Só 12% dos mato-grossenses já pegaram covid e essa pode não ser uma boa notícia

Pesquisa mostra que, passados 9 meses de pandemia, Mato Grosso ainda está longe da imunidade de rebanho e medidas ainda são necessárias

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Enquanto Mato Grosso vive a expectativa da chegada ou não da segunda onda da covid-19, uma pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) chegou a constatação que somente 12,5% da população – quase nove meses após a confirmação do primeiro caso – já foi infectada pelo novo coronavírus. 

Os dados foram coletados nos municípios com população mais densa, entre setembro e outubro. Ao todo, a pesquisa abrange 4,3 mil pessoas, que passaram pelo exame RT-PCR e teste sorológico, assim como os demais moradores de suas respectivas casas.  

Dos municípios que participaram do estudoVárzea Grande foi o que apresentou a maior prevalência de casos, com 24,3% de sua população contaminada. Cuiabá apareceu logo em seguida, com 17,5%. Sinop, outra cidade de grande população, tinha 13,6%. 

Para a professora em Saúde Coletiva da UFMT, Juliana Muraro, esses números implicam que a maior parte dos mato-grossenses continua vulnerável ao contágio pelo novo coronavírus. E a conta é simples: quanto menor o grupo de pessoas já infectadas, maior o grupo de pessoas que ainda podem ficar doentes. 

“O conhecimento da prevalência nos municípios selecionados permite avaliar a magnitude de pessoas que já tiveram contato com o vírus e, consequentemente, a proporção de pessoas suscetíveis à infecção”, afirma. 

Dados para planejar o futuro

E a professora chama a atenção para a estratégia que os gestores públicos vão adotar daqui para frente para lidar com a pandemia. Se levados em conta os números da pesquisa, Mato Grosso – apesar dos registros já na casa de centena de milhares de infectados – está longe da imunidade de rebanho. 

A estimativa é que cerca de 70% da população precisaria ser contaminada e se recuperar da covid-19 para se chegar essa imunização natural. Mas, inevitavelmente, isso implicaria em maior número de mortos.

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A segunda alternativa para frear a pandemia seria a aplicação de vacinas efetivas, caminho que também continua incerto.  

Conforme a pesquisa, levando em conta a soro prevalência estimada e a população com 20 anos ou mais em Mato Grosso (aproximadamente 2,3 milhões), o número de pessoas já infectadas pelo novo coronavírus no Estado é de cerca de 299 mil, só nos meses da pesquisa. 

“A prevalência, quando maior do que 10%, já representa um volume grande de transmissão ativa, um considerável número de pessoas que circula em estágios diferentes da infecção. Por outro lado, ainda existe um grande número de pessoas suscetíveis à infecção. A pesquisa possibilita uma clareza maior para a tomada de decisões relacionadas à gestão da pandemia”, acrescentou o epidemiologista e secretário adjunto de Vigilância e Atenção à Saúde da SES, Juliano Melo. 

A pesquisa também traz número de prevalência em Barra do Garças (12,9%), Cáceres (12,8%), Juína (10,4%), Tangará da Serra (9,7%), Água Boa (8,7%), Rondonópolis (8,6%) e Alta Floresta (7%).  

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