Teatro do IFMT: custo de R$ 2,5 milhões tomará mais da metade do total de investimentos

Ao priorizar o teatro, outras obras como a construção de 12 novas salas de aula, a melhoria de laboratórios e atividades de pesquisa e pós-graduação ficarão para outra oportunidade

Com R$ 2,5 milhões vindos de uma alegada emenda parlamentar que ainda não tem previsão para cair em conta, o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) pretende retomar a construção do Anfiteatro de Cuiabá, paralisada há cerca de 10 anos.

Segundo o reitor da instituição, Willian Silva de Paula, o dinheiro vem de um trabalho de articulação com toda a bancada federal de Mato Grosso e cada um dos eleitos entrará com um pouco, até alcançar o montante de R$ 10 milhões.

O valor será dividido entre os 19 campi do IFMT, distribuídos por todo Mato Grosso e a parte da unidade de Cuiabá irá para obra.

A situação do teatro foi retratada em uma matéria publicada pelo O Livre no começo do mês. Naquela ocasião, artistas mato-grossenses estavam pedindo uma explicação sobre a paralisação da obra.

Willian de Paula, reitor do IFMT, diz que usará recurso de emendas para finalizar a obra (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Conforme a perspectiva do reitor, a licitação para retomada da construção será realizada no primeiro semestre de 2020. O processo é necessário porque a empresa vencedora da primeira concorrência desistiu antes de concluir o projeto.

“Não podemos dar o mês exato, porque temos a palavra dos representantes da bancada, mas o depósito depende de uma série de trâmites. Não é possível saber precisamente”.

Com relação ao motivo da não conclusão da obra anteriormente, o reitor explicou que foi exclusivamente por falta de orçamento. Os recursos que chegam ao IFMT conseguem cobrir o custeio da unidade e alguns investimentos pontuais e imediatos.

Entre eles está a compra de computadores e melhoria dos laboratórios, por exemplo.

Paralelamente a isso, houve ainda a ampliação das unidades no interior e abertura de novos cursos. Atualmente o IFMT tem cerca de 26 mil alunos presenciais, dos quais 3,5 mil estão no campus Cuiabá.

O dinheiro empregado no teatro corresponderá a mais da metade de todo valor que foi empregado em investimentos este ano em todas as unidades do IFMT.

“O contingenciamento nos garante o valor das despesas e, com muito sacrifício, iremos ter R$ 4 milhões para investimentos este ano”.

Além do teatro do IFMT, as prioridades da reitoria são a construção de uma sede para o campus de Sinop, que hoje funciona em um prédio locado em parceria com a prefeitura daquele município, e ainda a retomada da construção do campus de Várzea Grande.

Sem pompa e circunstância

Uma readequação foi realizada no projeto do Anfiteatro do IFMT, de forma a manter a funcionalidade e retirar um pouco do requinte. O objetivo foi ajustar o local ao recurso esperado.

“Queremos que ele seja retomado e finalizado. E que os alunos possam usá-lo o mais rápido possível”, garante o diretor do campus Cuiabá, Cristóvam Albano.

Para Cristóvam Albano, diretor do campus Cuiabá, novo projeto garante a funcionalidade (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ele explica que os ajustes no projeto vão torná-lo mais simples, mas darão aos alunos e a comunidade condições de usar um espaço adequado.

Albano disse que, ao priorizar o teatro, outras obras como a construção de 12 novas salas de aula, a melhoria de laboratórios e atividades de pesquisa e pós-graduação ficarão para outra oportunidade.

“Fazemos de tudo para reduzir o custeio e assim manter a unidade, fazendo manutenções e melhorias possíveis. Então, precisamos de verbas de investimento para atender as outras demandas”.

O teatro terá 480 lugares e atenderá as demandas do IFMT, da comunidade e até mesmo do circuito cultural nacional, como acontecia antes do fechamento.

Atualização, 11 de dezembro de 2019, às 16h45

–> Em contato com a reportagem, o diretor do campus Cuiabá, Cristóvam Albano, afirma que não lhe foi dada opção de investir o recurso em outras obras, pois a verba chega para o campus com destinação à retomada da obra do anfiteatro. “É fato que o campus possui outras necessidades de investimento, mas neste caso não foi uma escolha da gestão do campus”, ressalta Cristóvam.

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