Seu amigo bebeu demais e está dando trabalho na balada? Saiba como ajudar!

Paciência é a palavra-chave, mas há ainda, algumas medidas eficazes para apaziguar os ânimos

Não deixe que a bebedeira evolua para um boletim de ocorrência. Confira nossas dicas! (Foto: Pixabay/Creative Commons)

Alguns dos boletins de ocorrência (B.O) mais comuns nos fins de semana refletem, em grande parte, o abuso do álcool. Há casos graves como tentativas de homicídio, agressões e infrações de trânsito que ocorrem por conta do consumo abusivo de bebida – e isso tudo conta no campo “natureza da ocorrência”, nos B.Os.

Em casos menos graves, o fato é que quando abusamos do álcool podemos acabar estragando a nossa festa. Para te ajudar a lidar com esse tipo de situação, digamos, quando um amigo acaba exagerando um pouco na dose, o LIVRE separou algumas maneiras eficazes de remediar a situação.

O especialista em prevenção de álcool e outras drogas José Vieira* tem dedicado sua atuação profissional a auxiliar pessoas a enfrentar e superar problemas relacionados ao abuso e à dependência do álcool e de outras drogas.

Aos leitores do LIVRE, ele dá dicas de como ajudar pessoas que, ao que parecem, perderam o controle e apresentam comportamento que não só os coloca em risco, como também, pode atingir terceiros. Mais do que apenas remediar a situação, os conselhos do especialista servem também para o caso do comportamento se tornar recorrente.

Como ajudar seu amigo ou amiga na balada?

Amigos também podem ajudar, muitas vezes, na hora em que tudo acontece como no caso de uma festa open bar, por exemplo. “As pessoas, ao ouvir que um evento é open bar, seguem até lá com o intuito de consumir tudo e mais um pouco do que o ingresso prevê. Daí você já viu, né? O bom é sempre agir com bom senso”.

Mas pode ser que seu amigo ou amiga apresentem embriaguez excessiva. “E para ajudar, você vai ter que ter um pouco de paciência. Afinal, sabemos que acompanhar os efeitos de uma bebedeira dessas pode te deixar aborrecido, mas caso não haja intervenção, pode ter terríveis consequências, como a pessoa dirigir alcoolizada e sofrer um acidente, a exemplo”. Dessa forma, é importante manter-se por perto. A seguir, algumas dicas bem humoradas:

Paciência acima de tudo

Seu amigo ou amiga, já está falando enrolado, muito eufórico, ou muito nervoso.

Agora está chorando, ou rindo sem parar. Se é passivo, ficou agressivo.

Segundo José Vieira, é chegada a hora de manter a calma. Evite dizer “você já bebeu demais”. Evite acusa-lo, tente distrair saindo de perto do bar, ofereça água e fale sobre assuntos com outro foco.

Evite dar comida para que a pessoa não vomite ou se engasgue. O melhor é oferecer pequenas porções de doce ou café amargo.

Não deixe a pessoa sair sozinha para outro lugar. Fique ao lado e se precisar, vá ao banheiro com ela. Especialmente, no caso de mulheres. Há muitos espertinhos que se aproveitam do momento.

Se a situação se agravar e a pessoa estiver passando mal, tente não entrar em pânico, para ela não entrar também.

Se ela quiser só descansar e dar aquela cochilada, evite chacoalhar a pessoa, pois ela pode acordar com agressividade.

Se ela estiver dormindo – meio que apagada -, não a deixe sozinha e nunca, dormindo de barriga para cima, pois caso a pessoa vomite, ela pode se engasgar com o próprio vômito.

Mas se chegar a um estágio que lembra coma alcoólico, tente ficar ligado na respiração da pessoa. Se ficar lenta, sem resposta a estímulos, é possível que a pessoa esteja entrando em coma alcoólico e como há risco de a pessoa ter uma parada cardiorrespiratória, chame uma ambulância pelo 192. Segundo o especialista, se a dúvida for relativa a abuso de álcool e outras drogas, dá também para acionar o 132, serviço que funciona 24 horas por dia e fornece orientações e informações por telefone, atendendo todas as regiões do Brasil.

Antes da ressaca, entenda como o álcool age no seu organismo

Em vídeo publicado em seu canal no YouTube (veja abaixo), o médico Dráuzio Varela explica que quando bebemos de estômago cheio, o álcool leva mais tempo pra ir do trato gastrointestinal para o fígado, para metabolizar. E quando se bebe em jejum a sensação de embriaguez é intensificada. Por isso, diluir o álcool – tomando água entre uma e outra dose, além de aumentar o tempo entre elas – ajuda a dar tempo para o fígado metabolizar.

