Crônicas Policiais

Vida de luxo e esquema de pirâmide: veja o perfil do casal alvo de operação em MT por divulgar tigrinho

Investigação aponta lavagem de dinheiro e uso de redes sociais para atrair vítimas
Foto de Lucas Bellinello
Lucas Bellinello

Um casal apontado como peça-chave em um esquema ligado a apostas ilegais online foi alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (23). Wilton Vagner Vasconcelos Magalhães e Jessica Orben Vasconcelos Magalhães são investigados por participação em crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar na internet.

Além deles, também entraram na mira das autoridades o empresário Erison Coutinho e sua esposa, conhecida como Lili Vasconcelos. De acordo com a investigação, cada um exercia uma função dentro da estrutura montada para operar o esquema.

Segundo a polícia, as mulheres tinham papel relevante na divulgação das plataformas ilegais. Atuando como influenciadoras digitais, elas utilizavam redes sociais para atrair novos usuários com promessas de ganhos altos e rápidos. Publicações frequentes, exibição de supostos lucros e compartilhamento de links ajudavam a impulsionar o alcance dos jogos.

As investigações indicam ainda que parte desse conteúdo era baseado em contas simuladas, usadas para criar a impressão de ganhos fáceis. A estratégia aumentava a adesão de novos participantes e alimentava o fluxo de dinheiro, posteriormente ocultado por meio de mecanismos financeiros.

Vida de luxo

Outro ponto que chamou atenção foi o padrão de vida elevado dos investigados. Apesar de declararem atividades empresariais de pequeno e médio porte, o grupo adquiriu imóveis de alto valor, veículos de luxo e passou a ostentar viagens e bens nas redes sociais sem comprovação de renda compatível.

Ao todo, a operação cumpre 34 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e também na cidade de Itapema (SC). Entre as medidas estão buscas e apreensões, bloqueio de contas bancárias e perfis em redes sociais, suspensão de atividades econômicas, além do sequestro de imóveis, veículos e retenção de passaportes. O valor bloqueado chega a R$ 10 milhões.

Quase uma pirâmide

As apurações apontam que o esquema tinha características semelhantes a pirâmide financeira, com ganhos dependentes da entrada constante de novos usuários. O principal investigado seria responsável por coordenar a movimentação financeira e dar aparência legal aos valores obtidos por meio de empresas e aquisição de bens.

Também há indícios do uso de “laranjas”, empresas fictícias e transações simuladas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Relatórios técnicos identificaram movimentações milionárias, inconsistências fiscais e conexões com outros investigados e até contatos internacionais ligados a fraudes digitais.

A Polícia Civil afirma que a operação busca desmontar o esquema, interromper o fluxo de recursos ilegais e reunir provas para responsabilizar os envolvidos.

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