Taques é investigado por formação de “caixa 2” e lavagem de dinheiro

Justiça Eleitoral derrubou sigilo de inquérito da Polícia Federal em relação à campanha de 2014

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O juiz da 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá, Alexandre Martins Ferreira, determinou a derrubada de sigilo de um inquérito conduzido pela Polícia Federal que investiga a suspeita de caixa 2 na campanha eleitoral do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques. As suspeitas recaem em 2014, ano em que Taques foi vitorioso nas urnas.

Na decisão, o magistrado ressaltou que o sigilo só foi determinado em setembro de 2020 porque Taques estava em plena campanha ao Senado e deveria ter sua imagem resguardada para concorrer em situação igualitária com os demais candidatos, em obediência ao princípio da presunção de inocência.

“Contudo, as razões pelo qual eu decretei não mais persistem; dessa forma, determino a retirada do sigilo, antes da remessa dos autos”, diz um dos trechos.

Reunião com Malouf

Em fevereiro de 2020, Malouf declarou em depoimento à Polícia Federal que articulou uma reunião de Taques com o proprietário da Gráfica Print, Dalmi Defanti. Na ocasião, Taques teria pedido R$ 2 milhões para a campanha eleitoral. O suporte financeiro seria com prestação de serviços gráficos e não em dinheiro em espécie.

No diálogo, Defanti ainda teria manifestado a disposição de colocar sua empresa para disputar licitações e assim firmar contratos com o Estado, o que teria sido aceito de imediato pelo ex-governador.

“Dias depois, Pedro Taques afirmou para o declarante que não seria interessante Dalmi Defanti constar como doador oficial de campanha, haja vista que a Gráfica Print estava envolvida em investigações criminais”, diz trecho do depoimento.

Malouf ainda revelou que houve uma estratégia para camuflar a prestação de serviços, sendo que metade dela chegou a ser oficialmente declarada à Justiça Eleitoral.

Saques em dinheiro

O delator ainda diz no depoimento que, após a prestação dos serviços pela Gráfica Print, o empresário Dalmi Defanti sacava quantias em dinheiro em agência bancária e destinava uma parte aos responsáveis pelo caixa da campanha.

Ao todo, segundo Malouf, R$ 900 mil teriam sido pagos à gráfica e posteriormente devolvidos em espécie para a própria campanha eleitoral, após descontar os impostos devidos.

“Efetivamente foram prestados serviços gráficos equivalentes a aproximadamente R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais); parte desses serviços foram prestados sem a emissão de notas fiscais, representando parte das doações não declaradas oficialmente oriundas da Gráfica Print”, diz um dos trechos do depoimento.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com o ex-governador Pedro Taques. Porém, as ligações não foram atendidas.

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