|terça, 22 maio 2018

    Um novo capítulo para as mulheres

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    Todos os que acompanham a indústria do entretenimento nos EUA sabem que uma campanha tomou conta das redes sociais nos últimos tempos: #MeToo. A última demonstração do movimento aconteceu na entrega do Globo de Ouro, no domingo (7), uma das premiações mais importantes da tevê americana.

    No evento, que aconteceu em Los Angeles (Califórnia), as atrizes mais famosas de Hollywood vestiram preto em uma demonstração de apoio à causa. Além do #MeToo, as estrelas apoiavam outra iniciativa: Time´s Up, que ajuda vítimas de abuso que não têm condições financeiras para enfrentar uma disputa jurídica, a fim de punir seus agressores.

    A apresentadora Oprah Winfrey, vítima de abuso sexual na infância, fez um discurso emocionante sobre a coragem das mulheres que decidiram se manifestar. “Quero que todas as meninas assistindo saibam que um novo dia está no horizonte”, apostou Oprah.

    Não demorou para aparecerem críticas, inclusive de mulheres. A atriz francesa Catherine Deneuve escreveu que a manifestação está ligada a um “novo tipo de puritanismo” e “ódio aos homens e à sexualidade”. Segundo Deneuve, o #MeToo ganhou proporções exageradas. A jornalista Danuza Leão também alfinetou as atrizes: “Acho que aquelas mulheres foram pouco paqueradas e voltaram sozinhas para casa”.

    Mas, afinal, o que é o #MeToo?

    O movimento começou para denunciar Harvey Weinstein, um dos produtores cinematográficos mais importantes de Hollywood, que cometeu crimes sexuais contra dezenas de atrizes, como Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Salma Hayek. Entre seus crimes estão estupro, abuso e assédio.

    Só que a história não parou em Weinstein.

    Em 15 de outubro de 2017, a atriz Alissa Milano convocou todas as mulheres que já foram vítimas de violência sexual a usar #MeToo em seus status para “as pessoas se conscientizarem da magnitude do problema”. A hashtag viralizou e foi adotada por milhões de pessoas em 85 países.

    A campanha expandiu e passou a convocar não só mulheres, mas também homens que sofreram algum tipo de violência sexual. Tudo isso com a finalidade de acabar com o assédio e o abuso sexual no ambiente de trabalho, nas escolas e até dentro de casa. As idealizadoras lutam por leis para proteger as vítimas, pela punição dos predadores e pelo fim do ciclo da violência sexual.

    Não há dúvida de que um novo capítulo está sendo escrito na história das mulheres. Claro que haverá incômodo. Catherine Deneuve e Danuza Leão são de uma geração que nunca questionou o assédio. Talvez até sofreram em algum momento, mas nunca pensaram fundo no assunto. Talvez façam parte de uma era de mulheres machistas. O fato é que os tempos são outros. Não dá para viver com medo de ser assediada no ônibus, no trabalho ou em casa. Não dá para nos calarmos quando ainda há tantas vítimas de violência sexual. Assédio é crime. Abuso é crime. Estupro é crime. Tanto vindo de um homem quanto de uma mulher, de um homossexual ou um heterossexual, de um branco ou um negro. Que pena que alguns confundam crimes com romance. Não dá para ser mais evidente: um é consentido, os outros não são.

    Assinatura Debora Nunes

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