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Sobrevivente de incêndio recomeça no Corinthians e conta como se salvou

Foto de Karina Cabral
Karina Cabral

O dia 8 de fevereiro de 2019 marcou para sempre a vida do jogador Kennyd Lucas, hoje com 15 anos. Ele estava no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento do Flamengo, quando o local pegou fogo, mas por ter desobedecido uma ordem, o adolescente hoje pode contar como se tornou um dos sobreviventes do incêndio. Depois de perder ao menos quatro amigos próximos no trágico evento, Kennyd continua sua carreira, agora recomeçando no Corinthians.

Kennyd contou que dentro do CT havia uma casa, ao lado do vestiário, onde dormiam os adolescentes que estavam no local para fazer testes e tentar entrar no Flamengo. Na noite do dia 7 de fevereiro, por volta das 20 horas, ele pediu para dormir nesse local, pois queria continuar falando com a namorada, mas o pedido foi negado: era para Kennyd ir dormir nos contêineres que pegaram fogo.

“Eles não deixaram, aí eu fui escondido. Chegando lá, eu fiquei falando com minha namorada por um tempo e dormi. Aí quando deu 5h10 da manhã, me acordaram falando: ‘ta pegando fogo no contêiner’. Eu pensei que era uma mentira, uma brincadeira. Só que quando eu fui ver, era verdade, estava pegando fogo sim”, lembrou o adolescente.

O colega que o avisou tinha conseguido sair de dentro do contêiner em chamas e foi acordar Kennyd, que correu imediatamente para confirmar se não passava de uma brincadeira. Não era. O incêndio deixou 10 vítimas fatais, com idades entre 14 e 16 anos, além de ao menos outros três feridos.

Entre as vítimas fatais, quatro amigos próximos do jogador cuiabano: Pablo Matos, Bernardo Pisetta, Arthur Vinícius e Áthila Paixão, todos de 14 anos, da mesma categoria que Kennyd, que na época da tragédia tinha a mesma idade que os amigos.

O Flamengo ofereceu apoio psicológico a todos os jogadores e Kennyd vem, desde então, buscando superar o trauma.

“Hoje eu ainda tenho medo, mas não está mais tão forte como era antes, não está a mesma dor de antes. Eu estou levando, procurando ao máximo não ficar pensando nisso, evitar ficar lendo coisas sobre isso, ficar revivendo”, disse o adolescente, com voz calma e tranquila, que aparenta bem mais do que sua pouca idade.

Lateral esquerdo na categoria sub 15, Kennyd logo recebeu uma proposta para recomeçar. Dois meses após a tragédia, o Corinthians entrou em contato com seu empresário, Marcelo Demarco, convidando o adolescente para fazer parte do time. Depois de avaliar a proposta, Kennyd aceitou.

“É um recomeço. É onde eu cheguei e fui bem recebido. Eles me trataram super bem, conversaram, falaram que se eu precisar de alguma coisa é para falar com eles, o mínimo que seja. Eles estão me dando todo apoio aqui também”, contou o jogador.

Carreira

Nascido em Cuiabá e crescido no Praeirinho, um dos bairros mais tradicionais da Capital mato-grossense, Kennyd sonhava em ser jogador de futebol desde pequenininho, carreira que muitos querem e poucos conseguem e que para ele começou a dar certo aos 13 anos.

Apesar de ser o único filho homem de uma família de cinco – Kennyd é o segundo mais velho e tem quatro irmãs -, ele conta que nunca sofreu nenhuma pressão do pai para ser jogador, mas desde que teve a oportunidade, mesmo sendo muito novinho, recebeu todo apoio dos pais, que aceitaram deixar o filho sair de casa bem cedo para seguir o sonho e o dom.

O primeiro time de Kennyd foi o Brasilis, de São Paulo

Em 2018, durante uma viagem para Marília (SP) com a escolinha que jogava em Cuiabá, a Academia de Futebol DB, Kennyd foi visto por um olheiro e convidado a fazer uma avaliação no Brasilis, de São Paulo.

Ele passou no teste e, no dia 15 de fevereiro de 2018, com 13 anos de idade, saiu de casa para morar no CT do Brasilis, onde deu início à sua carreira. Ficou no time por apenas quatro meses e logo já recebeu o convite do Flamengo.

Kennyd Lucas ficou 11 meses no Flamengo

No Ninho do Urubu ficou por 11 meses, defendeu a camisa rubro-negra e no dia 8 de abril de 2019, após o convite, partiu para o Corinthians, time que defende agora. Para o futuro, o menino que cresceu no Praeirinho sonha em ir longe, mas sem jamais perder sua essência.

“Eu quero ser um atleta de futebol profissionalmente e continuar sendo o cara que eu sou, porque não é o futebol que vai me mudar. E como todo atleta, sonho um dia chegar na seleção”.

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