Unindo rap e maracatu, Pacha Ana lança clipe de Omo Oyá, single de seu primeiro disco

Religiosidade afro-brasileira e atitude feminina embalam o novo projeto da cuiabana Ana Gabriela Santana Corrêa, mais conhecida como Pacha Ana – rapper, cantora e poeta de musicalidade marcada pela mistura de ritmos e composições carregadas de críticas sociais e vivências na cena (predominantemente masculina) do hip-hop. “Tem rap com maracatu e muito atabaque para trazer a ancestralidade do meu povo”, revela.

Trata-se de seu primeiro disco, Omo Oyá, que, no idioma Yorubá, significa “Filha de Iansã”, uma homenagem a seu orixá – seu “santo de cabeça”, como é chamado em sua religião, o Candomblé. O trabalho será lançado em eventos culturais nos dias 31 de agosto, no bairro Jardim Vitória, e 01 de setembro, no bairro Pedra 90.

Mas uma amostra acaba de ser divulgada no clipe do single que carrega o nome do disco, lançado nesta segunda-feira (06). A canção é um canto afirmativo e um resgate à identidade das religiões de matriz africana. Soma-se a ele, uma narrativa audiovisual que trata de experiências da MC na cena atual do hip-hop, partindo de uma relação abusiva em ambiente de trabalho. De acordo com suas vivências, fato recorrente às artistas do segmento que reflete sobre as dificuldades de ser mulher em um espaço predominante masculino.

O clipe de baixo orçamento foi produzido em Jaciara (MT), próximo às margens do Rio Tenente Amaral, recentemente vítima de desastre industrial. A direção é de Indriya, Cérberos Filmes, com a colaboração do coletivo audiovisual Rio Vermelho, de Rondonópolis (MT).

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Omo Oyá, o disco

Projeto contemplado por edital municipal de Cultura, Omo Oyá foi gravado na primeira quinzena de junho no município de Jaciara, marcando não só a produção independente do rap em Mato Grosso, mas uma nova fase da trajetória musical e religiosa de Pacha que passou por recente imersão de iniciação no Candomblé.

Pacha Ana em Omo Oyá

“Eu já frequento o terreiro desde os 15 anos e no meio do processo do disco, recebi um chamado muito forte. Minha mãe de santo dizia que era o Santo me chamando para me entregar a ele e resolvi aceitar. Já vejo muita gente falando sobre a religião sem viver ela, eu não queria ser mais uma”, conta.

O disco, produzido por Eazy CDA e pela Xeque Mate(BH), conta com a colaboração de amigos e participações de Ahgave, Kessidy, Knk, Karola Nunes e Andrew Fya.

Os instrumentais são do Dj Taba, as percussões de Eduardo Botelho e o baixo de Paulinho Nascimento. Integram também os músicos Artur Miranda, Augusto Krebs, Vibox, Black Box Beatz, Costak e Ahgave.

Pacha Ana, durante a gravação de “Ócios do Ofício”, clipe produzido por Don Pablo, de Belo Horizonte (MG)

Pachana: do rap, ao maracatu e poesia marginal

Ativa na cena hip-hop em Cuiabá, Ana Gabriela dá a letra em diversos segmentos da cultura mato-grossense, figura feminina protagonista em movimentações culturais e sociais. Além de vocalista do grupo de Maracatu Buriti Nagô, Pacha é uma das idealizadoras da Batalha das Minas, batalha de rima que reúne as MC’s mulheres às quartas-feiras, a cada 15 dias, na Praça Bispo.

Na literatura falada, a multiartista é agitadora das batalhas de poesia do movimento Slam do Capim Xeroso, encontros mensais na Praça da Mandioca, pelo qual foi semifinalista do Slam BR, campeonato de poesia realizado em São Paulo (SP), carregando o nome de Cuiabá e Mato Grosso. Feminismo e negritude nortearam sua participação com poemas como “Para cada preto na diáspora” e “Corpos pretos negligenciados” que a emocionou na praça de eventos do Sesc Pinheiros.

Pacha Ana durante apresentação no Slam BR 2017

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