Violência doméstica na pandemia: “vítimas estão em cárcere privado”, diz delegada

Durante isolamento, vítimas têm dificuldade em procurar ajuda, segundo a delegada Jozirlethe Criveletto

Delegada titular, Jozirlethe Criveletto acredita que capacitação de profissionais já existentes é uma alternativa (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em cárcere privado. Essa é a realidade das vítimas de violência doméstica durante o isolamento social, necessário em função da pandemia de covid-19. A afirmação é da delegada Jozirlethe Magalhães Criveletto, titular da Delegacia Especializada dos Direitos da Mulher de Cuiabá.

Após o início da quarentena, o número de boletins de ocorrência que denunciam os casos de violência doméstica caiu, em Cuiabá. No Estado, os índices também apresentarem queda.

A redução, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), é de 29% entre 2020 e 2019. O levantamento considera o período entre 10 de março e 31 de maio.

A queda na estatística, porém, não significa dizer que os casos também diminuíram.

“Tivemos uma diminuída, sim. Não queria dizer que a incidência caiu e, sim, que agora há uma maior dificuldade da vítima em buscar os serviços de apoio e proteção. Como ir em uma delegacia, por exemplo”, explica Jozirlethe.

Canais oficiais e rede de apoio

Segundo Jozirlethe, mesmo durante a pandemia, os canais oficias de ajuda e apoio às vítimas de violência doméstica continuam funcionando. Entre eles, o atendimento psicológico para mulheres, que registram boletim de ocorrência.

“Esse atendimento que, antes da pandemia era presencial, tem sido feito pelo WhatsApp. Temos o cadastro das vítimas que passam por lá. A psicóloga entra em contato para monitorar. O atendimento pode ser feito por ligação, mensagem, chamada de vídeo”, explica.

Os canais oficiais de ajuda são:

  • 190 – Polícia Militar;
  • 180 – Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência;
  • 100 – Direitos Humanos;
  • (65) 3901-4277 – Delegacia Especializada dos Direitos da Mulher de Cuiabá

A mensagem da delegada é que redes de apoio sejam criadas para que as vítimas não fiquem desassistidas.

“Se você tem uma amiga que possivelmente é vítima de violência, ligue, mande uma mensagem, ofereça ajuda”, finaliza.

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