Sinais trocados

Temos tudo para dar certo; parece que só falta mesmo um pouco de fé

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

A semana que passou trouxe uma grande esperança ao governador Mauro Mendes: além da sinalização de que o FEX que já quase não havia mais esperança de ser pago, Mauro conseguiu o aval do governo para o empréstimo de US$ 250 milhões para quitar a dívida existente com o Bank of América, livrando-se do pagamento de uma parcela de quase 150 milhões de reais ainda neste mês de setembro.

Com esse tremendo alívio já pode o governo começar a planejar em regularizar a situação do parcelamento do salário do funcionalismo, bem como dar a eles a garantia de que o 13º salário será pago dentro do ano. Uma tremenda conquista que parecia estar muito longe do alcance da vista do servidor público.

Esperança não é o mesmo sentimento do mato-grossense que ao ver devolvida para justiça do estado a investigação sobre a Grampolândia Pantaneira, acordou, também na semana passada, com a decisão que só o Ministério Público e seus membros são capazes de justificar, ou sejam: ninguém, pela decisão do Ministro Mauro Campbell, a não ser eles mesmos podem fiscalizá-los, num ato do mais baixo corporativismo de que se tem notícia.

Esse mesmo ministro já começou a mostrar as suas garras quando em 2017 avocou para si todas as investigações a pedido do então governador Pedro Taques que, jogando para a plateia, pediu para ser investigado pelo STJ, onde o processo ficou paralisado até março deste ano e as investigações que envolvem membros do Ministério Público estão relacionadas a notícias-crime apresentadas pela OAB.

Mauro Campbell ingressou no Ministério Público do Amazonas e foi onde construiu toda sua carreira, ocupando posições de destaque. Foi por três vezes eleito procurador-geral de Justiça, desempenhando integralmente os mandatos nos biênios 1999-2001 e 2001-2003, e parcialmente no biênio 2007-2009, renunciando em junho de 2008 devido à sua nomeação para o cargo de ministro do STJ, em vaga destinada a membro do Ministério Público, e por seus pares indicado, no governo Lula, em junho de 2008.

O ato ministerial de Campbell jogou por terra toda a confiança depositada nas investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado, bem como um véu de suspeição sobre o Tribunal de Justiça, na pessoa do Desembargador Orlando Perri, cuja vida idônea, conduta ilibada e notável conhecimento jurídico jamais poderia ser alvo de tal ação.

Pelos lados da capital de todos os brasileiros, as coisas também emitem sinais trocados: pesquisa do Data Folha aponta uma reprovação cada dia maior do presidente Bolsonaro, como se estivesse pra ser colocado pra fora como foi a presidente Dilma.

Bolsonaro, com toda a sua falta de traquejo político para lidar com a imprensa, não deixa de falar com ela todos os dias. Em eventos como a Festa do Peão Boiadeiro de Barretos, teve a coragem, como tem em todos eventos de que participa, de se submeter à exposição pública, cavalgando na arena principal ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A economia surpreende os mais céticos. A inflação está em viés de baixa. Põe na rua anuncia um programa de privatizações que poucos teriam coragem de fazê-lo, sem contar as já realizadas de portos e aeroportos, além de estar fazendo andar obras de infraestrutura paradas há anos.

Reforma da Previdência aprovada na Câmara e andando em ritmo acelerado no Senado. Desemprego caindo e uma vitória reconhecida pela própria esquerda na questão da soberania brasileira.

Temos tudo para dar certo. Parece que só falta mesmo um pouco de fé e lembrar-se do que era feito o noticiário há menos de um ano. Até quando vamos continuar torcendo pelo quanto pior, melhor? Será que um dia perderemos esse sentimento de cidadãos de segunda categoria, como se não tivéssemos o direito de sonhar em pertencer ao primeiro mundo? Acho que está na hora de tirar de dentro do baú dos sonhos a nossa vontade de vencer e lutar por ela como nunca.

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*Ricarte de Freitas é advogado, analista político e ex-parlamentar estadual e federal

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