a mensagem vai chegar do outro lado.

A exemplo de pessoas que estejam com problemas pessoais (ou na família) que se aproximem das imagens ou vídeos. “Isso pode despertar traumas que podem dificultar ainda mais que ela saia desse sofrimento. Por outro lado, quem compartilha está do outro lado das sensações e sente prazer no compartilhamento ”, complementa.

Do ponto de vista jurídico

Pessoas que tiverem as próprias imagens ou as de familiares compartilhadas podem pedir indenização pelo dano sofrido. Quem explica é o Secretário Adjunto da Comissão de Direito Eletrônico da OAB-MT, Fábio Zuqueti.

Segundo ele, existem delegacias e tipificações criminais específicas sobre esses casos. A exemplo do crime de vilipêndio à cadáver, que pode resultar em condenação de 1 a 3 anos de prisão por compartilhar imagens de pessoas mortas.

A tragédia que ceifou a vida do cantor Cristiano Araújo é um ótimo exemplo, aponta Zuqueti. Após o acidente, vídeos e fotos do corpo do cantor rodaram as redes sociais.

“As fotos rodaram de norte a sul no país. Além da reparação aos seus familiares – e  também a uma coletividade -, o caso poderia acabar no indiciamento das pessoas que criaram o conteúdo e de qualquer pessoa que compartilhou”.

Quando se tratar da sua imagem ou de um parente é possível buscar uma reparação na Justiça.

Mas há as subjetividades. “Se você precisar reparar um dano em um carro que você bateu é mais fácil. Quando se trata de casos desse tipo, a reparação da violação é por meio de indenização. As pessoas podem requerer também o tratamento psicológico ao ofensor”, conta.

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