Sonho de mato-grossense: listamos 5 obras eternamente inacabadas

Projetos faraônicos que já custaram bilhões para os cofres públicos e, a cada governo, encontram novos motivos para não serem concluídos

Hospital Central o símbolo das obras abandonadas em Mato Grosso e está há mais de 30 anos sob a promessa de término da construção (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em Mato Grosso, várias gerações acumulam a vontade de ver alguns sonhos realizados. São obras inacabadas e com valores milionários que nunca saem da expectativa da população porque se transformaram em promessas eternas de campanha eleitorais.

O LIVRE listou cinco destes projetos. Alguns têm a previsão de serem desenrolados este ano (será mesmo?). Outros vão continuar exatamente como estão e, dessa vez, a “desculpa” a pandemia.

1. Hospital Central

(Foto: SES/Divulgação)

Lançado em 1984. Sim, há 36 anos! Foi durante o governo Júlio Campos (DEM) e, naquele período, era considerada uma obra faraônica para os padrões de Mato Grosso.

Seriam 150 leitos distribuídos em 120 apartamentos a um custo aproximado de 50 milhões de cruzados.

A obra começou em 1985 e já em 1987 foi paralisada. O governo federal cortou os recursos e nem o primeiro dos quatro blocos planejados foi concluído.

A instabilidade econômica que seguiu o período inviabilizou de vez a construção. Mas em 1992, Jayme Campos (DEM) – irmão de Júlio e, na época, governador – a lançou mais uma vez. E, de novo, não terminou.

Doze anos se passaram. Blairo Maggi (PP) chegou ao governo e, em 2004, também anunciou a retomada, que não foi para frente.

Em 2015, foi a vez de Pedro Taques. Mas ele fez diferente. Afirmou que construiria uma Cidade da Saúde no local. A “incrementada” gerou um fruto.

O hospital mesmo ainda não saiu, mas uma parte do prédio foi concluída e, nela, hoje funciona o Centro de Reabilitação Dom Aquino Correa (Credac).

Ex-governador Pedro Taques durante entrega do novo endereço do Cridac, em anexo ao esqueleto do Hospital Central (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Agora é a vez de Mauro Mendes (DEM). Em novembro, ele anunciou a retomada das obras e garantiu um investimento de R$ 135 milhões.

Parte do recurso virá de parceria com o Ministério Público e Poder Judiciário. Dinheiro  recuperado da corrupção.

O edital foi lançado em abril, mas no começo deste mês foi suspenso. O motivo é a necessidade de uma “análise mais aprofundada” dos pedidos de esclarecimentos e impugnações feitos pelas empresas interessadas na obra.

2. Hospital Júlio Muller

Obras paralisadas do novo Hospital Universitário Julio Muller, em Cuiabá (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Este está perto de completar uma década de promessas e entra em seu terceiro governo. Portanto, merece estar na lista.

O Hospital Universitário Júlio Muller existe desde 1984, mas em 2012 teve início a construção de uma nova sede.

Seria uma parceria entre governo do Estado e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), já que a expectativa era que lá passasse a funcionar a Faculdade de Medicina.

O prazo de entrega era 2014 – o assombroso ano da Copa do Mundo no Brasil. E como quase todas as obras daquele período, essa também não saiu do papel. 

Apenas 9% do projeto estava concluído na data em que o hospital deveria ser inaugurado. E uma boa parte dos R$ 116,5 milhões para o conjunto total da estrutura já havia sido gasta.

Depois de uma série de problemas judiciais e financeiros, o Estado desistiu. A decisão foi tomada no governo Pedro Taques.

Mas em 2019, Mauro Mendes retomou o projeto e firmou nova parceria com a UFMT. É que o governo federal já tinha garantido R$ 97 milhões para a obra. Um dinheiro que está depositado em uma conta bancária desde então.

A retomada do projeto custará cerca de R$ 200 milhões. Isso quer dizer que o governo de Mato Grosso vai ter que bancar mais que 50% deste valor.

