Umidade baixa: saiba porque as pessoas dão choque e os pneus cantam

O LIVRE procurou uma professora de física para entender esses fenômenos

Você já tomou um choque ao encostar em uma pessoa ou em um objeto? Notou que os pneus do seu carro estão “cantando” mesmo não estando carecas?

Esses fenômenos acontecem com muito mais frequência em tempos de baixa umidade do ar e a professora de Física, Iramaia Jorge, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), explica.

Quando a umidade do ar está muito baixa, ela faz com que todas as superfícies fiquem “energizadas”, o que inclui o nosso próprio corpo. Segundo Iramaia, esse acúmulo de energia é normal e acontece quando nos movimentamos, por conta do atrito do corpo com o ar.

O ar seco, entretanto, é um ótimo isolante, por esse motivo, impede que essa energia acumulada escoe. A água suspensa na atmosfera – quando o clima está mais úmido – é que absorve os elétrons que “nascem” desse atrito.

“Por isso, quando tocamos em uma superfície, essas cargas tendem a escoar do nosso corpo. É aí que sentimos o ‘tal do choque’. É o que chamamos de eletricidade estática”, explica a professora.

As descargas elétricas não são suficientes para causar danos, mas assustam os desavisados.

Iramaia ainda pontua que os choques acontecem devido o “poder das pontas”. É que os elétrons tendem a se acumular nas pontas do corpo. E a barba, o cabelo e pelos sãos os locais “preferidos”. Então, quem é mais cabeludo tem mais propensão a sofrer desse mal.

Também por esse motivo, tocar o dedo indicador na máquina que imprime o tíquete do estacionamento, por exemplo, é uma oportunidade e tanto para tomar um choque.

Agora que você já sabe, talvez esteja se perguntando: “como faço para parar de tomar choques?”. É só seguir o conselho da vovó: basta andar descalço. Assim, a energia que estiver no seu corpo será transferida para o solo.

E os pneus?

Mas, e por que os pneus cantam quando a umidade do ar está baixa?

Primeiro, é preciso saber que isso pode não ter nada a ver com o clima. O carro pode mesmo estar desbalanceado.

Se não for esse o caso, a Física explica: a força centrífuga está sendo maior que a força de atrito, ou seja, a força empregada durante a curva está superando a força do atrito dos pneus contra o chão.

De acordo com a professora Iramaia, na verdade, os pneus sempre cantam quando o carro está fazendo uma curva. Contudo, nós só ouvimos quando a umidade relativa do ar está baixa.

É que as moléculas de água – além de absorver os elétrons que você acumula ao andar –  abafam o som, nos impedindo de ouvir a “serenata” dos pneus.

Os sulcos – aqueles cortes que os pneus possuem -, aliás, servem justamente para a água escoa estre eles, aumentando a aderência na pista.

3 COMENTÁRIOS

  1. Acredito que a prof. Iramaia tenha se enganado sobre a razão dos pneus cantarem com baixa umidade relativa.
    O que muito provavelmente ocorre é que as moléculas de água funcionam como uma fina de camada lubrificante sobre a borracha, diminuindo a ressonância.
    Funciona da seguinte forma. Todo material orgânico possui arestas com cargas negativas. Essa superfície negativa atrai moléculas do vapor d’água presente no ar, devido à polaridade da H2O: é a chamada “água de hidratação”. Quanto maior a umidade relativa do ar, mais “hidratada” será a superfície.
    Os pneus cantam devido à ressonância, pelo fato de a borracha grudar e desgrudar do asfalto repetidas vezes em milésimos de segundo, da mesma forma que apitos e instrumentos musicais de sopro ressoam com a passagem forçada do ar. Se o material vibrar numa frequência acima de 20hz, torna-se audível, pois a ressonância do material faz o ar vibrar junto, o que produz som.
    Quando a umidade do ar está alta, a água de hidratação formará uma camada com efeito lubrificante diminuindo o “grip” dos pneus e, consequentemente, o efeito de ressonância.

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