Silval diz que vice-governador pediu ajuda financeira para dívida de campanha

Ednilson Aguiar/O Livre

 vice-governador Carlos Fávaro

Vice-governador Carlos Fávaro (PSD)

Em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirma que o vice-governador Carlos Fávaro (PSD) solicitou uma ajuda financeira de R$ 1 milhão para quitar uma dívida entre ele e o secretário nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller (PP).

Homologada no Superior Tribunal Federal (STF), a delação do ex-governador envolve diversos políticos atuantes no Estado entre 2006 e 2014. Os depoimentos foram prestados na Operação Ararath e explicam uma trama extensa de crimes envolvendo corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

VEJA A COBERTURA COMPLETA DA DELAÇÃO

Geller e Fávaro teriam explicado a Silval que, na campanha de 2010, o atual vice-governador havia emprestado R$ 1 milhão para a campanha do secretário, ficando o débito em aberto.

Na ocasião, o Partido Progressista fez parte da coligação Mato Grosso em Primeiro Lugar, que tinha Silval como candidato a governador. Segundo Silval, Geller afirmou que não tinha condições de quitar a dívida e pediu que o governador assumisse a dívida.

Silval relata que se negou e que Geller e Fávaro então sugeriram que o Estado concedesse incentivos fiscais à Eletromóveis Martinello, do empresário Osvaldo Martinello, que repassaria o dinheiro em forma de propina. Silval diz ter questionado se os dois já haviam conversado com Martinello, o que teria sido confirmado “de forma categórica” por ambos.

O ex-governador afirma que ordenou ao então secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Alan Zanatta, que concedesse os incentivos. Ele diz ter questionado tanto Fávaro quanto Geller posteriormente sobre a quitação da dívida e que os dois teriam afirmado que os valores foram efetivamente pagos.

Ele cita ainda que ouviu do ex-deputado José Geraldo Riva (sem partido) que Neri Geller e Carlos Fávaro haviam também feito pedidos para a quitação de dívidas de campanha.

Outro lado
O vice-governador afirma que emprestou insumos agrícolas a Neri Geller e que não houve troca de valores. Segundo Fávaro, a dívida foi paga dois anos depois com a entrega de equipamentos e maquinários. Neri Geller, por sua vez, diz que o débito foi quitado com milho e maquinários. Ambos afirmam que o ex-governador mentiu em sua delação. Veja as notas a seguir.

Nota de Carlos Fávaro
“A informação do ex-governador Silval Barbosa é falsa e caluniosa. Carlos Fávaro emprestou insumos agrícolas para Neri Geller em sua propriedade e, em nenhum momento, essa negociação envolveu transferência de valores. A dívida foi paga somente dois anos depois, parte inclusive, com equipamentos e maquinários usados. Silval Barbosa deve ter tido conhecimento da dívida que Neri Geller possuía e faz agora mentirosas ilações para justificar sua delação, confundindo propositalmente a realidade dos fatos. É preciso que a Justiça exija provas efetivas e proteja cidadãos que cumprem a lei”.

Nota de Nerri Geller
“Com relação às informações difamatórias do ex-governador Silval Barbosa, tenho a esclarecer que minha dívida com o vice-governador Carlos Fávaro foi totalmente quitada com milho, mediante depósitos e maquinário agrícola de minha propriedade, sendo absolutamente inverídicas as declarações do ex-governador.

Em momento algum a negociação envolveu o senhor Silval Barbosa, que hoje, no afã de justificar seus atos ilícitos, tenta envolver pessoas de bem. A Justiça há de prevalecer sobre estas ilações e a verdade dos fatos virá à tona, provando a inocência de cidadãos que cumprem suas obrigações e nada têm a temer”.

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