TJ mantém Taques, Savi e empresário réus por esquema no Detran

Ex-deputado, ex-secretário e empresário queriam que Justiça anulasse recebimento de denúncia

Desembargador José Zuquim Nogueira é o relator das ações oriundas da Operação Bereré (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Os desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) rejeitaram, por unanimidade, três recursos que poderiam livrar do processo os alvos da Operação Bereré. A ação, deflagrada com duas fases, em fevereiro e maio de 2018, resultou na denúncia de 58 pessoas.

Em sessão extraordinária do Tribunal Pleno nesta quinta-feira (22), os desembargadores analisaram recursos do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, do ex-deputado estadual Mauro Savi e do empresário Valter Kobori. Eles são réus por esquema de desvio de recursos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Relator dos três recursos, o desembargador José Zuquim Nogueira negou os pedidos.

“Trago voto no sentido de que procuram eles, embargantes, rediscutir matérias já apreciadas dentro do processo, de forma que estou rejeitando todos os embargos”, disse.

Em seu pedido, Paulo Taques alegou que havia contradição entre a fundamentação dos votos que receberam a denúncia do Ministério Público e a verdadeira ocorrência dos votos. Por isso, ele sustentou que a denúncia não deveria ter sido recebida.

Por sua vez, Mauro Savi alegou omissão quanto a análise das preliminares e nulidade das provas apresentadas.

Já o empresário Valter Kobori citou omissão quanto sua liberdade provisória, que foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também alegou contradição na data que assumiu a gestão da empresa e de seu envolvimento e supostas ameaças.

Operação Bereré

Movida pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Bereré apurou esquema de corrupção no Detran. O caso passou a ser investigado após delação premiada do ex-presidente da autarquia, Teodoro Lopes, o “Dóia”.

A primeira fase da operação resultou na intervenção do Estado junto à administração do Detran, por decreto do ex-governador Pedro Taques (PSDB).

Já a segunda fase, denominada Bônus, foi deflagrada no dia 9 de maio. Foi quando houve a prisão de Paulo Taques, do advogado Pedro Zamar Taques, do ex-deputado estadual Mauro Savi e dos empresários Claudemir Pereira dos Santos, Roque Anildo Reinheimer e Valter Jorge Kobori.

Ao final, a denúncia foi oferecida pelo Ministério Público contra 58 pessoas investigadas. Depois do caso, devido ao núcleo político do esquema, a ação foi desmembrada.

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