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Vacina e Liberdade individual

Até onde a ansiedade nos cega às imposições dos outros?

Indiscutível dizer que a Covid-19 tem sido um tema sempre presente nas conversas das pessoas nos últimos 2 anos. Vai chegar no país, não vai chegar.

“É uma gripe” xÉ muito grave”. “Tratamento precoce” x “Não tem tratamento”. “Vacinar” x “Não vacinar”. A polarização no Brasil, que politicamente se escancarou em 2018, tomou proporções globais. Certo e errado nunca foram tão bem definidos. O medo e a hipocrisia foram os grandes vencedores nestas discussões todas.

A Covid-19, sigla para Coronavirus Disease from 2019, é a doença causada pela infecção pelo coronavírus humano, inicialmente descoberta no mês de novembro de 2019 em Wuhan na China.

Seus sintomas são variados, podendo ser resumidos em uma síndrome gripal, o que inclui febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, espirros, coriza, dor no corpo, dor nas articulações e falta de ar, com alguns sintomas mais clássicos, mas não específicos, como perda do olfato e paladar.

Altamente contagiosa, transmitida pelo contato de gotículas de saliva contaminadas com a mucosa oral ou nasal, rapidamente foi transmitida para vários países, tomando proporções pandêmicas.

Apesar de não parecer, é uma doença de gravidade e mortalidade baixa. Quase 80% dos infectados demonstram sintomas leves ou imperceptíveis, sendo que a maioria nem sequer procura atendimento médico.

Em média, pois a proporção depende muito das condições do sistema de saúde do local, a taxa de mortalidade não passa de 3%. Ou seja, para cada 100 pessoas infectadas, apenas 3 evoluem para óbito. O grande problema não é a sua gravidade, é o contágio. Ora… 3% de muito, é muito.

Mas o que leva alguém ter uma forma grave?

Primeiro precisamos entender como o nosso corpo atua no combate às infecções. As nossas células de defesa vão até o local infectado e “comem” os organismos que não deveriam estar ali presentes, seja vírus, bactérias ou outros germes, processo chamado de fagocitose.

Assim, as células podem ou matar aquele organismo ou ativam um “modo kamikaze”, causando a própria morte de si e levando consigo o germe que foi “engolido”. Isso requer a ativação de substâncias inflamatórias, entre elas as citocinas, para a melhor função e ativação das nossas células de defesa, seja melhorando o aporte energético, o que pode causar a febre, seja melhorando a circulação, o que causa a vermelhidão ou o inchaço das feridas.

O coronavírus se multiplica com rapidez e facilidade e na tentativa de tentar interromper este processo, as células ativam uma cascata de citocinas, causando uma inflamação intensa tanto no local, quanto sistêmica.

O problema está exatamente nesta resposta exagerada, pois o que está inflamado, não funciona corretamente. Uma ferida no braço inflamada, se você não mexer nela por alguns dias, se cura. Mas como ficar alguns dias sem o pulmão?

Sem contar do aumento do trabalho que o corpo por inteiro apresenta. O coração acelera pela inflamação para dar mais energia às células. O rim filtra mais para expulsar o conteúdo inflamatório.

Voltando a pergunta feita… O que leva alguém ter uma forma grave?

A resposta inflamatória intensa e inadequada, somado a um organismo já previamente debilitado ou deficitário. Por isso temos os chamados fatores de risco para o desenvolvimento de complicações.

Idade avançada, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, doenças autoimunes, doenças renais, entre outras. É claro que vão ter casos graves em pessoas sem fatores de risco previamente diagnosticados. Mas a proporção é ínfima, para não dizer nula.

O tratamento consiste exatamente na tentativa de diminuir a intensidade desta inflamação e quando ocorrem complicações o manejo destas.

Covid-19 é causada por vírus. Antibiótico não vai ajudar, a não ser que tenha uma infecção bacteriana clara. Ivermectina não se provou mais eficiente do que a própria evolução natural da doença, nem para prevenção de complicações.

Hidroxicloroquina não mostrou auxílio em nenhuma fase da doença. A única classe medicamentosa que se mostrou eficiente foram os corticoides, um tipo de anti-inflamatório que o próprio corpo produz, mas sendo mais eficaz em quadros moderados e graves, não fazendo diferença estatísticas em quadros leves.

O conceito para uma vacina é de ser benéfica na prevenção da infecção, que possa diminuir o risco de complicações e comorbidades relacionadas àquela infecção, com o seu custo de fabricação, manutenção e disposição sendo menor do que o gasto para o tratamento daquela doença.

A vacina contra a Covid-19 chegou em tempo recorde. Funciona imitando o vírus para que o corpo possa criar uma defesa mais eficaz previamente. Mas foi liberada antes mesmo de estudos mais completos, complexos e corretos.

Muitas foram liberadas, inclusive, antes do término dos estudos iniciais. Envoltos de muita polêmica e de muito interesse.

Saúde, apesar de tudo, é um negócio lucrativo em tempos de crise.

Com o tempo, provou-se eficaz na diminuição da ocorrência de quadros graves, mas tem trazido complicações graves a médio prazo ainda sem uma investigação completa realizada.

Uma pergunta que fica sempre… funciona apenas nas células de defesa ou no corpo inteiro?

O medo e a hipocrisia foram os grandes vencedores nesta pandemia.

O medo de morrer, de perder os amigos e parentes, de ter sequelas fez as pessoas ficarem cegas às críticas. Nada mais é criticável, tudo é crível, ninguém pode ficar incomodado. A ansiedade em querer provar aos outros ser o detentor da verdade, transformou as pessoas em Reis de Nada.

Todos querem a razão, mas criticam exatamente aqueles que ainda sabem duvidar e perguntar.

É só uma gripe ou é grave? Depende de cada um. Tratamento precoce? Depende de cada um. Vacinar? Depende de cada um.

Ninguém deve ser obrigado a nada apenas para satisfazer a vontade de outros.

Enquanto não houver dados indiscutíveis, sem viés político-financeiro, em bom número, com boa base, tudo não passa de teste de laboratório. Cabe a você decidir por seguir o teste ou esperar o resultado. Ninguém deveria ser obrigado.

 

Dr. Lucas Loureiro é médico, CRM.MT – 7866, responsável Técnico da CAMPI e atua na área de Saúde Mental há mais de 3 anos. O seu instagram é @dr.lucasloureiro

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