“Temos milhões enterrados em mais de 50 obras inacabadas”, diz prefeito de Cuiabá

A prefeitura de Cuiabá estuda propor ao Tribunal de Contas (TCE-MT) a assinatura de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) para  permitir a retomada de mais de 50 obras municipais inacabadas.

Em entrevista ao LIVRE, o prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) disse que a ideia passou a ser cogitada depois dos primeiros resultados de vistorias em todas as regiões da cidade.

“Ainda não está decidido, mas, depois que levantarmos toda a situação, devo propor um TAG ao tribunal para que possamos reordenar a execução destas obras, inclusive buscando recursos”, disse.

O prefeito negou que, ao levantar esta bandeira, esteja utilizando a estratégia de atacar gestões anteriores. “Estou a tratar de um fato. Não irei fulanizar”, afirmou

O LIVRE – O senhor tem acompanhado vistorias nos bairros para expor a situação das obras inacabadas. Por que o tema recebeu esta prioridade?
EMANUEL – Obra parada é obra mais cara, representa um descaso com a população e um desperdicio com dinheiro público. É um tapa na cara da população. Por isso decretei tolerância zero e afirmei que não se lança nenhuma obra nova de porte enquanto não retomarmos aquelas inacabadas.

O LIVRE – A prefeitura já concluiu o levantamento da quantidade de obras nesta condição? Qual o diagnóstico?
EMANUEL – Já estamos na quarta fase de vistorias e podemos dizer que são mais de 50, com certeza. Todo mundo fala das obras da Copa, mas ninguém fala dos esqueletos espalhados em diversos bairros da cidade, muitos deles sendo foco de infestação de doenças e outros sendo pontos de droga e de outros crimes. Não acho normal fazer vista grossa a essa realidade que está aí.

O LIVRE – Qual setor da administração mais sofre com as obras inacabadas?
EMANUEL – Podemos dizer que a área da saúde é que está mais crítica, e é justamente a que a população mais precisa. É um rol muito grande de obras, como postos de saúde, deixado para trás. São milhoes enterrados, o que representa uma falta de compromisso com a população.

O LIVRE – E a obra do novo Pronto Socorro, entraria nesta lista?
EMANUEL – A obra do Pronto Socorro está ritmo muito lento, quase paralisada. Aquele canteiro já teve 600 homens e hoje está funcionando com 50 a 60 homens. Há uma serie de problemas. A obra da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Leblon, por sua vez, está completamente paralisada.

O LIVRE – Em geral, o que emperra o andamento dessas obras?
EMANUEL – São vários fatores. É preciso ver caso a caso. Tem problemas de gestão, que é o mais grave, mas também falta de repasses, de prestação de contas, regularização fundiária, briga judicial e até empreiteira que quebrou e abandonou a obra. Em todas, o Poder Público não tomou uma posição. Tem obra que tem até dinheiro na conta, mas que, de tao defasada, ficou mais cara.

O LIVRE – Em relação a este ponto, há dinheiro para fazer a retomada?
EMANUEL – Para uma ou outra, temos. A maioria esmagadora, não. Até porque muitas delas são convênios com a União. Queremos até colocá-las no programa de recuperação de obras inacabadas, do presidente Temer.

O LIVRE – A proposta, então, é concluir obras de gestões passadas antes de lançar as próprias?
EMANUEL – Tomo essa atitude como gestor, até porque a cidade não pode parar. Temos o compromisso com a  Cuiabá dos 300 anos, e um dos desafios que devemos enfrentar é esse das obras inacabadas. Não brigo por paternidade de obra, brigo por eficiência, por zelar daquilo que é patrimônio da população.

O LIVRE – Há quem veja, nesta atitude, sinais daquela antiga tática de atacar gestões anteriores em início de mandato. Como reage a esta avaliação?
EMANUEL – Não estou fulanizando, estou olhando Cuiabá e sua gestão como um todo. Independentemente de quem parou ou continuou a obra, existe um fato concreto e que causa prejuízo de milhões à populalção. E não importa se tenha parado no governo do Mauro Mendes, do Chico Galindo ou do Wilson Santos, minha obrigação é mostrar a obra parada.

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