Só a bailarina não tem problemas

Débora Nunes | "Fiquei pensando muito na bailarina esta semana, quando respirava fundo para lidar com um pneu furado"

Já dizia Caetano Veloso que “de perto, ninguém é normal”. Daria para acrescentar que, de perto, todo mundo tem problemas. Só a bailarina, aquela linda boneca-estátua da caixinha de música, é que não sofre nem tem que lidar com frustrações.

Nós, seres humanos e pensantes, temos que lidar com contratempos todos os dias. Pode ser algo grave ou pode ser algo trivial, mas ninguém sai ileso.

Fiquei pensando muito na bailarina esta semana, quando respirava fundo para lidar com um pneu furado.

Vou mergulhar em algo tão corriqueiro, mesmo após um atentado terrorista na Somália, que matou mais de 300 pessoas e feriu outras centenas?

Pois é. Estava pronta para falar sobre os dilemas do meu cotidiano banal, mas mudei de ideia.

Achei que valeria a pena falar das ironias da vida.

Alguns estão do outro lado do mundo, numa luta entre a vida e a morte, e outros lidando com seus problemas toscos.

Mundo injusto. Vida cruel. Uns com situações inimagináveis e outros com as misérias diárias.

E mais inacreditável ainda: seja algo grande ou pequeno, fatal ou banal, só nos resta uma saída. Temos que lidar com os contratempos. Temos que quebrar a cabeça, procurar soluções, achar o caminho. Pensar, sofrer, continuar. Não há outra alternativa.

Só a bailarina continua lá, sem problema algum. Invencível. Firme e forte. Alheia às intempéries do mundo. Não precisa entender o que é terrorismo nem doença nem pneu furado.

A bailarina da caixinha de música não sente, mas também não sofre. Não vive, mas também não morre. Não ama, mas também não odeia. Não sente inveja, rancor ou saudade. E ainda está sempre linda.

Alguns dias, diante de acontecimentos tão trágicos ou uma experiência negativa, tudo o que eu queria era ser a bailarina estática, ao lado da cama, pronta para tocar uma bela música para fazer o mundo dançar.

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