Vaquinha virtual e QR Code: ao conquistar CNH, venezuelano sonha com emprego

Motorista de carga pesada em seu país de origem, ele sonha com uma oportunidade em Mato Grosso

Pedro pede uma foto com a carteira de habilitação na mão: "estou muito feliz" (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Graças aos “amigos de rua”, o venezuelano Pedro Manuel Sanchez conseguiu dar mais um passo em direção ao sonho de dirigir um carro pelas vias da capital brasileira que escolheu como morada. Mas ele ousa desejar um pouquinho mais: quer percorrer estradas conduzindo um caminhão.

Seria uma forma de reconquistar um pouco do que perdeu ao deixar a cidade de Valência, no Estado de Carabobo, em busca de recursos para ajudar boa parte da família, que permanece na Venezuela.

“É um sonho ter um emprego de motorista no Brasil. Todas as vagas disponíveis exigem muitos anos de experiência neste país e isso reduz minhas chances. Queria só ter a oportunidade de mostrar que sou capaz”. Nos últimos oito anos ele dirigia caminhões com carga pesada, como mármore e granito, transportando até 12 toneladas.

Foram alguns desses amigos que vêm conquistando diariamente ao permanecer  no semáforo ao lado do Parque Massairo Okamura que criaram uma campanha virtual de arrecadação para transferir a carteira da categoria E da Venezuela para o Brasil. “Já me sinto muito feliz só por carrega-la. Agora, só vivo sonhando com o dia que vão me dar um emprego e eu vou poder enfim, dirigir. Esse era o meu trabalho”.

Vaquinha virtual e QR Code

Foi o casal Wesley e Rafaela Gomes, que idealizaram a campanha na internet. Para divulgar a ação recorreram a fotocópias que continham QR Code que direcionava para o endereço da vaquinha virtual.

“Eu nem tenho como olhar isso, eles é que cuidaram de tudo para mim. Eu ia entregando os panfletos e foi assim que muita gente me ajudou com dinheiro em mãos”. Ao conseguir o valor total, que era de R$ 800,00 – e um pouquinho mais – fez todos os exames: psicotécnico, prático, toxicológico e até de vista.

“Foi assim que descobri que também precisava de óculos. E aí, veio mais ajuda. Eu agradeço também à Manuela, outra amiga que me ajudou com as orientações para emitir a carteira, antes de tudo. Enfim, devo minha carteira de habilitação e só permaneço vivo graças aos amigos que passam de moto, de carro, de caminhão, de ônibus e a pé”, sorri.

Sem a ajuda, dificilmente conseguiria dar mais este passo. “Eu consigo em média R$ 900,00 e pelo menos R$ 100,00 vai para minha família na Venezuela. Com esse valor, eles conseguem comida por uma semana. O que resta, vai para o aluguel, energia, luz e alimentação. Eu nunca teria conseguido. Eu devo tudo ao povo cuiabano”.

Venda de produtos

Muita gente o conhece do “trânsito”; é a partir desse ponto que recebe ajuda de todo o tipo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

E claro, ainda é preciso sobrar um pequeno valor para comprar chicletes e balas para oferecer aos motoristas que passam pelo semáforo da Avenida Djalma Ferreira de Souza, especialmente, em direção ao Centro Político Administrativo.

“E aí vem mais ajuda. Porque nos dias mais quentes me ajuda muito se eu tiver água para vender. Quando eu não tenho, recebo doação de pequenos fardos”. Por lá, permanece sempre de segunda-feira a sábado, das 5h40 às 9h. “Depois, dou lugar a outros irmãos venezuelanos que precisam tanto quanto eu”.

Se você puder ajudá-lo, entre em contato pelo 99616-2358.

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