Estou escrevendo um livro sobre um diálogo hipotético com o filósofo Arthur Schopenhauer, um dos maiores filósofos de todos os tempos e como ele veria os tempos atuais, numa releitura de sua obra.
Não será uma obra no estilo de Irvin D. Yalom, em seu livro A Cura de Schopenhauer.
SCHOPENHAUER É UM GÊNIO, GOETHE.
O grande poeta Goethe, que escreveu a obra Fausto, conheceu Schopenhauer aos 19 anos e disse a sua mãe que ele era um gênio.
Johann Wolfgang von Goethe e Arthur Schopenhauer se conheceram em Weimar, em 1813, Alemanha.
O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO
“O mundo é a minha representação”: com essas palavras o grande filósofo abre a sua grande obra publicada em 1819, composta por 4 livros, com segunda edição em 1833, que traça uma série de considerações sobre a condição humana.
O mundo com vontade e representação está entre as principais obras já escrita na história da humanidade.
EDIÇÃO BRASILEIRA
Para quem não quer beber na fonte original, recomendo a edição do livro feito pela Editora Contraponto com apresentação de Marco Lucchesi, que também colaborou com a tradução, que é uma edição condensada dos 4 livros, que compõe a obra original.
Embora ele tenha vivido no século XIX, seu pensamento continua influente e relevante em diversas áreas, como filosofia, psicologia e até na cultura pop. Vejamos alguns pontos que mostram como as ideias dele ainda são relevantes e discutidas até hoje:
A INFLUÊNCIA SOBRE NIETZSCHE.
Para Nietzsche esse é o grande feito de Schopenhauer, identificar o grande vazio, a falta de sentido nas concepções filosóficas dominantes (de Hegel e Kant), e apontar a angústia gerada pelo nada. Contra o vazio, Nietzsche defendeu valores afirmativos da vida.
Nietzsche leu “O mundo como vontade e como representação”, de Schopenhauer e passou a se dedicar a filosofia a partir daí. Depois veio a romper com os pensamentos de Schopenhauer.
INFLUÊNCIA NA PSICOLOGIA E NO EXISTENCIALISMO.
Schopenhauer antecipou muitas ideias existencialistas sobre o sofrimento humano e a busca por sentido. Autores como Nietzsche, Freud e Camus foram influenciados por ele.
Na psicologia, sua visão do “desejo como fonte de sofrimento” pode ser relacionada à teoria psicanalítica de Freud e até ao conceito budista de apego.
Ele teve contato com a cultura oriental principalmente através de traduções de textos hindus e budistas que chegaram à Europa no final do século XVIII e início do século XIX.
ATUALIDADE DO PESSIMISMO
Em tempos de crises globais (como mudanças climáticas, guerras, desigualdade e ansiedade social), sua visão pessimista do mundo, baseada na ideia de que a vontade cega governa tudo e gera dor, tem ressoado bastante.
Muitos pensadores contemporâneos debatem se sua perspectiva é realista ou se devemos buscar alternativas mais otimistas.
RELAÇÃO COM O BUDISMO E O ESTOICISMO
O pensamento de Schopenhauer tem semelhanças com o budismo, principalmente na ideia de que o sofrimento vem do desejo e a libertação pode ser alcançada pela renúncia.
Além disso, suas ideias sobre aceitação da realidade se aproximam do estoicismo, que está em alta hoje, especialmente entre empreendedores e pessoas interessadas em desenvolvimento pessoal.
Grandes pensadores do estoicismo incluem Zenão de Cítio, Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, que aplicavam essa filosofia no cotidiano, buscando serenidade mesmo diante de adversidades.
ESTÉTICA E CULTURA POP
Sua teoria sobre a arte como uma forma de escapar do sofrimento ainda é muito influente.
Músicos, cineastas e escritores usam conceitos schopenhauerianos para falar sobre desespero, ilusão e transcendência pela arte.
ÉTICA E EMPATIA
Ele defendeu uma ética baseada na compaixão, algo que se alinha a discussões modernas sobre direitos dos animais e a necessidade de uma sociedade mais empática.
POESIA.
É um dos filósofos que mais influenciaram a obra dos poetas brasileiros Antônio Cícero e o poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo, entre outros.
Augusto dos Anjos e Schopenhauer têm uma forte conexão filosófica, mesmo que o poeta brasileiro nunca tenha citado explicitamente o filósofo alemão. Ambos compartilham uma visão pessimista da existência, marcada pelo sofrimento, decadência e inevitabilidade da morte.
Eis uma poesia de Antônio Cícero, recém falecido por eutanásia, inspirada no filósofo:
“O Fim da Vida
Conheci da humana lida
a sorte:
o único fim da vida
é a morte
e não há, depois da morte,
mais nada.
Eis o que torna esta vida
sagrada:
ela é tudo e o resto, nada.”
Se o fim da vida é o nada, eis o mistério a nos desafiar. Contudo, tenho certeza que a vida é sagrada e deve ser plena.
Recife, 11/02/2025.
Antônio Campos é advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras, Curador da Fliporto – Festa Literária Internacional de Pernambuco, membro da Associação Brasileira de Imprensa – ABI e ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco




