Verba indenizatória: deputados trocam ataques pelas redes sociais

Os dois concluíram o curso de direito juntos e hoje são deputados em lados opostos

Foto: Ronaldo Mazza ALMT

A semana foi de muita troca de acusações e ataques nas redes sociais do deputado Ulysses Moraes (DC) e Janaina Riva (MDB). Tudo por conta da posição contrária dos dois quanto ao uso da verba indenizatória pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Um das bandeiras do deputado do Movimento Brasil Livre (MBL) era justamente o fim das regalias dos políticos, apresentou e teve aprovado, nesta semana, em comissão de mérito o projeto de redução de 50% da verba indenizatória.

No mesmo dia da aprovação começou a série de ataques, a deputada, que está como presidente em exercício da Assembleia Legislativa, é contra a proposta do parlamentar do MBL. No mesmo dia, teve uma reunião com produtores rurais e na frente de Ulysses destacou que não possível medir o trabalho do deputado pelo tanto que ele gasta de Verba Indenizatória, mas pelo retorno que ele dá ao Estado de Mato Grosso. A parlamentar estava no uso da palavra e Ulysses não pode se posicionar no momento, pois ele já tinha usado a palavra e defendeu o livre comércio, outra bandeira do parlamentar.

No dia seguinte, a série de ataques continuaram, em entrevista na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Janaina criticou o projeto do colega, disse que era demagogia. Por meio de nota, Ulysses rebateu às críticas da presidente da Assembleia Legislativa. Disse que receber críticas da deputada mostra que ele está no caminho certo, já que ela tem o sobrenome Riva, do seu pai José Riva (sem partido).

Ednilson Aguiar / O Livre

Na noite de quinta (16) a deputada usou seu perfil no Instagram para dizer que o projeto de Ulysses de redução da verba é demagogo e hipócrita. Destacou que foi colega de faculdade de Ulysses e que acreditava que ele seria um bom parlamentar. No entanto, acredita que ele está vestindo um personagem. Já que ele propõe a redução da chamada V.I., mas que poderia abrir mão dela. “Eu nunca fiz palanque dizendo que ia acabar com verba indenizatória ou com os direitos que os deputados possuem. Ao contrário, eu tenho certeza que foi essa independência que isso me traz que me fez ser a deputada mais votada de Mato Grosso, eu não precisava de governador e nem de mesa diretora da Assembleia [para isso]”, disse.

Continua o vídeo dizendo que condena pessoas que falam uma coisa, mas faz outra. “Na sua frente a pessoa é de um jeito, por trás é de outro, isso me causa preocupação. Quando eu falo do Ulysses, por exemplo, nós estudamos juntos na faculdade, sempre tive uma ótima relação com ele, mas essa pessoa, esse personagem que ele se transformou me preocupa muito. Uma pessoa que hoje usa passagem da Assembleia, carro da Assembleia, que usa verba indenizatória, que o chefe de gabinete também usa. Ele usa menos? Mas, prometeu que ia acabar com isso! Ele usa menos passagem? Mas falava que isso era uma aberração, um absurdo! Inclusive, ele acabou com a V.I. de muitos vereadores”, disse a parlamentar.

Segundo ela, a preocupação é porque Ulysses parecia que seria um bom deputado estadual, mas não é isso que demonstra, em sua avaliação. Para ela, ao agredir sua família, o deputado se mostra limitado. Destaca que poderia agir da mesma forma com a família do parlamentar. Segundo a deputada, os seguidores dela disseram que o pai do parlamentar, o professor de direito, Naime Márcio, também tem problemas. “Eu não vou fazer isso [ataques à família], vai contra o meu perfil, contra aquilo que sempre trabalhei, acho que as pessoas já sabem quem eu sou, estou aqui há cinco anos e já imprimi a minha identidade”, avaliou a deputada.

Na sexta (17), Ulysses voltou a responder a deputada, disse que usa R$ 100 mil com o pagamento de salário dos servidores de seu gabinete. Segundo ele, usa R$ 39 mil com salário (fora os cargos obrigatórios de assessor parlamentar, assessor de imprensa e chefe de gabinete), além de dois servidores efetivos. Segundo ele, o valor chega a 50% do total que poderia gastar com servidores. O parlamentar diz ainda que possui apenas oito comissionados [além dos três obrigatórios] em sua equipe e que é a mais enxuta da Assembleia.

Contesta a afirmação de Janaina e disse que prometeu não acabar com a V.I., mas de reduzir o valor usado por cada parlamentar e que já apresentou um projeto neste sentido. Destaca ainda que faz uso de apenas um veículos, dos vários a que tem direito e com isso fará uma economia de R$ 300 mil durante os quatros anos de seu mandato.

Desafio lançado

Por fim, o deputado reafirma seu compromisso com um mandato em que preza pela transparência e austeridade, sempre baseado na verdade, e faz um desafio à deputada, informando à população todas as verbas que recebe, além de quanto custa aos cofres públicos, mensalmente, seu gabinete e sua equipe.

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