Tribunal do crime: mais de 4 pessoas participaram de homicídio encomendado por facção criminosa

Jovem de 20 anos foi assassinado por ser informante da polícia em Várzea Grande.

(Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

As investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP) identificaram que mais de 4 pessoas participaram do homicídio de João Gabriel Silva de Jesus, de 20 anos. O rapaz foi morto a mando de uma facção criminosa por ser informante da polícia.

O delegado responsável pelas investigações, Caio Albuquerque, explica que foram identificados todos que, de alguma forma, participaram da execução, quer tenha sido de maneira direta ou indireta.

“Esses que estavam no que chamamos de comportamento acessório pode ser que não tenham participado do homicídio, mas sabiam o que estava sendo feito. Essas pessoas, no mínimo, têm algum tipo de participação e devem esclarecimentos à Justiça”, pontua Albuquerque.

Na manhã dessa quarta-feira (29), durante a Operação Comando da Lei, foram presos dois suspeitos que estariam diretamente ligados à morte de João Gabriel. As prisões ocorreram no Jardim Eldorado e bairro São Mateus, ambos em Várzea Grande. Albuquerque destaca ainda que vítimas e algozes conviviam no mesmo bairro, o Eldorado.

Um dos alvos, que não teve a identidade divulgada devido à lei de Abuso de Autoridade, foi o responsável por pegar o celular da vítima para ser averiguado no chamado “Tribunal do Crime”, realizado pela facção criminosa, e levar o rapaz até a casa onde seria morto.

Os suspeitos serão interrogados na tarde de hoje e a polícia continua os trabalhos para prender os demais participantes do homicídio.

Informante

O delegado Caio Albuquerque destaca que João Gabriel foi morto depois que os membros do Comando Vermelho descobriram que o rapaz repassava informações à Polícia Militar.

O crime aconteceu em dezembro de 2018. No dia 18, o jovem desapareceu e seu corpo foi encontrado no Jardim Eldorado, 3 dias depois, em avançado estado de decomposição.

João Gabriel foi morto em 2018 após ordem do Comando Vermelho (Foto: Rede social)

“Ele prestava informações quanto a presença de ilícitos e outras coisas que pudessem resultar em prisões, e isso caiu nas mãos dos criminosos que o puniram com a morte”, lamenta. O delegado pontua que não há indícios que João Gabriel fosse criminoso ou integrasse alguma facção criminosa.

Apesar desse fim trágico, a polícia reforça que o trabalho de colaboração por parte da população é extremamente importante para a elucidação de crimes. Contudo, é preciso estar atento e tomar alguns cuidados, Albuquerque inclusive destaca que as denúncias podem ser feitas de maneira anônima, justamente para resguardar o denunciante.

Os suspeitos já detidos serão interrogados, mas o delegado já adianta que devem ser indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe, crueldade, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e por integrarem organização criminosa.

Força-tarefa contra facções

O titular da DHPP, delegado Fausto Freitas, comenta que nos últimos foi observado um aumento no índice de homicídios cometidos por pessoas envolvidas com facções criminosas. Por esse motivo, unidade especializada criou um trabalho voltado para o objetivo de realizar uma repressão qualificada contra esses criminosos.

“Entendemos que estava na hora de criar essa força-tarefa, um combate implacável a esses criminosos que pretendem, na verdade, exercer a função do Estado, julgando, condenando e executando penas à revelia da lei. Fazem isso para punir inimigos, desertores e qualquer pessoa que não faça o que eles querem”, finaliza Freitas.

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