“Tem um lobby oculto, grande e forte”, diz Galvan sobre proibição do plantio em fevereiro

Para o presidente da Aprosoja, o plantio nesta época é propício e demandaria menos defensivos

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), Antonio Galvan, voltou a defender o plantio de soja em fevereiro para o cultivo de sementes em Mato Grosso, durante entrevista nesta quinta-feira (18) para a TV Record. Segundo ele, “tem uma meia dúzia favorecida no Estado, com interesses, tentando deturpar o assunto e confundir a sociedade”.

[featured_paragraph]Representando quase 6 mil produtores de soja, Galvan criticou o calendário vigente e afirmou existir “um lobby oculto, grande, pesado e forte. [Com interesse] só econômico”. [/featured_paragraph]

Para ele, esse suposto lobby seria feito “pelos que são favorecidos por essa calendarização”, mas não mencionou  quem seriam os beneficiados.

Justificou que a mudança do calendário proposto pela instituição nada tem a ver com o tempo de proibição do plantio. “O vazio sanitário é sagrado. De 15 de junho a 15 de setembro, não se mexe. Não tem [plantio de] soja dentro do vazio sanitário. A Aprosoja não defenderia isso”, disse.

De acordo com ele, a modificação no calendário defendida pela Aprosoja é na data de plantio, permitido, atualmente, até 31 de dezembro, conforme Instrução Normativa Conjunta Sedec/Indea MT nº 02/2015.

“A mudança do plantio de soja, [para fevereiro], é muito mais propícia e se usa muito menos defensivos agrícolas no momento de confeccionar essas lavouras se comparado com o mês de dezembro”, disse.

Ele explicou que a prorrogação do prazo permitirá que o produtor produza a sua própria semente, diminuindo os custos da produção.

[featured_paragraph] O presidente da Aprosoja disse ainda torcer para que a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) investigue o caso para chegar “ao fato correto”. [/featured_paragraph]

Galvan está sendo investigado pela Polícia Judiciária Civil (PJC) por supostamente incentivar o plantio de soja fora do período legal. O inquérito aberto pela PJC atende ao pedido do Ministério Público Estadual (MPE), antecipado pelo LIVRE em reportagem publicada no dia 12 de março.

Queixas

Durante a entrevista, Galvan se queixou da falta de apoio por parte de algumas entidades de pesquisa, entre elas, citou a Embrapa e a Função Mato Grosso. Ambas, segundo ele, teriam se negado a pesquisar a propostas defendida pela Aprosoja.

“A Embrapa se negou de fazer esse trabalho para Aprosoja, a Fundação Mato Grosso não quer fazer esse trabalho. Agora a fundação Rio Verde está fazendo. Em qual período se usa mais defensivos agrícolas? No plantio de dezembro ou no plantio de fevereiro?”, questionou.

Para ele, “quando uma empresa vem e se instala em MT como a Embrapa, e se nega a acompanhar os trabalhos, como está aqui em nossos ofícios,  se negando a fazer uma pesquisa sobre o assunto, alguma coisa está errada”, afirmou.

Quanto ao calendário, Galvan acredita que conseguirá aprovar a mudança. “Temos que mudar, vamos provar e vamos mudar, [pois], agora nós temos uma fundação fazendo esse trabalho [de pesquisa]”.

Outro lado

A reportagem do LIVRE tentou contato com a Fundação Mato Grosso e Embrapa, mas até a publicação as entidades não deram retorno. O espaço está aberto para manifestações.

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