Testemunha não comparece e CPI do Paletó pode tentar condução coercitiva

Vereador afirmou ser a favor da condução coercitiva do servidor Valdecir Cardoso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

 O servidor público Valdecir Cardoso, testemunha na Comissão Parlamentar de Inquérito chamada de CPI do Paletó, pode ser obrigado a depor através de condução coercitiva. O servidor, que deveria prestar depoimento na Câmara de Cuiabá, enviou um ofício pedindo para ser ouvido somente depois do dia 20 de fevereiro.

A oitiva de Cardoso na CPI que investiga o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) havia sido marcada para a manhã desta quarta-feira (07). No ofício, o servidor alega ter uma viagem familiar marcada nesta data.

Valdecir foi o responsável por montar o equipamento utilizado para filmar deputados, incluindo o atual prefeito de Cuiabá, recebendo maços de dinheiro no gabinete do ex-governador Silval Barbosa.

“Eu vou formular um requerimento de que seja feita a condução coercitiva. Ele foi convocado na condição de testemunha, não foi convidado. Ele deve comparecer do mesmo jeito que em um processo criminal”, disse o vereador Diego Guimarães, em entrevista à rádio Vila Real.

Valdecir Cardoso de Almeida - Ofício Câmara de Cuiabá

Valdecir Cardoso de Almeida enviou ofício à CPI do Paletó

A opinião é compartilhada pelo presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki (PSB), que deve elaborar os trâmites para que Valdecir preste depoimento em outra data. A CPI tem um prazo de 120 dias para sua conclusão, podendo ser prorrogados por mais 120 dias, caso haja justificativa.

Durante busca e apreensão da Operação Malebolge na casa de Emanuel Pinheiro, a Polícia Federal encontrou um depoimento de Valdecir, registrado em cartório, que corrobora a versão da defesa do prefeito. Emanuel alega que o dinheiro era de uma dívida do ex-governador com seu irmão Marco Polo Pinheiro, o Popó, sócio do Instituto Mark de Pesquisa e Opinião Pública.

“Eu não quero acreditar que seja uma manobra da defesa do prefeito para prejudicar a CPI. Se tinha essa viagem programada poderia ter informado antes”, continuou Diego Guimarães. O ofício estaria desde o dia 31 no gabinete de um dos vereadores e teria sido encaminhado ao presidente da comissão, vereador Marcelo Bussiki, apenas na noite de terça-feira (06).

“Se está nas mãos de um vereador há 10 dias e isso não foi encaminhado, é muito grave. Estão debochando da CPI, do parlamento, da imprensa e do cidadão”, afirmou o parlamentar.

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