E aos que costumam brindar todos os dias, diz ele, é importante ficar atento. Segundo o médico, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é quem define os padrões e níveis seguros de consumo, recomenda que depois de uma “grande” celebração é importante ficar dois dias sem beber nada e, nos outros, não ultrapassar duas doses a cada 24 horas.

“Caso o uso diário cause problemas sociais ou de saúde para o indivíduo que bebe ou para terceiros ele passa a ser considerado nocivo”, comenta Dráuzio.

“E sim, o álcool não só aumenta o número dos índices de violência, como também é caso de saúde pública. Relatórios da Organização Mundial de Saúde revelam que o abuso do álcool, causa doenças gradualmente e que se manifestam, principalmente, no ponto em que já se atingiu o nível de dependência”, alerta Vieira.

No relatório da OMS divulgado no fim de setembro, o álcool aparece como responsável pela morte de mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016, representando uma em cada 20 mortes. Segundo a Agência Brasil, o relatório global sobre o consumo e suas consequências adversas para a saúde aponta que os homens representam mais de três quartos das mortes. No geral, o uso nocivo do álcool causa mais de 5% das doenças no mundo.

Segundo os dados da pesquisa, 28% das mortes relacionadas ao álcool são resultado de lesões, como as causadas por acidentes de trânsito, autolesão e violência interpessoal; 21% se devem a distúrbios digestivos; 19% a doenças cardiovasculares e o restante por doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais e outras condições de saúde.

Nível saudável de consumo

A estimativa da OMS é que 2,3 bilhões de pessoas consumam álcool atualmente. O consumo representa mais da metade da população das Américas, Europa e Pacífico Ocidental.

O consumo médio diário de pessoas – em nível saudável – que bebem álcool é de 33 gramas de álcool por dia, o equivalente a duas taças (cada um de 150 ml) de vinho, uma garrafa grande de cerveja (750 ml) ou duas doses (cada uma de 40 ml) de bebidas destiladas.

Mas, no Brasil, os homens consomem em média 3 doses de álcool por dia, e as mulheres, 1,5 dose. Assim, de acordo com resultados do relatório, publicado na Agência Brasil, o maior número de vítimas anuais de doenças relacionadas ao álcool está entre eles, com estimadas 76 mil mortes, enquanto 21 mil delas também falecem anualmente por problemas relacionados ao consumo de bebidas.

“Infelizmente, não há restrições quanto à publicização das bebidas. Além disso, ou uso de drogas lícitas – como o álcool deve ser encarado – é uma questão natural da nossa sociedade. Isso ocorre diariamente, da happy hour aos casamentos, em formaturas, churrascos, partidas de futebol. É natural celebrar, mas para alguns, a sucessão de celebrações pode desencadear o abuso e logo, a dependência”, alerta o especialista.

Quando algo não anda bem..

José Vieira tem dedicado sua atuação a auxiliar pessoas no tratamento da dependência do álcool e de outras drogas (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Segundo o especialista, quem consome bebida alcoólica diariamente precisa ficar atento ao risco da dependência, dada a tolerância, que diz ele, vai aumentando. “O nível seguro de 33 gramas de álcool demora até 2 horas para ser eliminado pelo organismo. E se a pessoa, por exemplo, pensa em dirigir, deve levar isso em consideração. Além disso, a pessoa começa a suportar mais álcool e é possível que o comportamento de risco seja uma constante”.

José Vieira diz que para ele, se o modo de beber de uma pessoa tornou-se um problema para amigos e familiares, há que se intervir. “É natural que a família inicialmente, negue a existência do abuso, mas logo, a situação pode se tornar insustentável. Nas empresas, é normal também, o presenteísmo – em que a pessoa está lá, mas não consegue trabalhar – e o absenteísmo – faltas com frequência”.

Confira o vídeo em que Dráuzio explica como o álcool age no organismo:

* José Vieira atende a família e empresas de forma preventiva e também, para aconselhamento de quem tem encontrado problemas ao beber. Também desenvolve acompanhamento de alcoólicos ou toxicômanos que estão em tratamento. Além de realizar consultoria para prevenção de recaída. Contatos pelo (65) 99813-5987.

 

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