Trabalhando sem água, comida e lugar para dormir, três pessoas são resgatadas pela PM

O local, no meio do mato, não tinha energia elétrica e para conseguir água tinham que andar 3 km até chegar ao rio

Foto: Sérgio Carvalho - Auditor-Fiscal do Trabalho

Um idoso de 61 anos, o filho de 17 e outro homem, de 49 anos, foram resgatados na quarta-feira (22). Eles viviam em condições análogas à escravidão. As vítimas estavam trabalhando sem água, sem alimentação adequada, não tinham lugar para se abrigar para dormir e só deixariam o local, no mínimo, depois de 15 dias.

Eles foram encontrados em uma fazenda no município de Reserva do Cabaçal (400 km de Cuiabá), quando a polícia foi averiguar uma denúncia de que pessoas armadas estariam no local para realizar a demarcação de uma propriedade supostamente recém comprada, porém, o que foi encontrado, na verdade, foram trabalhadores em condições precárias de sobrevivência.

Conforme o boletim de ocorrência, um fazendeiro procurou a Polícia Militar na terça-feira (21), afirmando que sua fazenda havia sido invadida e que os invasores estavam armados. O fazendeiro alegava que um homem chamado Itamar procurou o gerente de sua propriedade e disse que havia comprado a fazenda vizinha, informando que daria início à demarcação territorial do local.

Assim que avisado sobre isso, o fazendeiro entrou em contato com o suposto comprador por um número que ele deixou e foi ameaçado pelo homem, que disse que era melhor o fazendeiro e seus funcionários ficarem longe da fazenda, “pois já havia colocado pessoas sob posse de armas de fogo dentro da propriedade do comunicante para que o serviço de demarcação fosse realizado sem interrupções e interferências”, consta no boletim de ocorrência.

Sem saber se a fala do suposto novo vizinho era verdadeira e se realmente ele e seus funcionários corriam riscos, o fazendeiro procurou a polícia e pediu que uma equipe o acompanhasse até sua propriedade para verificar se haviam pessoas armadas no local.

Na quarta-feira (22), por volta das 15 horas, uma equipe militar e o fazendeiro foram até o local e, a princípio, nada foi encontrado. Porém, ao olhar um pouco mais longe, os policiais viram um barraco em uma propriedade vizinha com três trabalhadores, sendo que um deles era menor de idade.

No boletim de ocorrência, os militares narraram que os três trabalhadores estavam “em situações precárias e degradantes, sem acesso a água para consumo, onde teriam que deslocar por cerca de 3 km até chegar até o rio, sem banheiros, sem alimentação adequada, sem energia elétrica/gerador e sem local para descanso [estavam dormindo em redes sob árvores]”, consta no boletim de ocorrência.

Questionados, os três disseram ter sido contratados pelo mesmo homem que falou com o fazendeiro – que todos somente conhecem como Itamar – para demarcar com “marcos” e abrir “picadas”.

Eles afirmaram também que na semana passada foram levados no local por cinco dias, sempre indo e voltando para casa, porém, na terça-feira (21) foram deixados por Itamar no local para ficarem até que terminassem todo o serviço para o qual foram contratados, o que seria cerca de 15 dias, ou até mais.

Diante do relato, os policiais resgataram as três vítimas e os levaram, com seus pertences, até a 2ª Companhia da Polícia Militar, onde foi registrado um boletim de ocorrência de “redução a condição análoga à de escravidão”.

Assim como o fazendeiro que havia feito a primeira denúncia, as vítimas não souberam informar detalhes sobre o suspeito, acrescentando apenas que ele tinha informado ser proprietário de uma auto peças e de um restaurante na cidade de Mirassol D’Oeste (300 km de Cuiabá).

O caso foi encaminhado para a Polícia Civil de Araputanga (340 km de Cuiabá), que ficará responsável pela investigação. Imagens e vídeos do local onde as vítimas foram encontradas também foram encaminhadas como provas do crime.

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