Transporte coletivo: campanha pede que pessoas denunciem assédio sexual

Os casos são muitos, mas as denúncia não; empresas e Defensoria orientam passageiros

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Uma pessoa e três diferentes histórias. Assim a estudante Luana Nascimento, de 21 anos, lembra das vezes que foi vítima de assédio dentro do transporte coletivo ou de pessoas mais próximas de seu convívio que sofreram do mesmo problema. Há três meses, sua mãe de 43 anos, voltava para casa e foi vítima de um abusador, que chegou a ejacular em sua roupa.

O caso gerou a revolta de todos dentro do transporte coletivo e deixou dolorosas lembranças na família e em Luana, que relembrou da história com lágrimas em seus olhos. “Ela voltou para casa em prantos e eu fiquei sem saber o que fazer, porque não tinha mesmo o que fazer. Ninguém espera que isso aconteça, mas infelizmente acontece muito todos os dias”, contou a estudante.

A própria Luana foi vítima de assédio por duas vezes. Por isso, ela escolhe bem a linha de ônibus que vai pegar, evitando aquelas que já aconteceram este tipo de ocorrência. Além dos três casos, a estudante conhece inúmeros outros relatos de conhecidas que passaram pela mesma situação.

O gerente operacional da Pantanal Transporte, Marcos Braga, reconhece que existem inúmeros casos todos os dias. Em contrapartida, as denúncias não são tão comuns. “A gente sabe que tem, que existem muitos casos. Mas não tem um número expressivo de registros porque muitas pessoas não querem se expor”, explicou.

Vergonha, medo, trauma, são alguns dos sentimentos que predominam a maioria das vítimas. Recentemente, a Defensoria Pública de Mato Grosso e a Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU) assinaram um termo de cooperação técnica para coibir este tipo de prática dentro do transporte coletivo.

O convênio tem caráter educativo e valerá para o transporte público da região Metropolitana de Cuiabá. Por isso, um material educativo está sendo distribuído para a população e divulgado nos próprios ônibus, com a orientação dos principais canais de denúncias.

“Com a campanha, as pessoas acabam falando e expondo essa situação. A ideia é a gente mostrar que isso é um crime e exterminar esse tipo de prática”, disse Marcos.

Câmeras

O gerente da Pantanal Transportes lembrou ainda das melhorias que as empresas de ônibus têm feito em relação à segurança dos passageiros. Todos os veículos atualmente possuem câmeras. Em caso de denúncias de assédio, as vítimas podem solicitar as imagens para que sirvam de provas no inquérito.

No entanto, Marcos reconhece que o número de equipamentos ainda não é o ideal. “Hoje todos os nossos carros possuem câmeras. Mas nós estamos modernizando esse sistema para termos mais câmeras em cada veículo. O correto é ter duas ou três, porque daí a pessoa pode pedir as imagens para comprovar o caso”, pontuou.

O trabalho de mobilização sobre o problema também está sendo feito com motoristas e promotores de vendas, que podem atuar na identificação do crime.

Abuso

O abuso no transporte público pode ser entendido como qualquer contato físico ofensivo e sem consentimento. Podem ir de atos obscenos até se esfregar, apalpar, passar a mão, etc.

O assédio pode ser de natureza verbal, que cause constrangimento na vítima, tais como: cantadas ofensivas, piadas e comentários ofensivos. Também configura abuso filmar partes íntimas e exibir imagens íntimas publicamente.

Denúncia

Para denunciar uma situação de abuso, as pessoas podem entrar em contato pelo 190, número de emergência da Polícia Militar. Já nos casos que o abuso já tenha ocorrido, o número é o da Polícia Civil, 197 ou o 180, que é da Central de Atendimento à Mulher.

“A gente pensa que se um dia acontecer com a gente, a gente vai bater, gritar, mas na hora que acontece a gente fica mesmo é paralisada. Você se sente tão nada, que você não tem reação naquele momento”, finalizou Luana.

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