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Turin: anular operações é de interesse de gente com poder político e econômico

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Camilla Zeni

O presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor Roberto Turin, acredita que buscar a anulação de investigações com base no depoimento de um réu é “comprar um ouro de tolo”.

A declaração foi dada em entrevista à rádio Capital FM, na manhã dessa segunda-feira (22), quando o promotor comentou a respeito das declarações prestadas por militares reinterrogados na última semana, no âmbito da Grampolândia Pantaneira.

À Justiça, o cabo PM Gerson Luiz Corrêa apresentou uma lista (veja ao final) com mais de 10 operações movidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que seriam iniciadas com a prática de barriga de aluguel – isso é, a inclusão de telefones de pessoas comuns junto à uma investigação já em andamento.

Após a revelação, alguns advogados já afirmaram que devem pedir à Justiça para que o cabo PM, que era do núcleo de inteligência do Gaeco, preste depoimento no âmbito das investigações. O objetivo seria buscar a anulação das investigações.

Contudo, segundo Turin, as declarações do militar não devem bastar para que os casos sejam interrompidos. Ele explicou que o pedido de anulação precisa, antes de tudo, de prova de que houve prejuízo por uma eventual conduta improba.

“Entre os advogados não tem nenhum aprendiz, mas todo mundo está comprando um ouro de tolo”, ponderou o promotor.

Turin ainda destacou que não é surpresa o fato de que os advogados já se mobilizam para agir após as declarações de Gerson. Ele lembrou que as operações listadas envolvem pessoas com “poder político, econômico e social”, com interesse direto no fim das investigações.

“Isso só comprova o que a gente já vem frisando há muito tempo, de que há muito interesse na anulação dessas investigações, porque foram operações de grande monta realizada pelo Ministério Público. Há muitas pessoas de poderio político, econômico e social envolvido nessas investigações”, disse.

Confira abaixo a lista de operações citadas por Gerson:

Operação Xeque Mate: envolvimento de agentes públicos em roubos a bancos na modalidade Novo Cangaço;
Operação Salvitena: transporte de grande quantidade de drogas;
Operação Ethôs: envolvimento de assessores judiciais para beneficiar réus em sentenças contra corrupção;
Operação Poconé: investigação contra traficantes;
Operação Fazendeiro/Aquiles: grupo criminoso que supostamente roubava e falsificava documentos de veículos;
Caso Joanísio Rosa de Morais: agente penitenciário acusado de entregar celulares, armas e drogas a presidiários;
Operação Chacal: Quadrilha de assalto a banco supostamente liderada por Djalma de Paula, o Chacal;
Operação Rêmora: esquema de fraudes e desvio de dinheiro da Seduc;
Operação Seven: fraude em processo de desapropriação para desvio de dinheiro, liderado por Silval e secretários;
Operação Aprendiz: fraude em licitações na Câmara de Cuiabá;
Operação Imperador: desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa, envolvendo José Geraldo Riva;
Operação Metástase: desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa, envolvendo José Geraldo Riva;
Operação Arqueiro: desvio de dinheiro da Setas, envolvendo Roseli Barbosa;
Operação Ouro de Tolo: desdobramento da Operação Arqueiro.

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