A investigação que derrubou um esquema milionário dentro de uma das maiores empresas do agronegócio em Mato Grosso trouxe à tona a atuação de Welliton Gomes Dantas, funcionário da Bom Futuro desde 2012, preso após confessar ter desviado valores que podem superar R$ 10 milhões.
A seguir, O Livre resume tudo o que se sabe até agora sobre o caso.
Quem é o funcionário preso
Welliton iniciou sua trajetória na Bom Futuro em funções básicas — como servente e garçom — e, gradualmente, passou para o setor de logística, área que lhe deu acesso direto à autorização de serviços de transporte.
Apesar do salário de aproximadamente R$ 6 mil líquidos, mantinha um padrão de vida muito acima da renda declarada.
Como o esquema começou
Em depoimento, ele relatou que a fraude surgiu de uma “revolta pessoal” e passou a ser executada há cerca de dois anos.
Segundo o funcionário, tudo começou quando identificou uma brecha no sistema interno, envolvendo notas de compra que não exigiam a emissão de CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico).
Entenda o método da fraude
Welliton descreveu um esquema simples, porém extremamente lucrativo.
A Bom Futuro emitia notas internas que dispensavam o uso de CT-e.
Com base nelas, a empresa VS Transportes Bovinos, de Vinícius de Moraes Sousa, emitia CT-es falsos simulando fretes inexistentes.
Usando seu acesso ao sistema, Welliton liberava manualmente os pagamentos, que caíam direto nas contas da transportadora.
Os valores eram divididos entre ele e o empresário, que ficava com a maior parte.
O funcionário garantiu que ninguém dentro da Bom Futuro sabia do esquema.
Mais de R$ 10 milhões de prejuízo
A Polícia Civil estima que os desvios já ultrapassam R$ 10 milhões, embora o valor final ainda esteja sendo consolidado.
Somente nesta semana, o setor financeiro identificou novas emissões irregulares que somavam R$ 295 mil, o que levou ao flagrante.
Bens adquiridos com o dinheiro
Com os valores desviados, Welliton acumulou um patrimônio incompatível com o salário.
Ele admitiu ter comprado um Hyundai Creta, um Volvo XC90 2025, dois apartamentos na planta, dois lotes em condomínio e possuir R$ 516 mil investidos na XP.
Alguns bens foram financiados, mas parte das entradas e aportes veio diretamente da fraude.
Na residência dele, a polícia apreendeu carros de luxo, dispositivos eletrônicos, anotações e documentos ligados ao esquema.
Como o esquema foi descoberto
O setor financeiro da Bom Futuro identificou movimentações suspeitas, como pagamentos manuais fora do padrão, CT-es duplicados e lançamentos de valores elevados ligados a transportes que nunca ocorreram.
Ao cruzar as informações, a equipe percebeu que os fretes inexistentes estavam vinculados à empresa de Vinícius.
A direção acionou imediatamente a Delegacia de Estelionatos, que prendeu Welliton durante o expediente.
O empresário envolvido
Após a confissão do funcionário, as investigações apontaram para Vinícius de Moraes Sousa, dono da VS Transportes Bovinos.
Ele foi preso em Barra do Garças, localizado pela Delegacia de Roubos e Furtos.
A polícia afirma que ele era o responsável pela emissão dos CT-es falsificados e pelo recebimento da maior parte do dinheiro.
A divisão dos valores
Welliton declarou que ficava com uma parte menor do lucro, enquanto Vinícius recebia “a maior fatia”.
Os valores eram repassados mensalmente, conforme a movimentação criada pelo esquema.
O que Welliton disse no depoimento
Ele afirmou estar arrependido, disse que a família desconhecia a origem do dinheiro e que a esposa acreditava se tratar de ganhos por intermediações.
Finalizou dizendo que “vai ter que pagar pelo que fez” e que está disposto a arcar com as consequências.
O que acontece agora
A Polícia Civil continua investigando para rastrear bens, mapear toda a movimentação financeira, determinar o valor exato do prejuízo e descobrir se há outros envolvidos.
Os investigadores não descartam novos desdobramentos.




