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Uso de cloroquina está restrito a casos graves em Mato Grosso

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Reinaldo Fernandes

O uso da cloroquina no tratamento da covid-19 está restrito a um número reduzido de pacientes em Mato Grosso. A incerteza sobre a eficiência do medicamento e alegados efeitos colaterais que ele provoca no paciente estão freando a indicação médica ao hoje famoso remédio. 

Mesmo assim, houve aumento de pedidos para prescrição médica de pessoas diagnosticadas com a covid-19 após a fala do presidente Jair Bolsonaro na semana passada, de que a cloroquina tem alta eficácia. 

A médica infectologista responsável pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, Zamara Brandão Ribeiro, diz que apenas 3% dos pacientes internados receberam prescrição para tomar a cloroquina. 

São pessoas que apresentaram quadro de moderado a grave da covid-19 e tiveram a indicação do uso logo que o diagnóstico foi confirmado. 

É um número pequeno retirado de 20 pacientes com esse nível de infecção. O hospital já realizou 100 testes para a covid-19. 

“Houve melhora dos pacientes, o quadro da doença regrediu com o tratamento sendo feito conforme orientação do Ministério Público”, disse. 

Mas não há certeza se a melhora do paciente está relacionada diretamente aos efeitos da cloroquina. A infectologista diz que a cloroquina é apenas um dos medicamentos que vêm sendo aplicado aos pacientes no tratamento da infecção. 

“O paciente toma antibióticos e outros remédios para trabalhar os sintomas que a doença provoca. Então, não dá para saber ainda se a cloroquina sozinha é realmente eficiente”. 

Estudos inconclusivos 

A médica afirma que os estudos científicos realizados até o momento sobre o uso da cloroquina têm “resultados fracos” para embasar o tratamento da covid-19.  

Não há, por exemplo, o grupo de controle que permite acompanhar a ação do medicamento no organismo. 

“Não é possível dizer ainda se a cloroquina realmente é eficiente no tratamento da covid-19. Não houve ainda separação de grupo de controle para avaliar os pacientes em uso da cloroquina e os que estão usando outro medicamento”, explica. 

A mesma preocupação é apresentada pelo Hospital São Luiz de Cáceres (220 km de Cuiabá). A direção do hospital afirma que a eficácia da cloroquina ainda está em análise pelos órgãos de saúde empenhados na busca de tratamento da covid-19. 

O hospital segue as diretrizes para diagnóstico e tratamento da covid-19, do Ministério da Saúde, o qual traz orientações para o uso de medicamento cloroquina como opção para quadros graves da doença. Contudo, o seu uso deve se restringir aos casos confirmados, sendo realizado conforme a orientação médica e em conjunto com outras medidas de suporte”, respondeu a direção do hospital, em nota. 

O São Luiz tratou de um paciente que acabou morrendo pela covid-19 na semana passada.

Quadro de pacientes 

Conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES), até esse domingo (12) havia sete pacientes internados em Mato Grosso, em hospitais públicos ou privados. Quatro estavam em enfermaria e três em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). 

Mas a secretaria não acompanha o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. O medicamento é fornecido pelo Estado também para uso em tratamento de outras doenças e no rastreio exclusivo para os casos de contágio pelo novo coronavírus. 

(Foto: Imagem Ilustrativa) Cloroquina passou a ter restrição de venda após corrida de busca gerada por anúncio de testes nos Estados Unidos para tratamento da covid-19

“A mensuração desse dado não será fidedigna, visto que a SES não monitora o uso da cloroquina apenas nos casos de covid-19 – e também não tem acesso aos dados de hospitais privados e filantrópicos”, disse a secretaria. 

Os oito hospitais administrados pelo Governo do Estado, contudo, estão liberados a medicar pacientes da covid-19 com a cloroquina. E os demais hospitais, incluindo os particulares, podem seguir as orientações do Ministério da Saúde. 

O Ministério cita na nota recomendatória que os efeitos colaterais que a cloroquina pode causar incluem lesão na retina, arritmia cardíaca e outros distúrbios cardiovasculares. 

Mato Grosso recebeu 3 mil doses da cloroquina que, segundo a Secretaria de Saúde, estão à disposição de médicos para receitação aos pacientes. 

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