UFMT concede título de Doutora Honoris Causa a Dona Domingas

Os esforços de Dona Domingas colaboraram para a preservação da cultura tradicional cuiabana

Dona Domingas é uma incansável militante pela valorização da cultura tradicional cuiabana (Ednilson Aguiar/O Livre)

Mais um feito de Domingas Leonor, a “Dona Domingas”. A trajetória ascendente, repleta de conquistas, atinge um ponto elevado. Na manhã desta quarta-feira (13), o Conselho Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso reuniu-se para votação que decidiu pela concessão de sua mais alta honraria à incansável militante da cultura tradicional cuiabana.

O relator do processo, o pró-reitor de Cultura, Esporte e Vivência, Fernando Tadeu, diz que a sugestão foi dada pela reitora Myriam Serra e, de pronto, acatada e celebrada. “Havia uma preocupação de escolher esse nome que representaria a cultura à ocasião da abertura das festividade dos 50 anos da Universidade Federal de Mato Grosso”, conta.

Dona Domingas diz que teve receio de ir à reunião. Os netos Avinner, Jefferson e Ananda foram até lá. “Eu disse: vou ficar esperando vocês aqui em casa com a resposta”, conta. “E quando eles chegaram pela porta Avinner já estava com o olho cheio dágua. Perguntei se era por felicidade e ele disse ‘sim, a senhora recebeu todos os votos'”.

Emocionada, ela diz que a notícia se assemelha à chegada de um filho. “Eu sinto como se tivesse ganhado um. É o maior prêmio da minha vida. Não tem dinheiro que pague um reconhecimento desse. Eu não vou me cansar de agradecer o carinho que eles tiveram por mim, especialmente da reitora Myriam e do professor Fernando Tadeu. Eu sou eternamente grata”.

Histórias interligadas

Segundo o pró-reitor, o nome de Domingas foi aprovado por unanimidade e todos os presentes aplaudiram a escolha de pé. “Ela representa a história da universidade com a comunidade de São Gonçalo Beira Rio, com a cultura popular, com a tradição”.

Em seu parecer, ele resgatou a trajetória de Domingas, trazendo à luz o primeiro contato dela com a Universidade.

“Foi nos idos de 1970, precisamente em 1974, à ocasião da grande enchente de Cuiabá. A universidade abrigou os flagelados e Domingas, com orientação da crítica de arte Aline Figueiredo, produzia as peças e elas eram comercializadas com ajuda de Aline. O dinheiro arrecadado era todo revertido à comunidade”, relembrou.

Fernando Tadeu diz que, nesse processo de defesa pelo nome de Domingas, vieram à tona fatos singulares.

“Nas primeiras entrevistas ela nos contou que tinha um grande sonho de se tornar professora na UFMT. E, de certo modo, conseguiu esse feito, pois vai receber o título de Doutora Honoris Causa à ocasião dos 50 anos da universidade. É a realização de um sonho e o coroamento de sua trajetória”.

Ela endossa dizendo que atuou em conjunto com o professor Abílio, ex-pró-reitor, em um projeto que se chamava Universidade na Cidade, nos idos de 1980.

“Toda vida esse era meu sonho. Foi um dos momentos mais memoráveis que vivi. Eu viajava muito dando oficina de artesanato de argila e cerâmica e algumas salas chegavam a ter 60 alunos. Era o primeiro curso a esgotar as vagas”.

A notícia sobre a concessão da honraria “parece coisa divina”, ressalta Domingas. Especialmente no próximo ano, em que ela celebra 50 anos de vida profissional e o Flor Ribeirinha atinge os 27 anos de existência. Fernando relembra: “a propósito, a primeira apresentação do grupo foi na UFMT. Em um tempo em que nem tinham um uniforme oficial”.

Ao longo dos anos, destaca ele, Domingas engendrou importantes iniciativas em diversos locais da cidade, para diferentes públicos: deu oficinas no antigo hospital psiquiátrico Adauto Botelho, usando a arte para transformar a realidade dos pacientes, por exemplo.

A entrega da mais alta honraria, que só pode ser feita se a pessoa for escolhida com unanimidade, será no dia 10 de dezembro, em cerimônia no Foyer do Teatro da UFMT.

A homenagem concedida pela universidade é direcionada a pessoas que se destacam em sua área de atuação, ainda que não sejam graduadas ou possuam especialização. O termo Doutor Honoris Causa significa “por causa de honra”, em latim.

“Essa honraria é importante também para a UFMT, pois ela precisa estar perto da comunidade. Esse estreitar de laços faz com que ela se renove o tempo todo. E essa relação entre a universidade e comunidade serve muito mais à UFMT, pois é assim que ela se aperfeiçoa, melhora”, ressalta o pró-reitor, que finaliza sua contribuição à Procev neste ano.

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns a guerreira Domingas! Justa e merecida a honraria. Parabéns também a UFMT pela sensibilidade em reconhecer o trabalho e luta da homenageada em prol da Cultura Cuiabana.

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