Tratamento precoce da covid-19 poderá esbarrar na falta de profissionais da saúde

Implantação dos centros de triagem para distribuição do kit-covid podem ficar travadas por escassez de médicos, enfermeiros e técnicos

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

O tratamento precoce da covid-19 pode esbarrar na falta de profissionais da saúde em Mato Grosso. A dificuldade na contratação de médicos, enfermeiros e técnicos já ocorre no preenchimento de vagas nos hospitais referências. 

Agora, esses profissionais são necessários também para que os municípios possam montar seus centros de triagem para atendimento exclusivo de pessoas com sintomas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Locais destinados ao atendimento dos casos menos graves e que precisam do tão falado “tratamento precoce”.

Manutenção da atenção primária

A estratégia com postos provisórios é evitar o estrangulamento de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e policlínicas no Sistema Único de Saúde (SUS), visto que a procura deve aumentar, quando o “kit-covid” passar a compor o protocolo de atendimento. 

Para isso, será necessário maior contingente de profissionais para atuar nas instalações temporárias. Mas existe escassez de pessoas dispostas no mercado de trabalho a assumir a linha de frente do combate. 

“Nós estamos nos perguntando o que fazer se tivermos respiradores, leitos para atender os pacientes da covid-19 nos hospitais, mas faltar médicos. Isso é um problema real, que já tem afetado os municípios”, afirma o presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde em Mato Grosso (Consems-MT), Marco Antônio Norberto. 

Segundo ele, os postos de trabalho nas unidades de saúde na linha de combate à pandemia estão sendo rejeitados pelos profissionais, seja por medo de se contaminar, seja por avaliação de infraestrutura fraca (incluindo os salários ofertados pelo Poder Público). 

Leitos represados 

Em Várzea Grande, o planejamento para a instalação de centros de triagem está suspenso porque a aplicação das medidas esbarrou no quesito profissionais necessários para realizar os serviços. 

Secretário de Comunicação da prefeitura, Marcos Lemos diz que a dificuldade na contratação vai de médico a maqueiros e até motoristas de ambulâncias. 

“Estamos com 10 leitos de UTI para abrir em Várzea Grande. São necessários 55 profissionais entre médicos, enfermeiros e técnicos para liberar os leitos e não estamos conseguindo. Está muito difícil achar pessoal disponível”, afirmou. 

Os centros de triagem devem funcionar nos moldes da unidade básica, com entrevista e observação médica das pessoas doentes. A prescrição do kit-covid caberá a cada médico. 

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Histórico complicado 

Marco Antônio Norberto diz que, assim como ocorrem as UTIs, o déficit de médicos e enfermeiros no SUS em Mato Grosso vem de longa data. Antes da pandemia, já havia deficiência no atendimento por escassez de profissionais no quadro de servidores. 

“Com a pandemia, a situação só piorou e ainda está ocorrendo redução dos profissionais que já tínhamos antes. Aqueles no grupo de risco, com idade avançada ou alguma comorbidade, estão pedindo afastamento. E não podemos remanejar o pessoal que está trabalhando [em outros locais] para os centros de triagem, porque existem outras doenças”, pontuou. 

Em junho, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi ao Ministério da Saúde em busca de solução para o problema. Foi solicitado o envio de profissionais diretamente pela União para ocupar as vagas. Uma estratégia já adotada em Manaus.

Alternativa restante

Em Alta Floresta (800 km de Cuiabá), o remanejamento foi a alternativa que sobrou para tentar controlar o número casos graves. O município montou um centro para receber pessoas com síndromes respiratórias agudas graves (SRAG). 

Conforme o secretário Marcelo Costa, o centro foi adaptado em uma unidade já existente, que agora faz atendimento exclusivo. O trabalho é de 24 horas por dia, com três médicos de plantão. 

“Já tínhamos esta unidade mais no início da pandemia, com atendimento de 24 horas. Houve redução de demanda e diminuímos o tempo de atendimento para 6 horas e, ontem (7), voltamos para 24 horas”, disse. 

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