Um desafio chamado estacionar: a solução seria a volta da Faixa Verde em Cuiabá?

A previsão é de funcionamento só no próximo semestre, mas o preço da hora já está estimado: R$ 2,50 para carros e R$ 1,50 para motos

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Quase 15 minutos. Esse foi o tempo que a reportagem do LIVRE levou na tentativa de encontrar uma vaga para estacionar na região central de Cuiabá. A ideia era ir às ruas para ouvir lojistas, clientes e trabalhadores surgiu nesta terça-feira (3). O assunto? A “Faixa Verde”, que deve ser reimplantada na Capital.

O sistema de estacionamento rotativo determina o pagamento pelo tempo de uso das vagas de estacionamento na rua, onde o meio-fio estiver devidamente pintado com a cor verde.

A Faixa Verde já vigorou em Cuiabá, mas foi suspensa em 2012. Agora, uma nova licitação para a reimplantação do sistema foi feita, depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitou alterações.

Entre as mudanças que estão previstas está o tempo de concessão do serviço à empresa que vai administrá-lo, reduzido de 20 para 10 anos.

Estacionar: um desafio diário

A ideia da Prefeitura é atrair a população para o Centro Histórico e movimentar o comércio local.

Rute Cristina, 28 anos, trabalha em uma farmácia de manipulação na Rua Pedro Celestino. Para atrair a clientela, a empresa oferece estacionamento grátis para as compras a partir de R$ 40. “É difícil achar vaga”, ela alerta.

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Para chegar até o trabalho, Rute alterna entre a carona com o marido e pilotar uma motocicleta. O veículo – quando utilizado – fica estacionado perto da empresa, por questões de segurança.

Com a implantação da Faixa Verde, ela precisará pagar R$ 1,50 por hora. E antes mesmo de a regra começar a valer, a aposentadoria da moto já foi cogitada.

“Vou preferir vir de ônibus. A gente já paga muita coisa”, argumenta.

Estacionamento privado

No nosso caso, passado o tempo em busca pela vaga, a opção foi estacionar em um local privado. O custo foi de R$ 3, mas na região o preço pode chegar até R$ 8, conforme o tamanho do veículo.

Greverson Márcio de Moraes, 44 anos, foi quem nos recepcionou. Ele arrenda o pátio de uma casa na Rua Comandante Costa para garantir o sustento.

O aluguel da área é de R$ 1,5 mil por mês. A renda bruta, por outro lado, gira em torno de R$ 2,5 mil, segundo ele.

Greverson Márcio trabalha em um estacionamento privado e já teme uma redução na clientela (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Os clientes são pessoas que fazem compras pela região e funcionários das inúmeras lojas ao redor. Esses, aliás, têm a opção de pagar R$ 130 por mês para sempre ter uma vaga garantida.

“A pessoa que trabalha prefere deixar aqui, porque é mais seguro e acaba compensando”, ele explica.

E o retorno do sistema da Faixa Verde, na avaliação de Greverson, pode tirar a clientela dele. O pátio coberto funciona de segunda-feira a sábado das 7h às 18h.

Maria Helena não pretende abrir mão do estacionamento privado e o motivo é a segurança (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A corretora Maria Helena faz parte da clientela dos estacionamentos privados. Ela voltava para buscar o carro quando encontrou a equipe do LIVRE. Contou que pretende deixar o veículo no estacionamento, mesmo com a reimplantação da Faixa Verde.

“Deixo objetos pessoais dentro do carro, então, prefiro pagar pelo estacionamento do que deixar na rua”, disse.

A opinião da corretora é que o sistema é apenas uma forma de o governo municipal arrecadar mais dinheiro.

Vagas acabam cedo

Rafaela é vendedora em uma loja na Avenida Cândido Mariano, a Rua das Óticas. Ela deixa moto estacionada na frente ao local de trabalho e conta que, às 6h da manhã, a rua já está lotada. Quem chega depois, sofre para encontrar uma vaga.

Camila Moreira, 22 anos, também trabalha pela redondeza. Ela não possui veículo próprio, usa o transporte coletivo, mas conta já ter visto algumas confusões por um pouquinho de espaço.

Na “Rua das Óticas”, no centro de Cuiabá, para achar uma vaga é preciso madrugar. Literalmente! (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Tem sempre um ‘flanelinha’ que afasta as motos dos outros para conseguir vaga para os clientes dele. Isso já deu problema por aqui”, lembra.

Para ela, porém, o sistema da Faixa Verde tende a ser bom. “Você vai ter uma noção de onde deixou o carro e, se acontecer alguma coisa, o motorista tem a quem recorrer”, acredita.

Ainda não há previsão para o início do funcionamento do sistema. A estimativa da Prefeitura é que a licitação seja feita ainda no primeiro semestre deste ano e que a empresa vencedora faça os estudos para implantação a partir de junho.

De início, serão oferecidas 1,5 mil vagas. O número, segundo a Prefeitura, pode chegar a 3,5 mil. E parte das vagas será reservada para idoso e pessoas com deficiência. Viaturas policiais terão isenção.

O valor da hora para o carro deve ser, em média, R$ 2,50. Para motos, R$ 1,50. O sistema funcionará de segunda à sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados, das 7h às 13h. Nos domingos e feriados não haverá cobrança.

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