Tucunaré: um invasor que ameaça espécies da Bacia do Pantanal

Sem predador natural, o tucunaré pode se reproduzir até três vezes por ano

Foto: Reprodução/Náutica GoldFish

O Tucunaré é um peixe originário da Bacia Amazônica que tem deixado pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em estado de alerta, desde que detectado seu avanço no Rio Paraguai, na região de Cáceres (a 220 km de Cuiabá). A espécie exótica foi introduzida na região por meio de criatórios, cujas represas se romperam.

De acordo com o professor doutor em Ecologia, Wilkinson Lopes Lázaro, que coordena o projeto e iniciou os trabalhos em 2018, os pesquisadores têm estudado os efeitos da presença do invasor no próprio Rio Paraguai.

Segundo Wilkinson, há relatos da presença do tucunaré há pelo menos 30 anos atrás no Córrego Padre Inácio, mas no rio Paraguai, a presença dele é recente.

“Nós estamos trabalhando com duas linhas de investigação: a de que o tucunaré esteja utilizando o rio como corredor para chegar às baías, ou de que ele esteja sofrendo uma adaptação comportamental para viver nas águas do Rio Paraguai, que é mais turva do que as que a espécie normalmente habita”.

 

O professor doutor em Ecologia, Wilkinson Lopes Lázaro, da Unemat, coordena a pesquisa

Sobre possíveis impactos, o pesquisador explica que ainda não dá para mensurá-los. “Mas o fato de se tratar de um predador que não tem um período único de reprodução, podendo se reproduzir até três vezes por ano, além de ser territorialista e defender fortemente seus filhotes, mostra que ele pode se tornar uma ameaça a diversas espécies de peixes”.

Além disso, como explica o professor, o tucunaré come outros peixes que se aproximam dos seus filhotes. “Não porque esteja com fome, mas come para eliminar a competição com a cria dele”.

Sem predador natural

A presença do tucunaré na Bacia do Pantanal pode ser danosa. Os pesquisadores alertam principalmente, para os riscos da perda da biodiversidade, isso porque na Bacia do Pantanal ele não tem um predador natural como garças, alguns felinos, o hábito alimentar da população, e alguns peixes.

“Aqui, o ambiente não consegue reconhecer esse indivíduo (tucunaré) e, então, ele está com a faca e queijo na mão”, resume o pesquisador.

Dessa forma, a espécie invasora pode se multiplicar rapidamente e ameaçar outras espécies como traíras, peraputangas e outros peixes pequenos que compõem a biodiversidade do Rio Paraguai.

Caminhos

Os pesquisadores estão coletando informações e devem propor junto à Secretaria de Pesca a possibilidade de colocar o tucunaré no calendário de pesca estadual, como uma espécie isenta de cotas e sem um período de restrição, por exemplo.

“O tucunaré é um peixe bastante esportivo, e poderia aquecer a economia e o turismo de pesca, além de servir como uma forma de controlar a espécie invasora na bacia do Rio Paraguai”, sinaliza Wilkinson.

“Nós tivemos informações que também foi encontrado tucunaré no Rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul, e que essa invasão teria ocorrido de forma similar, com criadores em represas que teriam se rompido. Então queremos colaborar com os pesquisadores de lá para entender e desenvolver ações de modo a preservar a biodiversidade do Rio Paraguai”, diz o pesquisador.

Além de professores da Unemat, também participam do projeto: “Efeitos da Introdução de Cichla spp. (Tucunaré) sobre a ecologia de comunidades ícticas em riachos de cabeceira do Pantanal: implicações a biodiversidade e uso humano”, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pequisa de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Brasília (UnB).

(Com assessoria/Unemat)

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