Suicídio ou feminicídio? Morte de soldada da PM intriga a polícia

Ela quase foi assassinada pelo ex-marido em dezembro e agora foi encontrada morta, com dois tiros

A soldada da Polícia Militar Silvana Rocha Carvalhais, de 29 anos, foi encontrada sem vida dentro de sua casa, no centro de Juruena (900 km de Cuiabá), no fim da manhã dessa quarta-feira (17).

A princípio, o caso foi entendido como um suicídio, mas o histórico do relacionamento da soldada com seu ex-marido, de 28 anos, e o fato de os vizinhos terem ouvido mais de um tiro, levantou suspeitas sobre um possível feminicídio.

Conforme o boletim de ocorrência, os vizinhos ouviram os tiros e acionaram a polícia. Quando a equipe que atendeu a ocorrência chegou à casa, um subtenente da Polícia Militar e familiares da soldada já estavam no local.

Os policiais, então, foram até a policial, que apresentava mais de um ferimento causado por arma de fogo e estava imóvel.

O Serviço de Emergência do Hospital Municipal de Juruena foi acionado, mas a enfermeira apenas pôde constatar a morte da policial. O local foi isolado e a Polícia Judiciária Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionadas.

A irmã da vítima disse à Polícia Militar que foi à casa da irmã assim que soube dos tiros, chamou por ela e, como não teve resposta, arrombou a porta e encontrou a irmã já ferida e desacordada.

Nota de pesar

A Polícia Militar chegou a emitir nota lamentando a morte da soldada, que tinha quatro anos de carreira militar e estava lotada na 10ª Companhia da PM de Juruena.

Divorciada, Silvana tinha uma filha do relacionamento com o ex-marido. Por acreditar se tratar de um suicídio, o comandante do 8º Comando Regional de Juína, tenente-coronel Wendel Sodré, designou uma equipe de policiais, liderada por um oficial, para acompanhar o caso e dar suporte à família da policial.

A policial e a filha

Violência doméstica

No dia 02 de dezembro de 2018, a policial havia registrado um boletim de ocorrência contra o marido, de 28 anos, afirmando que ele a havia agredido e, no momento em que ela chamou a polícia, estava agredindo o pai dele.

Uma equipe da Polícia Militar foi até o local e encontrou o suspeito na frente da casa, no Bairro Cidade Alta, em Colniza (1090 km de Cuiabá), bastante alterado, com os olhos avermelhados e com forte odor de álcool.

Havia também uma faca jogada na grama, que, segundo o pai do suspeito, teria sido usada pelo filho dele para agredir a vítima, a soldada Silvana.

Conforme o boletim de ocorrência, questionado sobre o que estava acontecendo, o suspeito apenas dizia que queria levar seu pai ao hospital, porque ele estava machucado.

Os policiais, então, perguntaram onde estava Silvana e o pai do suspeito disse que estava na casa da vizinha. Ela foi chamada e, assim que entrou na casa, o suspeito partiu para cima dela para agredi-la. A equipe militar precisou contê-lo.

Silvana, então, começou a contar o que teria acontecido. Ela afirmou que o marido estava bebendo na casa de um amigo, chegou em casa já alterado e foi pegar a arma da policial, que estava em cima do guarda-roupas.

Ele teria apontada a arma para a cabeça da esposa e puxado o gatilho várias vezes, mas o revólver estava sem munições. Em seguida, ele teria enforcado a esposa e começado a agredi-la.

Depois, segundo o boletim de ocorrência, ele foi até o quarto do casal, carregou dois carregadores de munições em uma carabina calibre 22, foi até o quarto da filha dos dois, onde a policial estava, apontou a arma para a esposa e ela segurou o cano da arma para tentar impedi-lo.

O suspeito deu dois tiros: um acertou a parede e outro o berço da filha do casal. Em meio à briga com o marido, a soldada conseguiu retirar o carregador da arma e os dois entraram em luta corporal no chão do quarto.

Minutos antes, Silvana havia ligado para a mãe do suspeito contando o que estava acontecendo e, por isso, os pais dele foram até a casa e ouviram o casal brigando.

Como a casa estava trancada, os dois arrombaram a janela e, ao entrar, encontraram o filho em cima da esposa, agredindo-a, e precisaram intervir na situação.

Diante da denúncia, o suspeito foi preso e encaminhado para o quartel da PM. A casa foi fechada e a Polícia Judiciária Civil acionada.

O caso desse dia foi registrado como lesão corporal e tentativa de homicídio doloso. A policial ficou com lesões no pescoço e no braço direito e pediu medidas protetivas contra o marido, afirmando temer que, quando ele fosse solto, fizesse algum mal a ela. Depois disso, Silvana se separou do suspeito.

Investigação

Na narrativa do boletim de ocorrência sobre a morte da policial, em nenhum momento diz que ela tirou a própria vida. No termo “natureza vinculada” consta tanto suicídio, quanto feminicídio.

O LIVRE procurou a Polícia Judiciária Civil de Juruena, que informou que está apurando o caso e que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) colheu vestígios que poderão apontar se Silvana foi assassinada ou se tirou a própria vida.

A policial foi atingida por dois disparos, um que acertou o braço e outro a cabeça.

Segundo os investigadores do caso, somente o resultado da perícia poderá apontar as causas da morte, mas, a princípio, devido ao histórico, caso seja confirmado um homicídio, o ex-marido dela é um dos suspeitos.

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2 COMENTÁRIOS

    • Olá, professora de plantão.
      O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras – veículo oficialmente incumbido de dirimir dúvidas acerca da existência ou não de vocábulos em nosso idioma, além de outros aspectos, entre os quais a correta flexão em gênero – aponta para a existência de soldado (como substantivo masculino) e de soldada (como substantivo feminino).

      Se o VOLP não registra soldado como um substantivo comum-de-dois gêneros, isso, no mínimo, significa que seu feminino não pode ser a soldado, de modo que se há de cair na regra comum de flexão de gênero, formando-se, de modo correto, o soldado para o masculino e a soldada para o feminino.

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