Silval diz que ‘comprou’ ajuda do DEM após Wilson leiloar apoio nas eleições de 2010

Montagem Mauro, Silval e Wilson

Em um de seus depoimentos prestados no acordo de delação premiada, ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou que o atual secretário de Estado de Cidades, Wilson Santos (PSDB), chegou a “leiloar” a própria candidatura ao governo do Estado em 2010, oferecendo seu apoio ao adversário que pagasse mais: Silval ou Mauro Mendes (PSB). Na época, os três disputavam o comando do Palácio Paiaguás.

Silval revelou também uma suposta trama ocorrida nos bastidores – e com traições dentro de uma mesma chapa – que lhe permitiu vencer aquelas eleições ainda no primeiro turno.

Wilson e Júlio

Silval disse que foi procurado por Wilson em meados de setembro de 2010. Na época, o tucano já aparecia como terceiro colocado na disputa pelo governo do Estado e teria pedido R$ 10 milhões ao ex-governador para passar a apoiá-lo na disputa, prejudicando Mauro Mendes.

Ainda de acordo com Silval, Wilson relatou que havia recebido a mesma proposta – R$ 10 milhões em troca de apoio político – de Mauro, mas que daria “preferência” para firmar o compromisso com Silval porque, em 2008, já havia sido adversário de candidato do PSB na disputa pela prefeitura da capital.

O ex-governador diz que só se dispôs a pagar R$ 7 milhões e que, por isso, o acordo não foi fechado. Dias depois, o tucano teria passado a fazer ataques mais fortes contra Silval nos debates, o que fez o peemedebista deduzir que Wilson havia fechado o acordo com Mauro Mendes.

Contra-ataque

Candidato a governador, Wilson compunha a chapa com o então deputado Dilceu Dal Bosco, do Democratas, como vice. 

Desconfiado de que o tucano havia feito um acordo com Mauro Mendes, Silval revelou que teve a ideia de procurar Júlio Campos, então presidente do DEM, e relatar as conversas com Wilson. 

De acordo com a delação, Júlio “ficou muito irritado com a atitude de Wilson”. O motivo seria o fato de o tucano supostamente ter recebido os R$ 10 milhões de Mendes e não ter cumprido a promessa de ajudar financeiramente os candidatos a deputado do DEM.

Silval e Júlio, então, teriam firmado um acordo: o ex-governador diz que repassou R$ 4 milhões ao ex-deputado federal e este liberou os candidatos do DEM a apoiar o peemedebista.

O dinheiro, ainda segundo Silval, era fruto de propina paga pela construtora Ecomind para ter liberado o pagamento de um precatório de R$ 85 milhões (caso investigado na operação Ararath).

Ao Ministério Público, Silval relatou que também acabou quitando parte da dívida de campanha de Dilceu Dal Bosco, que havia concorrido como vice de Wilson. Em troca de R$ 1,5 milhão, o democrata só precisou ficar “inerte na situação” de ataques entre os candidatos ao governo, segundo o que consta no depoimento.

Outro lado

Por meio de nota, o secretário de Estado de Cidades, Wilson Santos, afirmou que foi Silval quem tentou cooptá-lo de forma “criminosa” e que, conforme o próprio depoimento revela, “não fez nenhum tipo de acordo” com o ex-governador.

A reportagem do LIVRE não conseguiu contato com Dilceu Dal Bosco.

Júlio Campos chegou a atender as ligações, mas disse que não poderia comentar o caso porque estava em uma consulta médica, em São Paulo.

Confira a íntegra da nota de Wilson:

“Esclareço à sociedade que o Sr. Silval Barbosa, réu confesso em mais de 50 crimes contra o patrimônio do povo mato grossense, tenta inverter os fatos. Foi ele que confessou perante o Ministério Público Federal que cooptou o deputado Guilherme Maluf; o meu vice de chapa à época, Dilceu Dal Bosco; Julio Campos, e nessa linha criminosa tentou me cooptar.

Saliento que nunca, em momento algum da minha vida pública e privada e em todas minhas campanhas eleitorais em Cuiabá e em Mato Grosso, jamais recebi qualquer contribuição financeira ou política do Sr. Silval Barbosa. Aliás, ele próprio declara em sua delação ao Ministério Público Federal, que não fez nenhum tipo de acordo comigo, político e nem financeiro”.

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