Sua empresa está no vermelho? 4 passos podem reverter essa situação

Consultora de negócios e especialista em finanças, Camila Rossi diz que o segredo é “tirar a bunda da cadeira”

Quem administra uma empresa que está no vermelho, muito provavelmente, tem um desses três problemas: ou está cobrando barato demais pelo seu produto/serviço; tem funcionários demais, que não entregam o esperado; ou está se “auto sabotando”, tirando da empresa mais dinheiro do que deveria.

Os três problemas têm solução e ninguém precisa fechar as portas por causa disso. É o que garante a consultora de negócios e especialista em finanças Camila Rossi.

E o caminho para reverter essa situação tem apenas quatro passos principais, mas isso não quer dizer que você não vai ter trabalho. O primeiro deles, aliás, já deixa isso bem claro.

1. Tirar a bunda da cadeira

“A primeira coisa a se fazer, eu costumo chamar de TBC: tirar a bunda da cadeira”, diz Camila.

Segundo ela, não são raros os casos de empresários que estão completamente alheios aos números de seus negócios.

É parte de uma “cultura” estabelecida no Brasil que prega que, ser empresário, é apenas aproveitar do lucro. Não a toa, quase todo mundo que tem um emprego formal diz que sonha em abrir o próprio negócio para “trabalhar menos”.

“O empresário quer resultado, mas não querer tirar um tempo para analisar os números da empresa. O primeiro passo, então, é ele se empoderar do próprio negócio. Olhar o que entra e o que sai, ou seja, o fluxo de caixa”, explica Camila.

Achou um prejuízo de R$ 10 mil? Aí é que começa o trabalho duro.

2. Montar um Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE)

O DRE, de acordo com Camila Rossi, é como uma fotografia da empresa. Com esse documento, além de saber qual o tamanho do prejuízo, o empresário é capaz de identificar de onde ele vem.

E as fontes podem ser duas: o custo variável ou o custo fixo.

O que é o variável?

Camila explica que é todo aquele valor que aumenta ou diminui conforme você vende mais ou menos. Exemplo: a comissão de um funcionário ou os impostos de um produto.

“Se seu problema é na despesa variável, você está errando na formação do preço de venda. Isso quer dizer quanto mais você vende, mais suas despesas aumentam, então, não adianta tentar vender mais porque a despesa vai crescer junto”, diz a consultora.

E a fixa?

Já as despesas fixas são exatamente o contrário. Elas sempre vão estar ali, independentemente da quantidade de vendas. Pode ser o aluguel do espaço onde a empresa funciona, o salário de um funcionário, a conta de energia elétrica.

E, geralmente, quem tem problemas com os custos fixos está retirando da empresa mais dinheiro do que deveria, diz Camila.

“Normalmente, quando eu faço uma consultoria, acho problema no prolabore [o “salário” do dono da empresa]. Os gargalos maiores das empresas estão nas retiradas dos sócios. Eles não têm controle, tiram quanto dá e acabam ficando no vermelho”, ela conta.

Mas existe outra possibilidade: a falta de produtividade. E Camila alerta, nem sempre a razão disso está no “corpo mole” do funcionário. Às vezes, falta liderança ou, simplesmente, deixar claro para as pessoas o que elas precisam fazer.

“Sabe aquela empresa que faturava R$ 50 mil com cinco pessoas, mas passou a faturar R$ 100 mil e precisou contratar mais, chegando a 20 pessoas? Isso significa que a equipe está improdutiva. Se cinco davam conta de R$ 50 mil, o normal seria que 10 ou, no máximo, 11 dessem conta de R$ 100 mil”.

3. Se há um problema, existem uma solução!

A experiência de Camilla a faz afirmar que o caso mais simples de resolver é quando o problema está na formação do preço de venda. Nesses casos, bastam cálculos simples para aumentar o valor cobrado do cliente ou, quem sabe, uma pesquisa de mercado para encontrar matéria-prima mais barata.

Se o problema for o prolabore dos sócios, a solução “doí um pouco mais”, segundo ela.

“Você vai ter que olhar para dentro de casa e pensar: precisa mesmo de tudo isso para sobreviver? Será que é necessário pegar todo esse dinheiro da empresa?”

Em outras palavras, é o orçamento de casa que vai ter que sofrer alterações. Para menos, é claro!

O que também não descarta a possibilidade de se tentar uma estratégia para faturar mais com a empresa.

LEIA TAMBÉM

Já se o “ralo” por onde o dinheiro escorre está na (im)produtividade dos funcionários, a solução deve doer bem mais.

O problema nestes casos, segundo Camila, é que a maioria das pequenas empresas é formada por sócios que são parentes ou amigos de longa data.

“Quando tem esse vínculo, fica um pouco mais difícil. E quando ele não existe, vai depender muito da gerência. Às vezes, a falta de produtividade não é culpa do funcionário. É falta de liderança”, ela afirma.

Se for esse o caso, criar protocolos para que os empregados sigam ao longo do dia pode ser uma alternativa.

“Já peguei empresas que estavam com falta de produtividade porque não davam um caminho desenhado para essas pessoas. Elas simplesmente não sabiam o que tinham que fazer. A pessoa terminava aquela coisa e ficava ociosa, porque não sabia o que mais precisa ser feito”.

Camila Rossi é consultora de negócios e há anos ajuda empresas a atingirem melhores resultados (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

4. Montar um planejamento estratégico

Você já sabe de quanto é o prejuízo, de onde ele surgiu e o que precisa fazer para revertê-lo. Agora, segundo Camila, é hora de montar um planejamento estratégico. Não só para garantir que a solução que você planejou vai ser colocada em prática, mas também para evitar passar por todo esse perrengue de novo.

O principal, segundo a consultora, é saber qual é o ponto de equilíbrio da empresa, ou seja, quanto deve ser vendido exclusivamente para “pagar boletos” e saber que, a partir dali, o que vier é lucro.

“Vamos supor: se você fabrica bolos e sabe que vendendo 20 unidades vai só pagar contas, isso quer dizer que só a partir do 21º você vai ter lucro. Quando você enxerga isso, pode se organizar por períodos. Por exemplo: se em uma semana você só vendeu três bolos, você sabe que na próxima vai ter que vender sete, senão, vai chegar no final do mês no vermelho”.

De acordo com Camila, a maioria dos empresários não tem conhecimento desses números, o que faz com que só percebam que ficaram no prejuízo no fim do mês ou, pior, quando falta dinheiro para pagar alguma despesa.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

O LIVRE ADS