Ter um carro ou andar de app? Fizemos a conta e descobrimos o que compensa mais

Desde o início da pandemia, motoristas notaram que aumentou o número de clientes “fixos”

Imagem ilustrativa

Quem trabalha como motorista de aplicativo é taxativo em afirmar: desde o início da pandemia e do aumento desenfreado do preço dos combustíveis, cresceu o número de clientes “fixos”. Pessoas que desistiram de ter carro próprio – ou sequer cogitaram essa ideia – e passaram a usar os apps seja lá qual for o destino.

Mas será que vale mesmo a pena? A reportagem do LIVRE fez os cálculos.

Consideramos o modelo de veículo mais barato do país, segundo o portal AutoPapo: um Fiat Mobi. E para tirar da conta gastos difíceis de prever, como os de manutenção, vamos falar de um carro zero quilômetro, fabricado em 2021.

Também definimos um trajeto de 14 quilômetros para o nosso personagem hipotético percorrer entre sua casa e seu local de trabalho, já considerando a viagem de ida e volta. A distância média entre duas das regiões mais populosas de Cuiabá – o CPA e o Coxipó – até o centro da cidade é de 7 quilômetros.

Por fim, fizemos uma cotação de preços para percorrer esses trajetos em um dos aplicativos mais conhecidos no país. Vale ressaltar aqui que não vamos levar em conta toda a dinâmica de horários e procura por carros, o que também influencia esse valor. A média encontrada foi de R$ 24 por viagem, o equivalente a R$ 3,42 por quilômetro.

E o resultado é: vale mais a apena andar com o app.

Mais do que só o combustível

(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Pelos cálculos do LIVRE, esse personagem hipotético poderia economizar quase R$ 400 por mês, se resolvesse trocar o carro pelo app. Mas, claro, a conta só faz sentido se estivermos falando de um veículo financiado.

Segundo o portal AutoPapo, o Fiat Mobi completo – porque ar-condicionado é um item fundamental em Cuiabá – era vendido por R$ 48 mil, até fevereiro deste ano.

No simulador de financiamentos iCarro, a reportagem descobriu que teria que pagar uma entrada de R$ 14,4 mil e ainda restariam 48 prestações de R$ 1.051 para ter o veículo. O custo do IPVA, aproximadamente R$ 960, diluído ao longo do ano, acrescentaria a essa conta mais R$ 80 por mês.

É preciso lembrar do custo do estacionamento. O LIVRE considerou um valor diário de R$ 5, o que resultaria em um gasto de R$ 100 por mês, se nosso personagem não tiver que trabalhar aos sábados.

O valor do seguro não entrou na conta. A cotação leva em consideração diversas variáveis, como a idade do motorista e o local onde o veículo fica estacionado.

Álcool ou gasolina?

Não faria diferença na decisão do nosso personagem abastecer com álcool ou gasolina. O custo mensal com combustível seria entre R$ 112 (gasolina) e R$ 117 (etanol) por mês. Sim, o álcool não compensa no caso do Mobi.

De acordo com o blog DeltaFiat, o Fiat Mobi é capaz de percorrer (na cidade) 14 quilômetros com um litro de gasolina, ou seja, nosso personagem conseguiria fazer seu trajeto de ida e volta para o trabalho todos os dias gastando R$ 5,59. Esse é preço médio atual do litro da gasolina em Cuiabá, segundo o portal da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Com álcool seria necessário pouco mais de 1,5 litro para o mesmo trajeto de ida e volta. Esse modelo de carro – também segundo o blog DeltaFiat – percorre 9 quilômetros com um litro de álcool na cidade, então, o custo diário seria de R$ 5,86 aproximadamente. Conforme a ANP, o custo médio do etanol em Cuiabá está em R$ 3,91.

Somando tudo, então, ter o carro gera um custo mensal de pouco menos de R$ 1.350, enquanto, fazendo o mesmo trajeto todos os dias com o aplicativo, nosso personagem hipotético gastaria R$ 960 por mês.

Partiu virar motorista de app?

Sim, muita gente já fez essa conta e já trocou o carro próprio pelo aplicativo. Mesmo assim, o mercado para quem trabalha como motorista não está nada fácil desde o início da pandemia.

Adriano Magalhães, que atua no ramo há dois anos, diz que o número de chamadas caiu drasticamente e não voltou aos patamares de antes da crise sanitária. A mudança percebida é que, agora, os poucos clientes são mais recorrentes.

“É muito comum pegar sempre a mesma pessoa, indo sempre para o mesmo lugar. E, geralmente, nesse destino já tem gente voltando. Até os horários de maior movimento está fácil de prever”, ele diz.

Segundo ele, a maioria é de pessoas que usava o transporte coletivo e, hoje, prefere evitar essa aglomeração.

Cleber Campos, presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo de Mato Grosso (AMA-MT), conta que esse boom de clientes “fixos” já ocorreu uma vez. Logo que os aplicativos chegaram ao país, ele conta, muitas empresas venderam carros próprios e passaram a bancar os deslocamentos de seus funcionários via aplicativo.

“Hoje são as pessoas comuns mesmo que estão vendendo seus carros por conta do custo com a manutenção, dos impostos no fim do ano e, agora, da alta dos combustíveis”, ele diz.

Mas para quem no app sua fonte de renda, esses custos, somados a queda na procura, têm tornado a atividade insustentável. Campos afirma que Cuiabá já perdeu 30% dos profissionais que atuavam no setor. “Eles desistiram. Hoje, só quem roda com o GNV ainda está conseguindo se manter”.

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