Suelme aposta em trabalho na Seaf para conquistar vaga de deputado

Um dos poucos políticos do início do governo Taques, secretário é um dos quatro sobreviventes do staff original

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O secretário de Agricultura Familiar (Seaf), Suelme Fernandes (PSB), deixa a pasta na próxima semana, depois de três anos e três meses de gestão. Ele aposta no trabalho realizado na secretaria para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa, nas eleições de outubro.

“As pessoas esperam emendas, resultados mais práticos do que legislativos. Essa eleição vai ser de quem entregou resultados efetivos. Eu tenho entregas em 139 municípios – menos Sapezal e Alto Taquari, porque não tem agricultura familiar”, afirmou Suelme, em entrevista ao LIVRE.

Um dos poucos secretários políticos do início do governo Pedro Taques (PSDB) – além dele, apenas Adriana Vandoni (Gabinete de Combate à Corrupção) e Permínio Pinto (Educação), ambos do PSDB, compunham a cota política do primeiro escalão –, Suelme encerra a gestão como um dos remanescentes do staff original.

“Eu não era um dos quatro cavaleiros do governador Pedro Taques (PSDB), e agora sou um dos quatro sobreviventes”, brincou . Além dele, apenas Marcelo Duarte (Infraestrutura), Ciro Gonçalves (Controladoria) e Julio Modesto (Gestão) sobrevivem no cargo – este último será o novo chefe da Casa Civil, a partir da próxima semana. “Eu entrei como uma piada, um historiador na pasta de Agricultura. O resultado foi acima da minha expectativa”, disse.

Com dificuldades financeiras, ele focou na aplicação de emendas parlamentares para produzir resultados. “Como eu fazia as entregas com rapidez e valorizava o deputado que fez a indicação, eles começaram a colocar mais emendas na Seaf. Somente este ano entraram R$ 19 milhões em emendas”, disse.

Suelme, que se articula para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, comemora a boa relação com os deputados. “Muitos secretários apanharam na tribuna, mas eu nunca tive críticas diretas”, disse. “Nunca fiz ataques pessoais. Tentei fazer política de um modo diferente”, afirmou.

“Rei do tratorzinho”

Segundo o balanço da assessoria, foram R$ 38,5 milhões em equipamentos a agricultores familiares, dos quais R$ 16,3 milhões foram gastos em 243 tratores. Os 524 resfriadores consumiram R$ 6,5 milhões. Também foram entregues maquinário, caminhões, barracas de feira, entre outros. No início, esse era o foco do seu trabalho. Suelme contou que só passou a investir nas cadeias produtivas depois de uma conversa com Daniel Brolese, diretor da Central de Abastecimento (Ceasa).

“Entreguei tratores em 119 municípios. Eu estava muito conceituado como o cara que entregava equipamentos, resfriador, trator. Um dia o Daniel me disse: ‘seu trabalho está ótimo, mas você não tem programa para cadeias produtivas’. E ele tinha razão. Revi minha estratégia e decidi construir políticas públicas para incentivar cadeias produtivas para não ser o rei do tratorzinho”, disse. A partir daí, criou programas como o Pró-café.

Um dos planos elaborados pelo secretário é dar suporte para que a agricultura familiar explore commodities, como cacau, café e castanha-do-pará. “Na Amazônia mato-grossense não cabe expansão da soja. A verdade da soja não é uma verdade para todos os problemas do Estado. Não é solução para todos”, disse.

“Pasta sucateada”

Ele relatou que recebeu a Seaf com diversos problemas estruturais e condições insalubres na antiga sede, no Centro Político Administrativo (CPA). “Eu não tinha dimensão do tamanho do abacaxi. A Seaf era uma pasta sucateada, abandonada, caminhando para a extinção. Os vasos eram entupidos. Tinha rato. Quem ia lá saía com a impressão que era uma pocilga. As pessoas conviviam com móveis quebrados, porque não davam baixa no patrimônio. O lixo eram caixas de papelão. Chovia mais dentro que fora. Era o retrato do caos, um curral desordenado”, disse.

Uma das primeiras atitudes que tomou foi mudar a sede para um prédio no bairro Jardim Itália. “A gente chama novo prédio da secretaria de ‘Famato dos pequenos’”, contou.

Ele disse que reduziu de 126 para 48 cargos comissionados, e que teve liberdade para indicar mais da metade dos ocupantes desses cargos. “Toda vez tive respaldo para mudar quem não tinha compromisso com o trabalho. Aquela história de ‘meu cargo é do deputado fulano de tal e eu faço o que eu quiser’ acabou, assim como os funcionários fantasmas”, disse.

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