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Taques diz que política não transforma a todos em vagabundos

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Redação

Ednilson Aguiar/O Livre

Governador Pedro taques durante regulamentação fundiária

O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que a delação premiada é um instrumento importante para mudar a política brasileira, porém, ela não pode ser usada para jogar todos os políticos na mesma vala. Citado na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o tucano afirmou que seu governo não pode ser misturado com o governo do peemedebista.

“Não há, no processo penal nacional, nada mais importante que a delação premiada para mudar o Brasil. Como político, eu tenho que aceitar isso. Mas não é porque virei político que virei vagabundo”, afirmou, em entrevista à rádio Mega FM, na noite desta segunda-feira (11). “Não misturem a nossa administração com a bandalheira da administração passada”, disse.

O governador repetiu, por diversas vezes ao longo da entrevista, que não se tornou vagabundo por ter entrado para a política. “Daqui a pouco todos serão considerados vagabundos. Eu passei a minha vida toda combatendo a corrupção, enquanto muitos batiam palmas para os vagabundos, como João Arcanjo”, declarou.

“A delação não pode ser instrumento de vingança política, de chantagem. Precatório é mentira. Aí eu virei bandido por causa disso. Político tem sua intimidade relativizada e eu defendo isso. O que estou dizendo é que liberdade rima com responsabilidade”, afirmou.

Delação de Silval

Pedro Taques admitiu, na entrevista, ter tido quatro reuniões com Silval Barbosa ao longo da campanha eleitoral de 2014, mas negou que tenha pedido ou recebido dinheiro de Silval Barbosa para sua campanha. Destacou, ainda, que o ex-governador não fez nenhuma dessas afirmações na delação.

“Estou tendo que explicar uma coisa que eu não fiz e ele não disse. Eu nunca pedi dinheiro e ele não disse isso”, disse. “Não virei vagabundo porque virei político. E não virei idiota porque virei governador. Eu conheço a Constituição”, completou.

Silval disse, na delação, que autorizou os donos da JBS a doarem a Taques parte do crédito que ele tinha com a empresa, de propina que ainda não havia sido paga. Dessa forma, segundo o delator, R$ 4 milhões foram descontados do seu crédito de propina, de modo que ele acredita que esse valor foi aportado no caixa dois da campanha de Taques.

O governador também negou que tenha prometido pagar um precatório de R$ 200 milhões para a família Malouf, segundo afirmou Silval. “Primeiro, eu nunca recebi pedido para pagar precatório da família Malouf. Segundo, não existe precatório da família Malouf. Eles têm uma ação contra o estado de Mato Grosso de R$ 200 milhões. E a nossa administração recorreu para não transitar em julgado”, declarou, afirmando que ainda não houve decisão judicial que reconhecesse a dívida e a transformasse em precatório.

Em sua delação, Silval afirmou que o empresário Alan Malouf pediu a ele que emitisse, ainda em seu governo, pareceres favoráveis ao pagamento de um precatório de mais de R$ 200 milhões que o governo devia à sua família. Isso porque, segundo Malouf, Pedro Taques havia prometido pagar o precatório em seu governo se Silval deixasse tudo pronto. O delator disse que o pedido foi feito a Nadaf.

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