Você comemora o Halloween? Sabia que existe uma alternativa católica?

O LIVRE foi calorosamente recebido pelas famílias na Festa de Todos os Santos. Veja como é a comemoração

Crianças da Comunidade Alma Missionária fantasiadas de santos da Igreja Católica na comemoração do Dia de Todos os Santos (Foto: Ludmylla Siqueira)

Uma matéria de 2015 publicada num famoso site de notícias mundial dispõe do seguinte título: “Como o Halloween derrotou o Dia de Todos os Santos”. O tom é levemente comemorativo. Mas como é possível uma festa mundana de culto ao horror derrotar o dia daqueles que já venceram em vida e continuarão vencendo por toda a Eternidade?

O nome “Halloween” vem de “All Hallows’ Eve” – a Véspera de Todos os Santos. A solenidade de Todos os Santos ocorre no dia 1º de novembro e, por isso, o “Halloween” acontece no dia 31 de outubro.

E será que pais cristãos, especialmente católicos, deveriam “comemorar” o Halloween, conhecido, no Brasil, como Dia das Bruxas?

Jesus e Seus Santos (Foto: Ludmylla Siqueira)

Um breve histórico católico do Halloween

Segundo vídeo do Padre Paulo Ricardo, para a Igreja Católica o mês de novembro é dedicado, também, à meditação sobre a morte. Por isso, as orações se voltam preferencialmente às almas dos que já foram salvos, mas ainda estão no Purgatório pagando por seus pecados a fim de entrarem no Céu. Desta forma, pode-se dedicar obras de caridade às almas desses fieis para que suas penas sejam reduzidas.

Então, na Véspera de Todos os Santos de outrora, os católicos costumavam colocar do lado de fora de suas casas o chamado “Pão da Alma” para que os pobres comessem. Estes sabiam que era uma época de caridade e iam até as residências em busca desse alimento. Com o tempo, outros elementos comestíveis também eram doados e algumas crianças foram atraídas para esse costume junto aos pedintes. Essa seria a possível origem da famosa frase “Gostosuras ou Travessuras”, ditas pelos participantes do Halloween ao baterem à porta das casas procurando doces na noite de 31 de outubro.

Além disso, os fieis visitavam cemitérios e ossários, onde acendiam velas – possível origem das Jack-O-Lantern, as abóboras iluminadas. Nesses locais, de forma catequética e pedagoga, havia horrorosas pinturas de cenas de pessoas condenadas ao inferno – chamados de Dança Macabra, como a obra musical de Camille Saint-Saëns. Assim, as pessoas e especialmente as crianças aprendiam sobre a importância de se seguir os Mandamentos de Deus na Terra para não se sujeitarem àquelas penas medonhas por toda a Eternidade.

Porém, a Reforma Protestante na Inglaterra acabou condenando esses meios de Catequese por não acreditarem em realidades católicas como o Purgatório. Problema: aquela região possuía forte influência do povo Celta, que cultuava as almas de seus ancestrais.

Enquanto a Igreja Católica, por ordem do Papa São Gregório Magno e por obra de Santo Agostinho de Cantuária, buscou evangelizar esse povo se adaptando a suas festas – incluindo elementos católicos nelas -, os protestantes tentaram cortar totalmente as relações com aquela cultura. Não houve sucesso nisso e as festas de influência celta foram se paganizando ainda mais, chegando até os Estados Unidos, colonizados pelos puritanos ingleses. O Halloween, então, se espalhou pelo mundo até os dias de hoje. Foram-se os dedos e ficaram os anéis.

Católico pode participar do Halloween?

Muitos ditos católicos permitem que seus filhos participem de festas de Halloween fantasiados de demônios, bruxas e de outras alegorias macabras, dizendo que não há problema ou que é apenas simbólico. Inclusive alguns adultos gostam de sair por aí fantasiados para “comemorar” o Dia das Bruxas, vestindo-se, por vezes, de maneira sexualmente provocativa.

Entretanto, alguns exorcistas condenam essa atitude. De acordo com Canção Nova, um dos sacerdotes mais conhecidos do ramo, o saudoso Padre Gabriele Amorth, disse que “o Halloween é o Hosana do Diabo”.

“Halloween é uma armadilha do demônio. É uma festa nojenta e me dá nojo”, continuo o exorcista. “Trata-se de uma coisa pagã, anticristã e anticatólica.”

No mesmo vídeo citado anteriormente, o Padre Paulo Ricardo alerta que, segundo exorcistas conhecidos por ele, brincadeiras com demônios, bruxas, caveiras, entre outros elementos tenebrosos, são ocasiões de contaminação espiritual para muitas crianças.

Tendo como base a Bíblia, em Deuteronômio (18,10-12) está escrito que adivinhações, astrologia, agouros, feiticismo, magia e invocação dos mortos são práticas abomináveis aos Olhos de Deus.

