Veja quanto recebeu cada deputado envolvido em esquema, segundo o MP

Ministério Público ofereceu denúncia contra parlamentares e ex-parlamentares nesta semana

Sete deputados estaduais e um ex-deputado teriam recebido valores desviados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT). O Ministério Público Estadual (MPE), responsável pelas operações Bereré e Bônus, aponta que o montante total desviado do órgão chegou aos R$ 30 milhões.

Os maiores valores teriam sido recebidos pelo deputado Mauro Savi. Além de pagamentos para não agir contra o esquema, o MPE afirma que Savi recebeu R$ 1 milhão em dezembro de 2014 para encerrar o recebimento de valores da EIG Mercados, antiga FDL Serviços de Registro, dona do contrato com o Detran-MT. Pelo menos mais R$ 750 mil teriam sido pagos a Savi e utilizados para financiar sua campanha eleitoral em 2010.

Pelas mãos do atual presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho (DEM), teriam passado R$ 3,1 milhões. Os valores, porém, não seriam todos destinados ao próprio Botelho. Segundo a denúncia, antes de ser deputado ele foi sócio da Santos Treinamentos, entre abril de 2013 e a diplomação em 2014, e teria atuado no repasse dos valores desviados para Mauro Savi.

Os demais teriam recebido valores para que deixassem de denunciar o esquema do Detran-MT em sua função como deputados. A denúncia do MPE narra que a Santos Treinamentos fazia pagamentos a pessoas ligadas diretamente aos deputados, de forma que a participação dos políticos ficasse mascarada.

José Domingos Fraga (PSD) teria recebido R$ 100 mil. Dois pagamentos, de R$ 50 mil cada, teriam sido feitos por Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como Grilo, sócio da empresa Santos Treinamentos. Os valores teriam sido recebidos por Jorge Batista da Graça, assessor de Zé Domingos na Assembleia Legislativa, que teria feito pagamentos a mando do deputado e também repassado dinheiro diretamente a ele.

Ao deputado Baiano Filho (PSDB) teriam sido pagos R$ 35 mil. A suposta propina teria sido paga nos meses de outubro e novembro de 2014 dividida em três parcelas, sendo a primeira de R$ 20 mil, a segunda de R$ 10 mil e uma última de R$ 5 mil. O assessor parlamentar Luiz Otávio Borges de Souza teria recebido os valores em nome do deputado, realizando pagamentos e entregando parte do valor a Baiano Filho.

Em 12 de setembro de 2013, o deputado estadual Romoaldo Júnior (MDB) teria recebido R$ 33 mil. Valdemir Leite da Silva, assessor dele na Assembleia, é apontado como o responsável por receber o dinheiro a mando do deputado. O pagamento teria vindo de Rafael Yamada Torres, sócio da Santos Treinamentos e um dos operadores do esquema.

Já o deputado Wilson Santos (PSDB) teria recebido R$ 12,6 mil para não denunciar a corrupção no Detran-MT. O irmão do parlamentar, Elias Pereira dos Santos Filho, teria sido encarregado de receber os valores pagos por Eduardo Botelho. Quatro pagamentos – R$ 600, R$ 5 mil, R$ 4 mil e R$ 3 mil – teriam sido feitos entre maio e agosto de 2015 a Wilson.

Entre os deputados que continuam exercendo mandatos na Assembleia, Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), foi o que recebeu os menores valores. Teriam sido repassados a ele um total de R$ 6 mil, divididos em dois pagamentos de R$ 1,5 mil e R$ 4,5 mil. Tschales Franciel Tschá, ex-assessor de Nininho, teria recebido os pagamentos de Claudemir Pereira dos Santos.

O ex-deputado João Malheiros (PR) também teria sido pago para não denunciar a corrupção no órgão. Cerca de R$ 60 mil teriam sido repassados ao pai do presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá, Justino Malheiros (PV). Os pagamentos teriam ocorrido da seguinte forma: uma parcela de R$ 7,6 mil em novembro de 2011, outra parcela de R$ 4,1 mil em maio de 2012 e 11 pagamentos totalizando R$ 33,2 mil entre dezembro de 2011 e setembro de 2013. Outros R$ 10 mil teriam sido pagos a João Malheiros em 25 de abril de 2014. Walter Nei Duarte Ramos, que à época era assessor de Malheiros, teria sido o responsável por receber os valores.

Os repasses a diversos participantes do esquema eram, em geral, de valores pequenos. A tática, de acordo com o MPE, teria sido utilizada para evitar que autoridades do sistema financeiros fossem alertadas sobre transferências e cheques descontados.

A denúncia foi oferecida na quarta-feira (16) e é assinada pelo procurador Antonio Sergio Cordeiro Piedade, coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), e também por cinco promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco): Carlos Roberto Zarour Cesar, Cesar Danilo Ribeiro Novaes, Samuel Frungillo, Rodrigo de Araújo Braga Arruda, além do coordenador do grupo, Marcos Bulhões dos Santos.

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