Ao todo serão 250 leitos clínicos, 23 UTIs adulto, 16 UTIs pediátricas e 26 leitos de pré-atendimento. 

3. Ferrovia até Cuiabá

Locomotiva da Rumo Logística estacionada em Rondonópolis – MT (Foto: assessoria)

São mais de 40 anos de discussão e defesa do tema. Um assunto levantado no Congresso Nacional pelo então deputado federal Vicente Emílio Vuolo, que em 1975 ocupou – como suplente – a Comissão de Transportes da Câmara.

Naquele ano, Vuolo – que em 1978 foi eleito senador – apresentou um projeto de uma rodovia para ligar São Paulo a Rondonópolis e Cuiabá. A proposta chegou a ser sancionada pelo presidente Ernesto Geisel, em 1976.

Mas depois de uma série de dificuldades impostas pelos interesses econômicos e também políticas – provocadas por governos posteriores, o de Fernando Henrique Cardoso… É, estamos esperando até hoje.

Vuolo fez inúmeras manifestações na época e morreu em 2001 sem ver seu projeto ser concluído. A Ferronorte só chegou até Rondonópolis (215 km distante de Cuiabá) em 2013.

Hoje, os defensores da causa são o senador Vuolo, Francisco Vuolo – atualmente, secretário de Cultura de Cuiabá – e o senador Wellington Fagundes.

Recentemente, uma luz surgiu no fim do túnel. A empresa Rumo – concessionária da Ferronorte – teve um pedido atendido. Ela queria uma antecipação do direito de administrar a malha ferroviária paulista e, em troca, levaria os trilhos, não só a Cuiabá, mas a Nova Mutum.

A antecipação da outorga foi concluída há 15 dias e a empresa anunciou que vai concluir o projeto. A construção do trecho entre Rondonópolis e Cuiabá deve custar em torno de R$ 2 bilhões.

4. VLT

Ednilson Aguiar/ O Livre

São seis anos de obras paralisadas e absolutamente nenhuma previsão de que um dia elas sejam concluídas. Não podemos afirmar que muitas gerações já se passaram, mas é provável que passarão.

Mais de R$ 1 bilhão já foi pago pela construção do modal e mais R$ 4,4 milhões foram gastos com estudos para tentar encontrar um jeito de terminar o que começou.

A perspectiva do governo do Estado era de que no primeiro semestre deste ano haveria uma solução. Mas a pandemia de coronavírus estacionou mais uma vez o projeto.

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5. Internacionalização do Aeroporto

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Esse já virou lenda urbana. A internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande (Região Metropolitana de Cuiabá), também é uma promessa da Copa do Mundo.

Naquela época, a expectativa era alta porque o terminou começou a ser ampliado e turistas estrangeiros tinham interesse de vir a Mato Grosso ver os jogos de suas seleções.

Ao final de 2012, o governo do Estado anunciou um investimento de R$ 77 milhões para a obra. Dois anos depois, a reforma não tinha terminado e já havia consumido R$ 81 milhões.

A Copa passou e o projeto ficou parado por 10 meses. Foi, enfim, entregue em 2016, superando a marca dos R$ 85 milhões.

O governador era Pedro Taques, que chegou a anunciar que haveriam voos comerciais operacionalizados a partir de Cuiabá para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Mas uma sala – sim, uma sala – impediu que isso se realizasse.

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Por meio de nota, a Centro-Oeste Airports (COA), atual concessionária do Aeroporto Marechal Rondon disse ao LIVRE a adequação do terminal está em fase final.

“Estamos em contato constante com todas as autoridades envolvidas no processo de internacionalização do terminal. […] Entendemos que a prioridade de todas as autoridades no momento é o combate à pandemia. Tão logo essa situação seja superada, voltaremos a nos reunir com companhias aéreas interessadas em operar voos comerciais internacionais no Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon e definiremos, em parceria com essas empresas e autoridades envolvidas, um cronograma para a internacionalização do terminal”.

A COA anunciou que vai investir mais de meio bilhão de reais no terminal. A concessão tem prazo de 30 anos.

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