E São Paulo, em sua Carta aos Efésios (5,11), deixa claro que cristãos não devem se envolver com obras infrutíferas das trevas, mas condená-las abertamente.

Portanto, a um católico não convém brincar com fogo dessa maneira e, principalmente, expor seus filhos a tão grandes riscos.

A alternativa católica

Uma criança filha de pais católicos, em algum momento, pode ter contato com toda essa algazarra de Halloween e desejar se fantasiar de algum personagem ou de alguma celebridade. Afinal, crianças gostam de imitar pessoas.

E os santos são as melhores personagens a serem imitadas.

As filhas da Nívea: Maria Eduarda, 8, fantasiada de Santa Rita e Mariana, 3, de Irmã Dulce (Foto: Ludmylla Siqueira)

Por que não vestir seu filho de São João Bosco ou sua filha de Santa Joana d’Arc? Ou então vestir seu filho de monge para imitar a São Bruno? Ou colocar lindos véus na sua filha para que ela fique parecida com a Imaculada Virgem Maria?

Mas e se a criança não quiser se fantasiar desse tipo de santo? Não há problema. Ela pode se vestir de policial, de médico, de bombeiro, de guerreiro ou de lixeiro – no Céu, há muitos santos assim também.

Desta forma, as famílias católicas podem comemorar o Dia de Todos os Santos de maneira divertida e catequética. Muitos católicos já proporcionam isso a suas casas ou participam de eventos que celebram essa Festa.

Destaque para as fantasias de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, São Padre Pio de Pietrelcina e Nossa Senhora do Bom Despacho (Foto: Luiz Felipe Costa)

Evento na Comunidade Alma Missionária

No último sábado, 30, ocorreu a Festa de Todos os Santos na Comunidade Católica Alma Missionária, na região de São Gonçalo Beira Rio em Cuiabá. O local – que contém uma capela com um Sacrário onde são guardadas as Hóstias Consagradas -, lembra uma chácara, com mata e árvores ao redor e longe dos barulhos ensurdecedores do mundo. Os únicos ruídos são ruídos santos: aqueles das crianças e de seus pais, animados com as homenagens às pessoas que são verdadeiros faróis para todos os católicos.

(Foto: Ludmylla Siqueira)

Um dos organizadores do evento e fundador da Comunidade Alma Missionária, o professor Luís César, em conversa com O LIVRE, explicou que as crianças participantes da Festa, bem como as outras da Comunidade, recebem o nome de Cristãos Nativos, pois “vão crescendo em meio aos valores cristãos católicos e à obediência à palavra de Deus”.

Esse evento serve para que as crianças aprendam mais sobre a vida dos santos. Desta forma, esquecem facilmente o perigoso Dia das Bruxas. “Uma contraposição à absurda e demoníaca ‘festa’ de Halloween”, completou Luís César.

Da direita para a esquerda: Santa Úrsula, São João Bosco, Santa Rita e Beata Laura Vicuña (Foto: Luiz Felipe Costa)

O LIVRE foi calorosamente recebido pelas famílias da Comunidade. A Festa de Todos os Santos contou, inicialmente, com um desfile das crianças fantasiadas de santos. Logo depois, cada um dos pequenos contou histórias magníficas sobre a vida daqueles que homenageavam – alguns mais vergonhosos, outros mais extrovertidos, mas todos muito inteligentes.

Desfile dos “santinhos”, com os Arcanjos São Rafael e São Miguel à frente (Foto: Ludmylla Siqueira)

Dando continuidade ao evento, as crianças e os pais seguiram por uma pequena trilha rezando o Primeiro Mistério Gozoso do Santo Terço – Mistério rezado todo sábado pelos fieis católicos, por ser um dia de alegria dedicado à Virgem Maria, Mãe de Deus e Senhora do Mundo.

Na volta da trilha, as famílias cantaram e dançaram músicas católicas em honra e louvor a Jesus Cristo e a todos os Seus Santos. Para finalizar, aconteceu a Partilha: um delicioso lanche promovido pelos pais dos “santinhos”, contando com cachorro quente, bolos e sucos.

Trilha e oração em família (Foto: Luiz Felipe Costa)

Aos pais católicos: há alternativas para seus filhos aproveitarem esta época do ano. Não é necessário deixar que sigam a onda do mundo e se entreguem ao Halloween, algo que pode afastá-los da busca pela santidade. Ser santo é a vocação universal e é dever dos pais católicos promover a busca pela vida reta e cristã a suas crianças.

Deixem que os pequeninos vão até Jesus e imitem os santos, estes que são as mais belas Obras de Arte criadas por Deus.

(Foto: Luiz Felipe Costa)

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela abordagem na matéria. Jornalismo é isso, vários lados, resgate histórico. 99% das matérias são exaltando o Halloween, mas existem pessoas que não celebram, não gostam, não vivem isso. Trazer isso em matéria jornalística é no mínimo corajoso.

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