Sindicato elabora plano para retomada gradual do setor de eventos em Cuiabá

A expectativa é que a Prefeitura de Cuiabá autorize em breve a retomada das atividades

(Foto: Divulgação)

O Sindicato das Empresas de Eventos de Mato Grosso (Sindieventos-MT) vai apresentar à Prefeitura de Cuiabá, um plano de contingenciamento nesta semana para garantir a retomada gradual das atividades do setor. Há 65 dias sem atividade, o setor vive um dos piores momentos de crise por conta da pandemia de coronavírus.

“Nosso plano de contingenciamento foi elaborado com base em várias ações a nível nacional, com a adaptação para a nossa realidade. São ações simples, mas de grande importância, que inclui, por exemplo, o distanciamento social e ações de higiene para a não propagação do vírus”, comenta Alcimar Moretti, presidente do Sindieventos.

A expectativa é que o Poder Executivo municipal autorize em breve a retomada das atividades. Enquanto isso, trabalhadores que dependem dos eventos para ter salário aguardam ansiosos, pois já são dois meses dias sem trabalho e sem renda.

Profissionais vivem drama

Na lista de profissionais que vivem verdadeiro drama por conta da falta de eventos está a recreadora Liliane Rafaela da Silva Paiva, de 32 anos. Casada e com dois filhos pequenos, ela está sem trabalhar há dois meses e as contas de casa já estão atrasadas.

O marido está sem trabalho com carteira assinada desde o ano passado, quando começou a trabalhar como motorista de aplicativo. “Quando os dois estavam trabalhando tínhamos uma renda razoável. Agora, estamos praticamente sem renda, porque as corridas também diminuíram. O dinheiro que entra é para nossa alimentação”, conta Liliane que recorreu ao auxílio emergencial do governo federal, mas não obteve sucesso, assim como o marido.

Quem também está na mesma situação é o operador de som Felipi Rozemir de Araújo Souza, 22. Ele trabalha como freelancer para uma empresa de som e imagem na Capital e está sem trabalho desde que as atividades econômicas foram suspensas pela prefeitura.

Com um filho de dois anos e meio, ele diz que já está com dificuldades para pagar a pensão alimentícia. “Pago aluguel e outras contas fixas de casa. Tive que trancar a faculdade porque não tenho como pagar. Precisamos voltar a trabalhar urgentemente. Já estou pensando em voltar a morar com meus pais para economizar com a moradia”, comenta o trabalhador que há uma no e meio tem toda a renda tirada das atividades na área de eventos.

Sobre o setor

Em Mato Grosso não há dados oficiais sobre o setor, mas a estimava apresentada pelo sindicato é que 90% delas são empresas familiares, de micro e pequeno porte, além de MEI. No entanto, o Ministério do Turismo aponta que o segmento de movimenta outros 53 segmentos ligados a esta atividade econômica.

“São muitas pessoas que têm sua renda oriunda dos eventos. O setor está parado por causa da pandemia e precisamos retomar, com segurança, nossas atividades. Por isso elaboramos esse plano e vamos entregá-lo ao prefeito para mostrar que temos condições de voltar ao trabalho com segurança”, afirma Alcimar.

Associação Brasileira das Empresas de Eventos (Abeoc Brasil) estima que o setor tenha crescido, em média, 6,5% ao ano entre 2013 e 2019. Os dados oficiais mais recentes do setor são de 2013 e apontam que 4,32% do PIB brasileiro provém do setor de eventos, que naquele ano tinha 60 mil empresas em toda a cadeia, com 1,893 milhão de empregos diretos e indiretos, e um faturamento de R$ 209 bilhões, com o recolhimento de R$ 48 bilhões em impostos.

Perfil da empresa de eventos no Brasil

  • 98% são pequenas empresas (faturamento anual até R$ 4,8 milhões)
  • 72% das empresas estão nos regimes de tributação MEI e Simples
  • 81% têm um ou dois sócios
  • Ocupam diretamente em média 10 pessoas (somando os sócios)
  • Cerca de metade tem atuação estadual/regional e a outra metade atua em todo o Brasil, sendo que 14% atuam também no exterior.
  • 20% das empresas apenas organizam eventos e 27% são apenas fornecedoras ou prestadoras de serviços. As empresas que executam as daus funções alcançam 38% do total.
  • Empresas não associadas da Abeoc possuem em média 6,2 anos de existência e 82% das associadas da Abeoc têm acima de 10 anos de vida. (Com Assessoria)

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