Violência estrutural

Foto: Reprodução

Quando naturalizamos a violência contra a mulher, seja ela qual for, estamos fazendo com que a mesma perpetue. Por isso a importância de debater temas e refletir. Assim como o racismo é estrutural, a violência também é. É muito comum, ainda, ouvirmos frases como: “Ah, ela estava dando bola”, “ela estava merecendo apanhar”, “com essa mini saia, só podia acontecer isso mesmo”, “ela estava mostrando os seios” e por aí vai.

Você que está lendo esse texto já ouviu alguém fazer esse tipo de comentário? Ou já se pegou pensando ou deixando de usar uma mini saia ou um vestido mais decotado? Já olhou para sua filha e ordenou que a mesma fechasse as pernas e disse que menina tem que sentar “direitinho”? Se sim, fico feliz em estar mexendo com suas crenças limitantes. É esse o meu objetivo. É para espantar mesmo. Se você não se impactou   de alguma forma, algo pode estar errado. Já de antemão posso dizer: se quiser despertar, dá tempo.

Diante de tantas fatalidades, suicídios, homicídios, mulheres sendo espancadas, queimadas, trancafiadas em seus lares sendo motivo de piada por seus “relacionamentos”, penso que estamos  aos poucos tendo a consciência que tais comportamentos e tragédias não podem existir mais. Esse pensamento mais fluido será para todos? Já adianto que não. Estamos falando de culturas, valores, crenças, alianças familiares e legados.

Para refletir sobre a violência é preciso ter em mente como esse fenômeno acontece e como se dá a perpetuação. A perpetuação se dá  justamente quando aceitamos a naturalização. E essa, como tal, vem carregada de tabus. É preciso que haja debate até sermos ouvidos. Penso que se nos posicionarmos dando abertura para que haja psicoeducação, podemos antever muitas fatalidades.

Esse problema da violência perpassa outras esferas. Como políticas públicas voltadas para a psicoeducação nas escolas, bairros, grupos mais extensos. Nessa época que antecedem  as eleições, faça valer o seu voto. Veja se tem algum candidato que tenha projetos voltados para a proteção das mulheres. E se não tiver, cobre, sugira, mobilize outras mulheres para fazerem o mesmo.

Que possamos não mais nos envergonhar de algo que insiste, ainda hoje em pleno século XXI, a permanecer em nossas vidas cotidianas, justamente porque não falamos sobre ela. É preciso atentar sobre os nossos pensamentos, relações, palavras, ações e reações diante do outro. Sem essa de escutar alguém dizer algo que eu não possa me posicionar. Algumas pessoas  vão dizer: “Ah, mas eu não tenho nada com isso. Nem conheço essa pessoa. Se ela quiser, ela mesmo que se ajeite”. Não, meu caro. Essa pessoa que passa por essas situações, muitas vezes não tem consciência que está sendo vítima de violência. Enquanto a cultura do deixar pra lá permanecer, a cultura da violência fincará suas raízes, tornando-se mais difícil tirá-las da terra. Haja visto que essas raízes podem se entrelaçar e ficar cada vez mais fortes.

Não pense que você está a salvo. Talvez por “sorte”, esteja . Mas não há garantia de que todos os outros membros da sua família que ainda virão estarão. Alguns podem vir a  sofrer com violências de todos os tipos. Sabe porque? Porque eu, você e outros preferimos nos calar. É assim que as heranças multigeracionais se dão. Cada vez que eu me calo para qualquer tipo de comentário citado acima, ajudo as raízes se fortalecerem. Elas são tão fortes que tem o poder de cegar, atrofiar os olhos e ouvidos. Uma vez que raízes criam força, me fazem acreditar que eu posso enxergar somente o que é dito por elas. Ou seja: a tendência é ver somente quadrados. Porque uma coisa posso garantir: elas são muito fortes. E eu te pergunto: Você prefere dar as suas forças para uma raiz daninha? Ou você pode dizer para essa raiz que não quer que ela faça muda em você? Se uma raiz tem o poder de caminhar forte e corajosa, você também  terá a possibilidade de não querer que ela brote ou floresça em você.

Para você que ainda não sabe das leis que podem ser nossas aliadas, leia, pesquise, repasse para outras mulheres. Juntas podemos ser bem mais fortes. Lei do minuto seguinte, Lei do feminicídio, Lei Carolina Dieckmann, Lei Joana Maranhão, Stealthing. Nosso poder, mulher, vem da informação.

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