Skate em MT: o cenário onde faltam pistas e sobram sonhos

Atletas torcem para que visibilidade do esporte durante as Olimpíadas resulte em investimento

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Para muitos que circulam pela Orla do Porto, em Cuiabá, pode passar um pouco despercebido, mas é só observar um pouco mais para flagrar uma, duas, três… várias pessoas com um skate. O equipamento vem debaixo do braço, guardado nas mochilas, no colo do carona da moto ou, é claro, debaixo dos pés de quem se arrisca pelas ruas da Capital.

A Orla tem uma pequena pista cujas arquibancadas ficam lotadas aos finais semanas. Olhares admirados voltados a quem tenta manobras na rampa ou corrimão. Tem fake-shove it, half cab, entre tantas outras.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Mas não, você não vai ver por lá manobras como as que renderam medalhas olímpicas para Pedro Barros, Kelvin Hoefler e Rayssa Leal.

Vontade de fazer algo mais ousado não falta aos skatistas que frequentam a mini-pista. É o local que não é adequado para esse tipo de prática e treino.

Agora que o esporte é olímpico, os skatistas torcem para que um novo olhar seja lançado.

Sem padrão

A pista da Orla não segue os padrões da Confederação Brasileira de Skate, explica Roberto Gonçalves Peron, o Bob Peron, presidente da Associação Mato-grossense de Skate. Inclusive, a construção de um espaço adequado é uma cobrança antiga, ele comenta.

À época da construção da Arena Pantanal, havia uma expectativa de que o projeto saísse do papel. Porém, 7 anos desde que a Copa do Mundo passou por Cuiabá, nada de pista.

O ginásio Verdinho, na região do CPA e uma área do Pedra 90 também são pontos de encontro dos skatistas. Mas nenhum dos espaços está como deveria ser para receber o pessoal. Na avenida 31 de março, também há um local, de certa forma, adaptado.

“Fizemos as sugestões de alteração porque ali não estava skatável”, diz Peron, na língua dos skatistas. “Agora é skatável, mas não é o ideal”, lamenta o presidente.

Quem tem o skate como paixão torce para que, agora, com o programa Mais Mato Grosso, do governo estadual, a tão sonhada pista venha. “Seria um divisor de águas”, define Bob.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Própria pista

Bob se aproximou do skate ainda na adolescência. Depois, passou um tempo afastado até que a paixão reacendeu com a chegada do filho Igor Castelo Branco Peron, hoje, com 15 anos.

“Por conta do problema de visão que ele tem, pensei no esporte que poderia praticar e lembrei do skate”, relata Bob. Então, quando tinha 4 anos, Igor teve seu primeiro skate.

O talento de Igor foi aparecendo cada vez mais e Bob viu que aquilo poderia ir além de uma brincadeira ou um passatempo. Igor poderia se tornar um atleta. Mas, para isso, seria preciso um espaço para treinar. E treinar muito.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Comerciante, Bob resolveu, então, fazer uma rampa de skate em seu estabelecimento. Ali, Igor dedicou e ainda dedica várias horas treinando as manobras. Agora também, ensina como andar de skate.

Tanto esforço tem valido a pena e o garoto, participando de campeonatos desde os 10 anos, tem acumulado muitas vitórias. A última foi no campeonato mato-grossense, mês passado, onde conquistou o primeiro lugar.

Vitórias que servem de estímulo para o sonho de Igor: se tornar um atleta profissional.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Uma conquista

Essa, inclusive, foi a mais nova conquista de Izael Miranda da Silva, 36. Cuiabano de tchapa e cruz, Chupim, anda de skate há mais de 20 anos e agora conseguiu sua profissionalização junto a Confederação Brasileira de Skate (CBSK).

Mas ainda não é possível viver apenas do esporte. Chupim precisa, durante o horário comercial, de outro trabalho.

Com as Olimpíadas, a expectativa do skatista é que os patrocinadores e o próprio governo dediquem um incentivo aos atletas desse esporte. “Construindo pistas melhores, fornecendo bolsas de incentivo, projetos sociais que fomentem essa prática”, pontua.

Novo olhar

As novas perspectivas já começaram a aparecer em outros quesitos. Bob, por exemplo, acredita que a percepção que a sociedade tinha do skate já mudou muito com o passar das gerações.

“Meu pai não concordou que eu andasse de skate. Agora, incentiva meu filho”, conta.

Estefânia Lima, 32, fundadora do Divas Skateras pontua um outro degrau: o fato de o esporte receber as mulheres. “Eu sempre quis que outras meninas vissem que elas podem também ser skatistas”, diz.

A skatista destaca que é importante aproveitar o momento em que os holofotes estão voltados para essa prática e reforçar as cobranças em prol do esporte. “Não pode deixar que seja apenas uma coisa momentânea”, complementa Bob.

O que diz o Estado?

Com relação à pista de skate a resposta não é muito sólida. A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) confirmou apenas que há previsão de um parque esportivo na Arena Pantanal, em um projeto existente há anos.

A Pasta afirma que seu titular, o secretário Beto Dois a Um, tem se reunido com frequência com esportistas do skate e do patins para ajustar detalhes técnicos. Mas não foi informada uma data para a licitação ou algo do tipo para a construção.

Com relação ao incentivo aos atletas, a Secel diz que todo o apoio do Governo de Mato Grosso se dá por meio do Projeto Olimpus. A iniciativa, atualmente, beneficia 151 atletas.

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