Vacinados e parados: alunos de Medicina da UFMT podem ficar sem aulas práticas

Suspensão de atividades práticas vai ser votada na próxima segunda-feira (26) por conselho da instituição; acadêmicos protestam

Imagem Ilustrativa (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Os acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) temem ficar sem as atividades práticas presenciais previstas no currículo em função da pandemia. Um pedido para que haja a suspensão dessas aulas deve ser votado, segundo os alunos, na próxima semana.

Os estudantes entendem que a possível paralisação é um prejuízo maior ainda na formação, tendo em vista que as atividades – como estágio – foram retomadas há cerca de 20 dias.

O retorno é fruto de meses de discussão e havia sido planejado entre alunos e professores da faculdade. A decisão também foi aprovada e autorizada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, o Consepe.

Agora, porém, um dos professores que representa os acadêmicos no órgão solicitou a suspensão das atividades, argumentando a exposição ao contágio pelo novo coronavírus.

“Não nos sentimos representados pelo professor, portanto, traídos enquanto acadêmicos da faculdade pelo exercício indevido do docente em sua representação”, afirmam os estudantes, em ofício à UFMT.

O recurso, com o pedido de suspensão das aulas, será votado na próxima segunda-feira (26).

Para além da formação

Segundo os alunos, para além do prejuízo na formação, a perda é para a comunidade, uma vez que eles deixam de atender pacientes em unidades como as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) e o Hospital Universitário Júlio Muller.

“Além disso, por causa das atividades práticas, fomos vacinados como profissionais da saúde. Se nossas práticas ficarem suspensas, é como se estivéssemos furando fila. Queremos continuar nossas atividades e ajudando”, afirma Luciano Souza Longhi,
representante do Acadêmico do curso.

Aproximadamente 300 acadêmicos do 1º ao 8º semestre podem ser afetados, caso o recurso seja aprovado. Nos próximos 30 dias, todos devem estar com a imunização completa.

O que diz a UFMT?

Em nota, a UFMT informou que o Consepe flexibilizou os processos de ensino/aprendizagem e que cabe a cada curso aprovar e autorizar a realização das práticas.

“Segundo a resolução 87 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), de 17 de dezembro de 2020, que regulamenta a flexibilização dos processos de ensino/aprendizagem, cabe às unidades colegiadas de cada curso aprovar e autorizar sua realização, observando, além da própria resolução, as diretrizes do Comitê da UFMT de Prevenção e Combate a Covid-19 e os indicativos dos órgãos de saúde. O mesmo documento reitera que os casos omissos serão resolvidos pelo Colegiado de Curso e que cabe recurso à Congregação do curso e, posteriormente, ao próprio Conselho. O assunto em discussão não faz parte da pauta da próxima reunião do Consepe agendada para segunda-feira, dia 26 de julho”.

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